Fundador do SoftBank está inconformado com resultados de seu fundo

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O bilionário Masayoshi Son, do SoftBank

Masayoshi Son, CEO e fundador do SoftBank, disse recentemente estar “envergonhado” com seu histórico de investimentos depois de grandes apostas em empresas deficitárias, como Uber e principalmente WeWork.

Ele imprimiu um tom conciliatório à entrevista que concedeu à revista japonesa “Nikkei Business”: “Estou envergonhado e impaciente. Afinal, apesar de observar o crescimento das empresas nos Estados Unidos e na China, há uma forte sensação de que isso não é suficiente”.

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A reputação do bilionário japonês como investidor em tecnologia foi prejudicada pelo recente desempenho insatisfatório dos principais investimentos do fundo Vision do SoftBank, de US$ 100 bilhões. O SoftBank e outros investidores pressionaram pela saída do cofundador da WeWork, Adam Neumann, depois que os planos da oferta pública inicial naufragaram com a queda da avaliação da empresa de espaços de coworking em relação ao pico de US$ 47 bilhões, ocorrido em janeiro.

As ações do SoftBank caíram mais de 30% desde abril, com o mau desempenho de outros investimentos importantes do Vision, como o Uber. O valor das ações desta última empresa caiu abaixo do preço do IPO, devido ao acúmulo de prejuízos. “Empresas como WeWork e Uber são criticadas por estarem no vermelho, mas em dez anos estarão obtendo lucros substanciais”, disse Son, segundo a Reuters. [Logo depois, no entanto, as notícias sobre a saúde financeira da WeWork tornaram-se ainda mais dramáticas.]

Son também fez um alerta aos fundadores: “Recentemente, venho dizendo aos fundadores para saberem seu limite. (…) Conhecer suas limitações ajudará a abrir possibilidades ilimitadas”.

As dificuldades dos investimentos de destaque do SoftBank ocorreram no momento em que Son levantava recursos para um segundo fundo Vision, anunciado em julho.

JAPÃO

Masayoshi descreve a situação econômica atual do Japão como “péssima”, acrescentando que “o espírito empreendedor minguou consideravelmente desde a época anterior à guerra e o final do período Edo”. Ele acrescenta: “Antes, eu achava que o tamanho do mercado dos EUA e da China era invejável, mas há muitas empresas que são incríveis e estão crescendo rapidamente em países com mercados pequenos, como os do Sudeste Asiático. Não é que os empresários japoneses, inclusive eu, estejam dando desculpas…” Mas, alertando que o Japão se tornará “um país insular, totalmente esquecido”, ele adverte que, comparado à China, “o Japão perdeu sua competitividade”.

O empresário tem um patrimônio líquido calculado em US$ 18,9 bilhões e administra também uma empresa de investimentos e telecomunicações móveis com faturamento de US$ 81 bilhões em 2017. O SoftBank investiu US$ 35 bilhões em cem transações em 2017 – entre elas os investimentos no Uber e principalmente na problemática WeWork.

Reportagem publicada na edição 72, lançada em outubro de 2019

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