Por que São Paulo está pronta para inovar nos negócios

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São Paulo concentra mais de 60% dos investimentos nacionais em startups

Resumo da matéria

  • A cidade de São Paulo é referência quando se trata de inovação na América Latina;
  • A capital paulista concentra mais de 60% dos investimentos nacionais em startups, além de dois mil empreendimentos de tecnologia;
  • Além de ser sede de gigantes transnacionais, São Paulo é lar de inúmeras startups unicórnios, incluindo o aplicativo de mobilidade 99, a fintech Nubank e a imobiliária Quinto Andar.

A maior cidade da América do Sul tem um ecossistema de inovação que evolui rapidamente. As oportunidades em São Paulo crescem para investidores que conseguem navegar pelas complexidades da megalópole e usá-las para criar ou desenvolver ofertas. Com uma população de quase 15 milhões de pessoas, metade dos bilionários brasileiros e um fatia de 18% do PIB do país, a capital paulista costuma ser referida como a potência de inovação do Brasil. A cidade concentra mais de 60% dos investimentos nacionais em startups, além de dois mil empreendimentos de tecnologia.

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“Quando você pensa no ecossistema de inovação da América Latina, São Paulo é o primeiro nome que vem à mente. A maior parcela de capital investido no Brasil está na cidade, e isso também é verdade quando ela é comparada a outras da região”, diz Michel Porcino, gerente na agência SP Negócios.

São Paulo é um centro de tomada de decisões, a base latino-americana de 65% das empresas da Fortune 500 — lista anual da revista “Fortune” com as 500 maiores corporações norte-americanas — e de gigantes da tecnologia como Spotify, Airbnb, Google, Netflix e Amazon. A cidade também é lar de inúmeras startups unicórnio, incluindo o aplicativo de mobilidade 99, a fintech Nubank e a imobiliária Quinto Andar.

Uma escolha objetiva

A megalópole brasileira tem grandes problemas urbanos e, portanto, um leque enorme de oportunidades a serem exploradas por empresas, segundo Porcino. “As possibilidades em São Paulo estão diretamente relacionadas a seus problemas urbanos, principalmente na áreas de mobilidade e saúde”, afirma o gerente da SP Negócios.

Michel Porcino menciona, como exemplo, o Dr.Consulta, rede de clínicas de baixo custo com sede em São Paulo. “Uma companhia criada para facilitar o acesso ao atendimento médico é a ilustração clara de um negócio que atende às complexidades de um grande centro urbano”, diz. “Se você quer crescer significativamente como empresa, não adianta elaborar uma ferramenta que solucione o problema de uma cidade pequena e não possa ser aplicada em um centro urbano maior. Mas, se criar algo como uma solução para a mobilidade paulistana, conseguirá replicá-la em outra cidade.”

Para Porcino, abrir lojas na capital paulista é uma etapa óbvia para empresas que querem se expandir pela região e pelo país. “Se você está se instalando em uma pequena cidade brasileira, vai enfrentar desafios sem um negócio B2C (o comércio efetuado entre empresa e consumidor final, business to consumer). Até mesmo para essas empresas, faz mais sentido vir para São Paulo, porque temos milhões de clientes em potencial”, observa.

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A capital paulista é uma plataforma de tendências. “Outras capitais podem ser mais conservadoras e menos abertas a soluções disruptivas, como as do Sul. Em São Paulo, há espaço para o que é único”, comenta Porcino, citando as empresas de mobilidades Yellow e Grin, que tiveram um crescimento exponencial em meses. “Não é fácil iniciar um negócio como a Uber em Cuiabá, por exemplo. Mas, se você começar em São Paulo, provar que funciona e o tornar conhecido, há chance de ter sucesso em outros lugares”, pontua. “Isso não significa que boas ideias não possam surgir em outro local. Mas empresas de todos os cantos do Brasil costumam usar a densidade de São Paulo para crescer, mantendo parte de suas operações em cidades nativas, enquanto parte do negócio fica aqui”, explica.

Nos últimos cinco anos, Porcino testemunhou a evolução do ecossistema de inovação em São Paulo, que pode ser evidenciada pela proliferação de aceleradoras de empresas. De acordo com o gerente da SP Negócios, havia apenas um punhado delas em 2014, e hoje há mais de 50, a maioria apoiada por grandes companhias.

Inovar é preciso

Organizações com sede em São Paulo estão cientes da necessidade de inovação, uma discussão comum entre executivos C-level de todos os setores. Porcino tem contato com empresas tradicionais como a Sabesp, que se prepara para se aproximar de startups. Segundo ele, há centenas de corporações locais em na busca de inovação.

“Cerca de 90% dos modelos das principais aceleradoras de São Paulo têm uma grande corporação por trás, como no Vale do Silício. Também vemos o surgimento de venture builders (organizações que constroem startups com recursos próprios) em toda a cidade, algo que crescerá nos próximos meses”, diz Porcino. “Muitos fundos globais têm escritórios aqui, então temos empresas investindo, acelerando e comprando. Esse nível de maturidade só pode ser encontrado em São Paulo, quando olhamos o cenário brasileiro.”

Porcino também ressalta que a conjuntura de startups de São Paulo está se tornando mais especializada, com “mini-hubs” espalhados pela cidade com foco em áreas específicas, que vão de finanças e seguros até tecnologia de ponta e saúde. Eles contam com infraestrutura como espaços de coworking e associações dedicadas.

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“A mudança de uma abordagem generalista, em que as pessoas testam ideias em várias áreas de nicho, para uma mais especializada é uma evidência de um ecossistema em maturação.”

Desafios versus oportunidades

Por outro lado, São Paulo enfrenta desafios para desenvolver mais seu ecossistema de inovação. Segundo Porcino, apesar da crescente presença de fundos locais e internacionais, que melhoram o fluxo de negócios, uma das principais questões ainda é o fluxo de investimento.

“Na China, país onde há muitos unicórnios, investidores apoiam startups locais. No Brasil, ainda é difícil ver apoiadores institucionais investindo em startups e dedicando 15% de seus recursos à inovação”, afirma. “O fundo de US$ 5 bilhões do SoftBank para investir em empresas de tecnologia na América Latina é uma excelente notícia, mas adoraria ver outros quinze fundos olhando para o Brasil da mesma forma. A presença deles pode transformar efetivamente as empresas nas quais investem e também o ecossistema como um todo.”

Apesar do crescente interesse internacional por São Paulo, como um destino para quem busca inovação na América do Sul, olhar além da capital paulista e do Brasil é outro ponto a ser melhorado no ecossistema. “Para ter sucesso, uma startup precisa se tornar rentável e se conectar com mercados externos, para que possa desenvolver sua própria oferta e ser adquirida por um concorrente internacional. Ou seja, ter equipes globais é uma obrigação, mas também um desafio”, ressalta Porcino.

“Como nossa língua oficial não é o espanhol, o Brasil acaba virando as costas à América Latina. Então, o dilema dos empresários paulistanos é: se o seu negócio crescer, sua empresa se expande para o Rio de Janeiro ou para Lima, no Peru?”

Porcino observa que, ao contrário de nós, muitas empresas inovadoras com as quais ele tem interagido em países como a Itália ou a Espanha estão voltadas para a expansão internacional desde o primeiro dia. “Uma dúvida frequente de startups é se devem ter uma estratégia internacional como meta inicial. Embora seja mais fácil e seguro se expandir internamente, há um mercado global inteiro em que as empresas deixam de entrar”, diz. “Há um meio termo quando se trata de internacionalização que a maioria das startups locais não adota. Quem tem o capital ou a mentalidade adequada vai aproveitar as oportunidades.”

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