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Vendas no Varejo Sobem 0,1% no Brasil em Agosto, Abaixo do Esperado

Em julho, o varejo havia tido queda de 0,8% sobre o mês anterior

3 min

As vendas no varejo subiram menos do que o esperado no Brasil em agosto, após terem caído no mês anterior, confirmando a moderação da atividade econômica após dados da indústria e de serviços também terem desapontado.

As vendas tiveram variação positiva de 0,1% em agosto sobre julho na série com ajuste sazonal e avançaram 0,4% na comparação com o mesmo mês do ano passado, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

Economistas consultados em pesquisa da Reuters esperavam alta de 0,7% na comparação com julho e crescimento de 1,45% sobre agosto de 2025.

Em julho, o varejo havia tido queda de 0,8% sobre o mês anterior.

O indicador das vendas apontou agora crescimento em seis dos setores analisados na comparação com julho — equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (6,3%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%), combustíveis e lubrificantes (1,1%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,7%), tecidos, vestuário e calçados (0,6%) e livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%).

Os outros dois segmentos avaliados apresentaram queda no mesmo período — móveis e eletrodomésticos (-4,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,3%).

Considerando o chamado comércio varejista ampliado, que inclui ainda as atividades de veículos e autopeças, bebidas e fumo, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, o volume total de vendas encolheu 0,2% em agosto sobre julho e cresceu 0,1% na comparação com agosto de 2025.

O gerente da pesquisa do IBGE, Cristiano Santos, apontou que o avanço do crédito à pessoa física e a queda da inflação evitaram nova retração das vendas no varejo em agosto, mas disse ver o dado do mês como estabilidade, e não crescimento.

“O poder de compra maior não está indo para o consumo; pode estar indo para pagar dívida, poupar ou outra finalidade”, afirmou Santos a jornalistas. Apesar da “perda de fôlego evidente” no comércio, ele ponderou que os números deste ano ainda são melhores que os de 2025.

O Banco Central se reunirá no início de novembro para deliberar sobre os juros, e a expectativa predominante é que promova o sexto corte consecutivo de 0,25 ponto na Selic, que atualmente está em 13,75% ao ano.

Essa será a primeira reunião de política monetária após o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputarão a Presidência.

Santos disse que as eleições não tiveram impacto relevante sobre o consumo.

Dados do IBGE mostraram que a produção industrial e o volume de serviços caíram em agosto, com desempenho abaixo do esperado por economistas.

“Em conjunto com os resultados recentes da indústria e dos serviços, os dados (do varejo) indicam um PIB mais fraco no terceiro trimestre de 2026, o que nos leva a revisar o crescimento do período para -0,2%”, disse o economista do ASA Leonardo Costa, em nota.

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