Quarto brasileiro mais rico, o bilionário André Esteves, sócio sênior e presidente do conselho de administração do BTG Pactual, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no sábado (29). O encontro ocorreu no Trump National Golf Club, nos arredores de Washington, e durou cerca de 45 minutos.
A reunião foi revelada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, e confirmada pela assessoria do BTG Pactual. Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, também participou da conversa.
Segundo o Metrópoles, Trump perguntou a Esteves sobre a eleição presidencial brasileira. O banqueiro teria respondido que o sistema eleitoral do país é “confiável” e que a disputa está “em aberto”. Os dois também conversaram sobre oportunidades de negócios na Venezuela, especialmente no setor de petróleo e gás. O banco não divulgou oficialmente os detalhes da reunião.
Esteves comunicou previamente o Palácio do Planalto sobre o encontro. Nesta segunda-feira (31), o banqueiro participa de um jantar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e empresários em Brasília.
Brasil e EUA retomam negociações
A reunião ocorreu no momento em que Brasil e Estados Unidos retomam as negociações sobre o tarifaço. Em julho, o governo americano impôs uma sobretaxa de 25% a produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais desleais. Dias depois, os Estados Unidos estabeleceram uma alíquota de 12,5%, citando supostas deficiências da legislação brasileira no combate ao trabalho forçado.
A tarifa de 12,5% substituiu uma cobrança temporária de 10% que estava em vigor desde fevereiro. Para parte das exportações brasileiras, a nova alíquota se soma à sobretaxa de 25%, elevando a cobrança adicional a 37,5%. O governo brasileiro rejeita as acusações que embasaram as medidas.
No dia 21 de agosto, Lula conversou com Trump por telefone. Durante a ligação, que durou uma hora e 20 minutos, o presidente brasileiro questionou as novas tarifas e afirmou que as medidas estavam baseadas em “alegações infundadas”, além de prejudicarem consumidores e empresas dos dois países.
Na ocasião, o governo brasileiro informou que Trump concordou com a necessidade de preservar os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos e propôs que as equipes dos dois países voltassem a se reunir o mais rapidamente possível.