O Bitcoin abriu a terça-feira (25) US$ 78.982 cotada a 1,6% acima do último pregão e chegou a tocar cerca de US$ 81 mil pela manhã, maior patamar em mais de três meses, antes de devolver parte do movimento e voltar à casa dos US$ 79 mil, pressionada pela baixa do dólar.
Próximo as 13h a moeda era negociada a U$S 79.294, alta de 0,39% no dia.
No acumulado de agosto, o bitcoin sobe cerca de 28%, com valorização superior a 24% apenas na última semana de acordo com o Trading View.
A escalada divide a origem entre o gatilho e o fundamento, para o Vinicius Bazan, CEO da Underblock. “O gatilho foi o anúncio do Tesouro Americano, na semana passada, de intervenção no mercado de juros. O mercado financeiro avaliou essa postura como injeção de liquidez e controle da situação econômica (buscando manter juros mais baixos). Nesse caso, ativos de risco mais sensíveis como o bitcoin são os primeiros a responder. Como consequência disso, vimos a retomada de demanda (fundamento) via entrada de capital nos ETFs, em volume que não se via há meses.”
O Tesouro americano dobrou para US$ 4 bilhões, o tamanho máximo de operações de recompra de títulos longos, a medida voltada a melhorar a liquidez do mercado de Treasuries. O anúncio pressionou os juros dos títulos para baixo e enfraqueceu o dólar, criando um pano de fundo mais favorável a ativos de risco como o bitcoin.
O cenário macro foi amplificado por um dos maiores short squeezes da história do mercado cripto: as liquidações de posições vendidas somaram US$ 3 bilhões em 24 horas, o maior evento do tipo desde ao menos 2021, com mais de US$ 1 bilhão zerado em uma única hora.
Soma-se a isso o componente político. Em evento na Casa Branca na semana passada, o presidente Donald Trump recebeu executivos de Coinbase, Kraken, Robinhood, Ripple e Chainlink e pressionou o Congresso a aprovar o Clarity Act, projeto de estrutura regulatória para o setor. A votação de encaminhamento (cloture) foi agendada para 15 de setembro.
O apetite institucional acompanha o movimento: os ETFs de bitcoin à vista registraram o sétimo dia seguido de entradas líquidas, com captação de US$ 337,56 milhões em 24 de agosto.
O tom entre analistas, porém, é de cautela e o preço ainda precisa achar um suporte. o Bitcoin ainda estaria barato numa visão de longo prazo, mas, como pode continuar oscilando ou cair mais no curto prazo, Bazan. prefere recomendar compras aos poucos em vez de um aporte grande agora. “Não sugiro aportes apressados agora. A região dos 60k era a mais interessante e assimétrica. Porém, olhando a longo prazo, estamos com um BTC ainda bastante descontado. Por isso, meu principal direcionamento é a estratégia de DCA, com aportes parciais, buscando filtrar a volatilidade”, aconselha Bazan. O investidor que compra Bitcoin em diferentes preços reduz o risco de fazer todo o aporte justamente antes de uma queda.
Enquanto o preço não encontra a base, Pedro Fontes, analista de Research do Mercado Bitcoin, também recomenda paciência. “Caso o Bitcoin se mantenha acima dos 70 mil dólares, a estrutura de alta continua muito saudável para alcançar novos patamares no futuro; caso se perca os 70 mil dólares, pode ser que essa transição para o ciclo de alta não seja tão provável assim, pode ser que a gente ainda mostre um sinal de fraqueza.”