B3 prevê recorde de ofertas de ações em 2020

ReutersLeonardoBenassatto
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Neste ano, esse mercado deve fechar com um total próximo de R$ 80 bilhões

O mercado brasileiro de ofertas de ações deve atingir volume financeiro recorde em 2020, disse hoje (17) o presidente-executivo da B3, Gilson Finkelsztain.

“O Brasil tem tudo para ter recorde no ano que vem”, disse o executivo a jornalistas, citando fatores como a expectativa de desinvestimentos do BNDES, as listagens de braços da Caixa Econômica Federal, além de várias empresas privadas que estão planejando ofertas iniciais (IPO) ou subsequentes.

Finkelsztain estimou que haja entre 20 e 30 ofertas de ações em andamento atualmente.

Neste ano, esse mercado deve fechar com um total próximo de R$ 80 bilhões, já um recorde, se excluir a mega oferta da Petrobras, em 2010, que fez o total superar R$ 100 bilhões, mas é considerado um movimento atípico.

Em número de listagens, porém, o presidente da B3 considera improvável bater o recorde de 2007, quando cerca de 100 empresas estrearam na bolsa paulista.

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2020

Para aproveitar esse ciclo de retomada do mercado doméstico de capitais, a B3 planeja deslanchar ao longo de 2020 uma série de iniciativas para ampliar receitas e atrair mais investidores.

Um delas deve ser a adoção de uma política mais agressiva de tarifas, especialmente para investidores de varejo.

“Estamos dispostos a rever a tarifa que cobramos sobre serviço de depositária de ações”, disse Finkelsztain. “Vamos ser mais agressivos em 2020 na política de tarifação.”

A operadora de infraestrutura de mercado também deve lançar vários novos serviços, incluindo uma plataforma de recebíveis imobiliários, além de produtos, em parceria com bancos, em crédito ao consumo e seguros.

Ao mesmo tempo, a B3 espera os resultados de uma consulta pública da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pode resultar na permissão para dupla listagem para empresas brasileiras que já têm ações em bolsas norte-americanas.

É o caso da plataforma de investimentos XP, que fez sua estreia na Nasdaq na semana passada, além das credenciadoras de cartões PagSeguro e Stone, que se listaram também nos EUA no ano passado.

Esses casos reabriram discussões sobre os fatores que fazem companhias domésticas preferirem listagem no exterior, incluindo a opção de manter o controle mesmo sem ter a maioria das ações, com estruturas não regulamentadas no Brasil.

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A permissão para empresas terem diferentes ações com direito a voto na bolsa brasileira depende de uma mudança na Lei das Sociedades Anônimas. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu recentemente uma consulta pública sobre voto plural.

“A exportação de IPOs é o tema que mais nos preocupa hoje”, disse Finkelsztain. “Não deveria ser mais fácil listar lá fora do que aqui.”

O executivo disse ainda que um possível risco para o mercado de capitais brasileiro em 2020 é a possibilidade de retomada da cobrança da CPMF sobre transações financeiras. “Para o mercado de capitais, isso seria um grande inibidor”, disse Finkelsztain.

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