Em nova toada para ocupar mais espaços físicos em solo paulistano, o Nubank anunciou um espaço próprio de arte imersiva de 2,7 mil metros quadrados, localizado no primeiro piso do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.
O espaço é chamado de Nubank Arte Lab e será inaugurado em agosto, com uma mostra inédita de Tarsila do Amaral. A fintech promete ‘experiências imersivas, arte e tecnologia’ com o projeto.
O anúncio ocorre dois meses após a fintech adquirir os naming rights do estádio do Palmeiras e quatro meses após o anúncio do Cine Copan, reabertura do cinema fica no térreo do edifício Copan, projeto de Oscar Niemeyer.
A sequência de novidades ocorre em um momento em que o Nubank corre atrás da sua licença bancária junto ao regulador e se consolida como um player com competitividade análoga à dos bancos incumbentes – que por sua vez já ocupam espaços físicos em São Paulo e em outros lugares do Brasil há décadas.
Assim, o aumento da presença física do Nubank vem logo após um crescimento expansivo da sua base de clientes.
Ainda em janeiro deste ano a fintech fundada por David Vélez e Cristina Junqueira se tornou a 2ª maior instituição financeira do Brasil em número de clientes, com 112 milhões no total.
Deste modo, ficou à frente de players como Bradesco e Itaú, e atrás apenas da Caixa Econômica Federal, que somava 158 milhões de contas abertas à época.
No Brasil, México e Colômbia somados, a fintech totaliza 135 milhões de correntistas.
“O investimento no Nubank Arte Lab faz parte da estratégia do Nu de ampliar sua presença na cultura e no entretenimento, com ativações físicas que vão além do universo financeiro”, afirma Juliana Roschel, Vice-Presidente de Marketing do Nubank.
Por que arte é importante aos olhos dos bancos
O investimento em arte e cultura por instituições financeiras remonta a uma estratégia do século XV, quando comerciantes do mecenato florentino usavam as artes como sinal de poder e credibilidade para fechar negócios.
Em suma, trata-se de um investimento na construção física e simbólica junto aos clientes e à sociedade como um todo.
No Brasil, o Itaú foi um dos players que mais investiu em cultura, com a fundação do Instituto Itaú Cultural em meados de 1987, visando fomentar pesquisa e produção cultural em artes visuais, cinema, dança, literatura, teatro e música.
Até os dias de hoje, o instituto segue como um dos principais braços institucionais do banco.
O banco possui o Instituto Itaú Cultural, na Avenida Paulista, e também figura como parceiro estratégico do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, o MASP. O Nubank, aliás, também se tornou patrocinador master do museu em um passado recente, passando a oferecer benefícios para clientes como entrada gratuita às terças-feiras.
Ainda na capital paulista, diversos outros espaços de arte e cultura possuem financiamentos de bancos ou são detidos por instituições financeiras, como Farol Santander, Teatro Santander, CCBB São Paulo e outros.
Veja todos os espaços culturais atrelados a bancos na Avenida Paulista
- Itaú Cultural (Itaú Unibanco)
- Nubank Arte Lab (Nubank)
- Casa Bradesco (Bradesco)
- Instituto Moreira Salles (mantido pela família Moreira Salles, do Itaú Unibanco)
Pesquisadores da Harvard Business School estudaram em profundidade o tema, analisando a parceria entre o banco suíço UBS e o Guggenheim, mostrando que o vínculo do banco com a rede global de museus deu à instituição financeira um amplo acesso a recursos culturais, simbólicos e sociais que agregam valor e diferenciam seus serviços.
Assim, o banco fortaleceu seu relacionamento com clientes ao criar vínculos culturais.
A estratégia também soma ao brand equity das marcas. Um estudo publicado no The Service Industries Journal concluiu que o brand equity em organizações culturais está diretamente ligado à imagem que o espaço transmite e ao reconhecimento do evento. Em outras palavras, a qualidade do espaço cultural aumenta a percepção de valor do patrocinador.
Além disso, também há um retorno indireto que é interno, para os colaboradores.
Uma pesquisa publicada na revista científica Scientific Reports, do grupo Nature Portfolio, revela que patrocínios culturais de qualidade somam impacto positivo no comprometimento dos funcionários com a marca.
Como será o espaço de arte do Nubank
Em toda a sua extensão, o espaço terá área gastronômica, loja de presentes e programação contínua ao longo do ano. A arquitetura será assinada pelo escritório Jacobsen Arquitetura.
O espaço de 2,7 mil metros quadrados terá três ambientes modulares no total, com uma sala multiuso funcionando como um núcleo que receberá instalações artísticas, exposições, eventos, workshops e outras ativações.

Os outros dois ambientes modulares serão salas imersivas com experiências sensoriais voltadas à tecnologia, incluindo projeções digitais e narrativas audiovisuais.
Uma das salas terá uma parede de LED com 10 metros de comprimento e o teto espelhado.
A mostra imersiva “O Mundo de Tarsila”, que será feita na inauguração, será a maior já dedicada à obra da artista, marcando as comemorações dos 140 anos da artista.
Segundo a fintech, a mostra ocupará mais de 10 ambientes com projeções em 360 graus, instalações interativas, trilha sonora original, experiências sensoriais e releituras digitais de obras como Abaporu, Antropofagia e Operários.
Quanto vai custar
Os preços ainda não foram revelados, mas a pré-venda para clientes Nubank de ingressos para a exposição começará em 17 de junho pela plataforma Fever.
Os clientes do banco terão 35% de desconto na compra de ingressos.
Os clientes de alta renda – Ultravioleta – terão descontos na loja das exposições e no espaço gastronômico do Nubank Arte Lab.