A 49ª Expointer abriu os portões no sábado (29), no Parque Estadual de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), com cerca de dois mil expositores, 7.926 animais inscritos e uma agenda que coloca lado a lado genética, máquinas, financiamento, produção de alimentos e tecnologia. A feira segue até 6 de setembro em uma área de 141 hectares, com 45,3 mil metros quadrados de pavilhões cobertos, 19 locais para julgamentos e nove espaços destinados a leilões e auditórios.
“A feira é um momento importante no calendário cultural e econômico do Rio Grande do Sul, mobilizando um setor fundamental, o agronegócio, responsável por mais de 40% do PIB do Estado”, afirmou o governador Eduardo Leite no lançamento da edição. A Expointer começa enquanto produtores, fabricantes de equipamentos, bancos e cooperativas discutem decisões para a safra 2026/27, depois de anos marcados por perdas climáticas e maior pressão financeira sobre propriedades rurais gaúchas.
Vale registrar que história da feira é bem mais antiga, ela é centenária. Sua origem remonta a 24 de fevereiro de 1901, quando Porto Alegre recebeu, no Campo da Redenção, atual Parque Farroupilha, a 1ª Exposição de Produtos do Estado, com bovinos, equinos, suínos, produtos agrícolas, industriais e artesanato. O evento reuniu 2,2 mil expositores e 67 mil visitantes e é considerado pelo próprio governo gaúcho o embrião da Expointer. Ao longo das décadas, a exposição passou por diferentes endereços e denominações até chegar a Esteio, onde ganhou dimensão internacional.
Nos pavilhões de animais, o número de inscrições aumentou nesta edição. São 7.926 exemplares entre animais de argola e rústicos, enquanto a programação reúne julgamentos, provas e leilões de diferentes raças. A participação mostra o papel de Esteio como mercado para genética animal, em um Estado onde a pecuária mantém cadeias de bovinos de corte, leite, ovinos e equinos distribuídas por diferentes regiões produtivas. Entre as novidades está a primeira Exposição Nacional de Caprinos Boer realizada no Rio Grande do Sul, com 103 animais inscritos e criadores de quatro Estados.
A agricultura familiar, também um dos destaques da feira, começou a feira com vendas de R$ 2,32 milhões nos dois primeiros dias, segundo boletim da Emater/RS-Ascar. Foram R$ 1 milhão no sábado, quando a chuva acompanhou a abertura, e R$ 1,32 milhão no domingo. O pavilhão reúne 509 expositores, contra 456 na edição passada, distribuídos entre agroindústrias, artesanato, plantas, mudas, flores e cozinhas. Entre os responsáveis pelos empreendimentos estão 265 jovens e 179 mulheres. Em 2025, o espaço encerrou a Expointer com R$ 13,6 milhões em vendas.
Do outro lado do parque, o setor de máquinas inicia os nove dias de exposição acompanhado pela discussão sobre crédito. O Banrisul levou para Esteio linhas destinadas ao custeio da safra, irrigação, correção e manejo do solo, além do financiamento de máquinas e equipamentos. O banco também passou a orientar produtores sobre a linha autorizada pela Medida Provisória 1.376/2026 para renegociação de dívidas rurais. A disposição para contratar financiamento e renovar equipamentos será um dos indicadores acompanhados durante a feira, depois da retração registrada na comercialização de máquinas em 2025.
A Expointer também funciona como ponto de divulgação das decisões para o próximo ciclo agrícola. Nesta segunda-feira (31), o Instituto Rio Grandense do Arroz apresentou intenção de semeadura de 861.778 hectares de arroz irrigado no Estado na safra 2026/27. A projeção para a soja cultivada em terras baixas ficou em 431.014 hectares, sistema usado em rotação com as áreas tradicionais do cereal.
A circulação de visitantes começou mesmo sob chuva no sábado, quando mais de 80 mil pessoas entraram no parque, segundo a organização. No domingo, com tempo mais firme, o movimento prosseguiu pelos pavilhões, pistas de julgamento e espaços comerciais. Para empresas e produtores, porém, os números que serão construídos até 6 de setembro estarão nas vendas de máquinas, contratação de crédito, leilões de genética e faturamento dos empreendimentos rurais, indicadores que vão mostrar quanto da movimentação de Esteio será convertida em investimento para o próximo ciclo produtivo.
Confira aqui em Forbes Agro a cobertura da Expointer