Conheça a história da primeira milionária self-made dos EUA, pioneira em estratégia de vendas usada até hoje

Reprodução Freemaninstitute
Annie Malone foi uma empreendedora revolucionária, filantropa e a primeira milionária nos EUA em 1924, com patrimônio líquido de US$ 14 milhões

Resumo:

  • Mulher negra nascida em 1869, Annie Malone construiu um império na durante o período do segregacionismo norte-americano;
  • Empresária é lembrada em sua cidade pelas contribuições filantrópicas para o desenvolvimento e educação;
  • Ela desenvolveu um produto e escova próprios para cabelos crespos;
  • Sistema de vendas criado pela milionária é usado até hoje por grandes empresas de cosméticos como Avon e Mary Kay.

Annie Malone foi uma lenda do seu tempo. Ela foi uma empreendedora revolucionária, filantropa e a primeira milionária nos EUA em 1924, com patrimônio líquido de US$ 14 milhões. Annie construiu um império de 75 mil agentes de vendas em todo o mundo e 32 escolas de beleza em todo o país. O mais impressionante é que ela fez isso durante um período em que as mulheres acabavam de conquistar o direito ao voto, e as afro-americanas não tinham sequer permissão para entrar no principal centro de distribuição. Como visionária, a empresária inovou em produtos e construiu um império baseado em um sistema de distribuição e vendas de última geração, que mais tarde inspiraria empresas de sucesso como Mary Kay e Avon.

Annie nasceu em 1869 em Metropolis, no estado de Illinois, e foi uma órfã criada por sua irmã, cujos cabelos a jovem gostava de pentear e brincar. Ao crescer, ela não conseguiu terminar o ensino médio por conta de frequentes problemas de saúde. Apesar disso, Annie foi capaz de seguir em frente, transformar sua paixão por cabelos e criar uma das empresas mais bem-sucedidas ao constatar uma oportunidade de mercado: itens de tratamento capilar para mulheres afro-americanas, que na época não tinham um produto no mercado que alisasse os cabelos sem danos. Com a necessidade identificada, Annie desenvolveu uma fórmula e uma escova, os quais ela patenteou para evitar imitações. Ela não apenas moldou a indústria de cabelos para mulheres afro-americanas, mas também revolucionou a estratégia de vendas e distribuição.

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Na época, como afro-americana, ela não tinha autorização para trabalhar com o sistema de distribuição tradicional, mas Annie teve uma ideia diferente de distribuir para os produtos que levariam seus negócios ao sucesso. Ela e seus colaboradores venderam o item de porta a porta, visitando frequentemente igrejas e centros comunitários para estabelecer sua marca e fornecer instruções gratuitas sobre como usar seus produtos. O sucesso reside não apenas em ir até cada um dos clientes, mas na apresentação e explicação dos produtos.

O sucesso da empresa levou Annie a criar sua própria escola de beleza, a Poro College, que é um pequena mostra da África Ocidental voltada para crescimento terreno e espiritual. A universidade que chegou a ocupar um quarteirão inteiro em St. Louis, era um local que educava as jovens e oferecia a elas uma chance de independência financeira, durante um período em que poucas oportunidades estavam disponíveis para as mulheres, e especialmente as afro-americanas que enfrentavam questões de segregação.

Embora Annie tenha tido grande sucesso em seus negócios, um documentário sobre sua missão enfatizou que a empresária queria garantir que sua comunidade crescesse junto com ela. Inerente a quem foi, o desejo de Annie não era apenas se aprimorar, mas crescer e garantir o desenvolvimento de outras pessoas. Uma força para sua comunidade, na época, Annie garantiu que as estradas de seu bairro fossem pavimentadas e durante um tornado transformou a Poro College em um centro de resgate e abrigo para pessoas. Poro não era apenas sua sede, mas também o centro para a reuniões comunitárias, com instalações como sala de jantar, capela, teatro, jardim no terraço e academia e abrigava salas de aula, laboratórios e o centro de negócios, onde toda a equipe de vendas era treinada.

Apesar de seu imenso sucesso financeiro, Annie viveu uma vida simples e doou sua riqueza para terceiros. A empresária construiu um orfanato, a St. Louis Colored YWCA, e trabalhou em seu conselho de administração e diretoria. Ela patrocinou o ingresso de dois estudantes afro-americanos em todas as faculdades afros do país. Annie também doou dinheiro para a criação de uma maternidade para o hospital Barnes, que na época era segregado e não tinha dinheiro para funcionários e pacientes negros. Ela fez a doação mais generosa à Howard University, na época a maior já feita por uma pessoa negra, que viabilizou a construção da escola de medicina.

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Seu império terminou em declínio, mas o legado de Annie vive e inspira outras pessoas a sonharem grande e, o que é mais importante, retribuir. Ela é lembrada em St. Louis por todas as suas contribuições para a cidade e, mais importante, serve como um modelo para aspirantes a empreendedores retribuírem e compartilharem com suas comunidades a riqueza construída pelo desenvolvimento e bem da humanidade.

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