A Tether, emissora da maior stablecoin do mundo, estaria sendo negociada no mercado secundário em uma faixa entre US$ 350 bilhões (R$ 1,855 trilhão) e US$ 375 bilhões (R$ 1,9875 trilhão), segundo fontes do setor.
Embora esse valor fique abaixo do teto máximo de US$ 500 bilhões (R$ 2,65 trilhões) que a empresa buscava em sua captação — noticiada pela Bloomberg pela primeira vez em setembro —, ele ainda é suficiente para impulsionar seus principais executivos ao topo do ranking dos bilionários globais.
A Tether não respondeu ao pedido de comentário da Forbes até o fechamento desta reportagem.
SoftBank e Ark Invest já haviam sido citados como possíveis participantes da rodada de captação da Tether, mas uma fonte familiarizada com o assunto informou à Forbes que o SoftBank não é investidor da empresa. A gestora de ETFs Ark Invest, fundada por Cathie Wood, também não respondeu ao pedido de comentário.
Valuation
Relatórios anteriores sugeriam que a potência cripto sediada em El Salvador inicialmente buscava levantar até US$ 20 bilhões (R$ 106 bilhões) por cerca de 3% do negócio, mas seus assessores posteriormente cogitaram captar apenas US$ 5 bilhões (R$ 26,5 bilhões) após encontrarem resistência por parte dos investidores, segundo o Financial Times.
Com base em conversas com investidores e executivos do setor cripto, a Forbes avalia a Tether em cerca de US$ 200 bilhões (R$ 1,06 trilhão) — ainda muito acima da estimativa de US$ 50 bilhões (R$ 265 bilhões) atribuída à empresa um ano atrás.
Essa avaliação também representaria um ganho expressivo para a Cantor Fitzgerald, cuja participação de 5% passaria a valer US$ 10 bilhões (R$ 53 bilhões), ante os US$ 600 milhões (R$ 3,18 bilhões) reportados em 2023.
Com uma avaliação de US$ 200 bilhões (R$ 1,06 trilhão), Giancarlo Devasini — diretor financeiro (CFO) da Tether e seu maior acionista, que se acredita deter entre 44% e 45% da empresa — teria um patrimônio estimado em US$ 89 bilhões (R$ 471,7 bilhões).
O CEO Paolo Ardoino e o ex-CEO Jean-Louis van der Velde, que supostamente possuem cerca de 19% cada, ficariam com fortunas de US$ 38 bilhões (R$ 201,4 bilhões) cada. O diretor jurídico Stuart Hoegner, com uma participação estimada de 12%, teria um patrimônio próximo de US$ 25 bilhões (R$ 132,5 bilhões).
Já com uma avaliação de US$ 350 bilhões (R$ 1,855 trilhão) — o limite inferior sugerido pelas vendas no mercado secundário —, apenas a participação de Devasini valeria mais de US$ 156 bilhões (R$ 826,8 bilhões), o suficiente para colocá-lo entre as dez pessoas mais ricas do mundo, acima de Warren Buffett, cujo patrimônio era de US$ 147,8 bilhões (R$ 783,34 bilhões) na quinta-feira.
A Tether afirma ter gerado aproximadamente US$ 10 bilhões (R$ 53 bilhões) em lucro (não auditado) no ano passado, em grande parte proveniente do rendimento das reservas que lastreiam o USDT, cuja capitalização de mercado é de US$ 184 bilhões (R$ 975,2 bilhões).
A grande maioria das reservas do USDT — mais de 80% — estaria aplicada em títulos do Tesouro dos Estados Unidos e outros ativos de curto prazo. No entanto, com a demanda pelo USDT em forte crescimento e sem a obrigação de pagar retorno aos detentores, a empresa vem expandindo suas atividades para além das stablecoins.
No ano passado, o CEO Paolo Ardoino afirmou que a Tether estava desenvolvendo sua própria plataforma de inteligência artificial, além de novas divisões nas áreas de dados, energia e educação.
A empresa também construiu posições significativas em commodities e criptoativos — cerca de US$ 23 bilhões (R$ 121,9 bilhões) em ouro e US$ 6,4 bilhões (R$ 33,92 bilhões) em bitcoin. Separadamente, o portfólio de venture capital da Tether abrange mais de 120 empresas e vale mais de US$ 10 bilhões (R$ 53 bilhões), incluindo um investimento recente de US$ 200 milhões (R$ 1,06 bilhão) no marketplace online Whop.com e uma aposta de US$ 775 milhões (R$ 4,1075 bilhões) na plataforma de vídeo Rumble em 2024.
Ardoino também afirmou que sua empresa opera com uma margem de lucro de 99% e conta com cerca de 300 funcionários.]
Terreno das stablecoins
Assim, a mais recente tentativa de captação da Tether não estaria relacionada à necessidade de caixa, mas sim à busca por maior credibilidade institucional e influência, especialmente enquanto a empresa tenta aprofundar sua presença nos Estados Unidos.
No mês passado, a companhia anunciou uma stablecoin compatível com as exigências regulatórias dos EUA, a USAT, tendo o Anchorage Digital Bank, de San Francisco, como emissor. Bo Hines, ex-diretor executivo do Conselho de Criptomoedas da Casa Branca, foi nomeado CEO da unidade da Tether nos EUA em setembro.
No entanto, a Tether enfrenta concorrência crescente no mercado de stablecoins. Além da Circle, com sua popular USDC, a Stripe e a empresa de investimentos cripto Paradigm revelaram recentemente uma nova blockchain voltada a pagamentos com stablecoins, chamada Tempo, com parceiros que incluem UBS, Deutsche Bank, OpenAI e Anthropic.
A Meta, que passou anos tentando desenvolver seu próprio projeto, o Libra, também estaria planejando um retorno. O CoinDesk informou que a empresa pretende apoiar pagamentos lastreados em stablecoins e implementar uma nova carteira ainda neste ano.
A pressão regulatória também está aumentando. Na quarta-feira, o Escritório do Controlador da Moeda dos Estados Unidos (Office of the Comptroller of the Currency) emitiu um aviso de proposta de regulamentação para implementar o chamado GENIUS Act, focado em stablecoins, sancionado em julho, que concederia ao órgão autoridade para supervisionar emissores estrangeiros usadas como meio de pagamento, como a Tether.
*Matéria originalmente publicada em Forbes.com