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Warren Buffett Deixa Presidência da Berkshire Hathaway Aos 96 Anos

Howard Buffett assume a presidência do conselho, enquanto Greg Abel segue como CEO em uma nova etapa da sucessão do megainvestidor

5 min

Segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (18), Warren Buffett, fundador e principal nome por trás da Berkshire Hathaway, deixará o cargo de presidente do conselho da companhia. O posto será ocupado por seu filho, Howard Buffett, dando continuidade ao processo de sucessão na gigante de investimentos.

A mudança tem efeito imediato, de acordo com o anúncio da Berkshire. Aos 96 anos, Buffett passa a exercer a função de presidente emérito, título honorário concedido a alguém que deixou a presidência de uma organização, geralmente depois de uma trajetória longa ou relevante, e continuará como integrante do conselho. Howard, por sua vez, já conhece de perto a estrutura da empresa: ele ocupa uma cadeira no conselho desde 1993.

A troca no comando do colegiado representa mais um passo na transição de liderança da Berkshire, processo que ganhou força nos últimos anos. Em 2025, Buffett anunciou que deixaria a função de CEO, abrindo caminho para Greg Abel, que posteriormente assumiu a administração executiva do conglomerado.

No comunicado, Abel destacou a influência de Buffett sobre a trajetória da companhia e afirmou que a cultura empresarial construída pelo investidor deverá permanecer como um dos pilares da Berkshire. Para o executivo, Howard terá papel importante na preservação desses princípios.

Buffett também comentou a transição. Em mensagem divulgada nesta sexta, reconheceu que o avanço da idade é inevitável, mas afirmou ter recebido do tempo a oportunidade de acompanhar a Berkshire chegar a uma posição que lhe proporciona confiança em relação ao futuro.

A definição de funções entre os sucessores também ficou mais clara. Abel permanece responsável pela gestão dos negócios, enquanto Howard terá como uma de suas principais atribuições preservar a cultura e os valores desenvolvidos ao longo das décadas sob a liderança do pai.

“Greg administra a empresa; Howard zelará por sua cultura e valores – ambos valem mais do que qualquer coisa em nosso balanço patrimonial”, escreveu Buffett. Ao explicar o papel do filho, o investidor o comparou a uma espécie de proteção para os acionistas, concebida para existir mesmo que nunca precise ser acionada.

Legado Buffett

A trajetória de Buffett é longa. O magnata fez seu primeiro investimento aos 11 anos, comprando as ações da empresa de energia Cities Service — que lamenta até hoje ter vendido cedo demais. Nessas mais de oito décadas, Buffett não só acumulou ganhos extraordinários, mas revolucionou a forma como as pessoas administram ações.

Em 3 de maio de 2025, ele anunciou sua aposentadoria do comando da Berkshire Hathaway. A partir de 2026, Buffet permanecerá como conselheiro informal e acionista controlador da holding — 14% de participação econômica avaliada em US$ 147 bilhões (R$ 820,11 bilhões) e 30% dos votos. devido à idade avançada, o movimento não foi exatamente uma surpresa para o mercado, mas ainda assim foi sentida pelos investidores. Afinal, Buffett sempre foi sinônimo de Berkshire Hathaway e sua sabedoria um ativo imensurável para a companhia.

O bilionário assumiu o controle da empresa em 12 de maio de 1965 e, ao lado de Charles Munger, transformou uma então modesta empresa têxtil em uma das companhias mais valiosas do planeta.

Hoje, o valor de mercado da empresa é de US$ 1,2 trilhão (R$ 6,69 trilhões), com participações em companhias como Coca-Cola, Apple, American Express e Bank of America.

Império de bilhões

A alta acumulada das ações da Berkshire nesses 60 anos é de 5.439.170%. Para comparação, o índice S&P 500 valorizou-se 37.309% e a inflação americana é de 10.115%.

Em outras palavras, quem investisse US$ 1 mil (R$ 5,58 mil) em 1965 e recebesse apenas a inflação teria US$ 101,2 mil (R$ 564,59 mil). Um investimento no S&P 500 teria rendido US$ 373,1 mil (R$ 2,08 milhões). E um aporte de US$ 1 mil (R$ 5,58 mil) na Berkshire em 1965 valeria hoje em torno de de US$ 54,3 milhões (R$ 302,94 milhões).

O desempenho da companhia se deve a uma das principais características de Buffett: a paciência. Ele investe no longo prazo, dando tempo para que as empresas amadureçam e entreguem resultados. O bilionário já destacou em alguns eventos da companhia que não se preocupa com a volatilidade de curto prazo. O modo de investimento defendido por Buffett inspirou milhões de investidores em todo o mundo.

No ano passado, o conglomerado registrou lucro operacional de US$ 44,5 bilhões e reunia quase 400 mil funcionários.

Passada de bastão

Mesmo depois de transferir a função de CEO para Greg Abel, Buffett não se afastou imediatamente da rotina da companhia. Em março, Abel afirmou à CNBC que o investidor continuava frequentando diariamente o escritório da Berkshire em Omaha, no Nebraska, e permanecia sendo consultado sobre decisões relevantes.

Buffett também participou, em maio, da tradicional assembleia anual de acionistas. O encontro, conhecido como “Woodstock dos Capitalistas”, marcou uma mudança simbólica: pela primeira vez, a condução principal do evento ficou nas mãos de Abel.

Sua influência também continuou presente nas decisões de investimento. Em julho, Buffett afirmou à CNBC ter desempenhado papel central na decisão que levou a Berkshire a ampliar sua exposição à Alphabet, controladora do Google. A companhia passou a figurar entre as maiores posições da carteira de ações do conglomerado, ao lado de nomes históricos como Apple e American Express.

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