Cade aprova venda de divisão comercial da Embraer para Boeing

ReutersConnect/David Becker
O Cade afirmou que não há indícios para afirmar que a operação comercial foi estruturada com o intuito de inviabilizar uma eventual concorrência futura da Embraer

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições hoje (27) a venda do controle da divisão de aviação comercial da Embraer para a norte-americana Boeing. A decisão foi assinada pelo superintendente-geral da autarquia, Alexandre Cordeiro Macedo.

“Não há […] indícios para afirmar que a operação comercial foi estruturada com o intuito de inviabilizar uma eventual concorrência futura da Embraer nos mercados de aeronaves comerciais com capacidade maior que 150 assentos ou que a operação possa ter esse efeito”, afirma parecer do Cade usado por Macedo para aprovar o negócio anunciado em 2018 e contestado por acionistas minoritários da companhia brasileira.

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O negócio foi anunciado na forma de uma joint-venture em que a Boeing terá 80% da principal geradora de caixa da Embraer e a companhia brasileira ficará com o restante. O preço anunciado na época foi de US$ 4,75 bilhões.

O governo de Jair Bolsonaro já havia dado aval para o negócio no início do ano passado. A operação ainda precisa de aprovação da União Europeia, que no início do mês prorrogou prazo para uma decisão para 30 de abril.

As ações da Embraer encerraram o dia em queda de 1,8%, a R$ 18,22, em meio à ampla queda do mercado brasileiro diante de preocupações com os impactos do coronavírus na China.

“O Cade concluiu que a operação resultará em benefícios para a Embraer, que passará a ser um parceiro estratégico da Boeing. Dessa maneira, a divisão que permanece na Embraer – aviação executiva e de defesa – contará com maior cooperação tecnológica e comercial da Boeing”, afirmou o Cade em comunicado à imprensa.

“Além disso, os investimentos mais pesados da divisão comercial, que possui forte concorrência com a Airbus, ficarão a cargo da Boeing”, acrescentou o órgão incumbido pela defesa da competição no Brasil.

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A aprovação ocorreu em um momento em que a Boeing tenta retomar os voos de seu avião mais vendido, o 737 MAX, interrompidos desde ano passado após duas quedas que mataram centenas de pessoas. Na semana passada, analistas de Wall Street calcularam em US$ 25 bilhões o impacto da interrupção dos voos 737 MAX.

Nesta segunda-feira, a “CNBC” publicou que a Boeing assegurou mais de US$ 12 bilhões em financiamento junto a mais de uma dezena de bancos.

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