O bitcoin disparou nesta quarta-feira, 19, e se aproximou dos US$ 70 mil (R$ 365,4 mil) após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar a ampliação de seu programa de recompra de títulos de longo prazo.
A moeda digital mais valiosa do mundo avançou para US$ 69.698 (R$ 363.823,56) por volta das 11h30, no horário da costa leste dos Estados Unidos, segundo dados da Coinbase compilados pelo TradingView.
Naquele momento, a criptomoeda acumulava alta de 8,7% em relação à mínima intradiária de US$ 64.112,04 (R$ 334.664,85), revelam outros números da Coinbase divulgados pelo TradingView.
Além disso, o bitcoin havia subido mais de 8% em apenas três horas, depois de ser negociado perto de US$ 64.400 (R$ 336.168) por volta das 8h30, também no horário da costa leste norte-americana.
Questionados sobre o que provocou essas oscilações, vários analistas apontaram para o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos.
“O catalisador mais evidente foi o anúncio do Tesouro dos Estados Unidos de que, no mínimo, dobrará o volume de determinadas recompras de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões (R$ 10,44 bilhões) para US$ 4 bilhões (R$ 20,88 bilhões) por operação”, afirmou por e-mail Benjamin Sarquis Peillard, fundador e CEO do marketplace de crédito Cap.
“Isso ajudou a derrubar o rendimento dos títulos do Tesouro com vencimento em 30 anos de uma máxima de 19 anos, de 5,34%, para até 5,187%, enquanto o dólar enfraqueceu e as ações se recuperaram”, disse Sarquis Peillard. “Rendimentos mais baixos geralmente tornam os ativos de risco mais atraentes e aliviam parte das condições financeiras que haviam provocado a queda anterior.”
“A principal conclusão é que o bitcoin está cada vez mais inserido no ambiente macroeconômico mais amplo: movimentos nos juros, na liquidez e no dólar podem rapidamente repercutir nos mercados de criptomoedas”, acrescentou Sarquis Peillard.
Tim Enneking, sócio-gestor da Psalion, também comentou o movimento e destacou, entre outros fatores, o impacto da notícia divulgada pelo Tesouro dos Estados Unidos.
“A causa mais imediata, por assim dizer, para o salto do bitcoin foi o anúncio do Tesouro norte-americano de que aumentaria as recompras de títulos de longo prazo”, afirmou em comentário enviado por e-mail. “Isso remete aos tempos da flexibilização quantitativa durante a pandemia de Covid-19 e torna o dinheiro mais barato, pelo menos no curto prazo.”
“Depois que o movimento começou, foi cortada a corda que segurava a ‘mola comprimida’ do bitcoin e mantinha a criptomoeda em uma faixa estreita de negociação nos últimos meses”, disse Enneking. “Some a isso um claro short squeeze e você terá a combinação perfeita para uma forte alta”, acrescentou. O termo se refere a um avanço que obriga investidores com posições vendidas a encerrá-las, ampliando a valorização.
William Stern, fundador da Cardiff, também apresentou sua avaliação sobre o movimento. “Não se tratou de nenhuma novidade no mercado de criptomoedas. O bitcoin estava sobrevendido”, afirmou em um e-mail.
“Depois que ultrapassou US$ 65 mil (R$ 339,3 mil), os vendedores a descoberto precisaram correr para encerrar suas posições, e foi isso que transformou uma recuperação em uma oscilação de 9% em poucas horas”, disse Stern. “Mercados que avançam tanto em uma única direção tendem a se corrigir com a mesma intensidade.”
*Matéria originalmente publicada por Forbes.com