O Ibovespa recuou 0,91%, a 185.500,88 pontos, após marcar 183.813,36 pontos na mínima e 187.320,96 pontos na máxima, pressionado particularmente pelo declínio da blue chip Vale, em meio ao recuo dos futuros do minério de ferro na China. O volume financeiro no pregão somou R$ 24,4 bilhões.
Novas pesquisas eleitorais também ocuparam as atenções na bolsa paulista, enquanto investidores seguem atentos a potenciais reflexos da crise no STF e das investigações sobre o Banco Master na corrida presidencial. A primeira sessão da semana ainda teve como pano de fundo alertas sobre os riscos envolvendo IA e novo avanço dos preços do petróleo no mercado internacional.
Pesquisa BTG/Nexusdivulgada antes da abertura nesta segunda-feira mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) soma agora 42% das intenções de voto no primeiro turno, ante 39% na pesquisa da semana passada, ao passo que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 37%, ante 35% no levantamento anterior.
O cenário de segundo turno continuou mostrando empate técnico, mas com Lula voltando a liderar com 47%, ante 45% na pesquisa anterior, enquanto Flávio se manteve com 46% das intenções de voto.
Também nesta manhãapesquisaQuaestdivulgada pelo jornal O Globo mostrou Flávio com 42%, enquanto Lula soma 40% em um eventual segundo turno. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Ambospermanecem em empate técnico.
O Nexus ouviu 2.003 pessoas entre os dias 11 e 13 de setembro e a Quaest ouviu também 2.003 pessoas, mas entre os dias 10 e 13 de setembro.
Na visão de estrategistas do JPMorgan, a eleição presidencial brasileira de 2026 é o principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano.
“As pesquisas eleitorais vêm mostrando uma disputa mais apertada e agora estão dentro da margem de erro, tornando o resultado altamente incerto e reforçando a perspectiva de volatilidade elevada nos mercados no período em torno da eleição.”
Investidores também continuam monitorando os potenciais desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal e da retirada de sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, em particular as informações relacionadas ao filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino, do STF,retirouno domingo o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse” e determinou que a Polícia Civil de São Paulo encaminhe à Polícia Federal o material coletado nas investigações sobre o caso.
Na terça-feira, as atenções estarão voltadas para a análise pelo STF do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, com o Master. O julgamento da petição sobre Moraes refere-se a relatório da PF que implica Moraes e outras autoridades em uma série de condutas com o banqueiro Daniel Vorcaro e pessoas próximas a ele.
No exterior, os mercados abriram pressionados por declarações do presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, que defendeuno sábado que empresas de IA diminuam o ritmo de avanço das capacidades dos modelos por receio de uso indevido da inteligência artificial, o que foi endossado por Elon Musk, que dirige a xAI, e pelo CEO da OpenAI, Sam Altman.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira que os EUA já contam com medidas de segurança para regulamentar e processar judicialmente empresas de IA, parecendo minimizar as preocupações manifestadas por líderes do setor no fim de semana sobre o uso indevido da inteligência artificial. Em Nova York, o S&P 500 fechou com declínio de 0,48%.
Em paralelo, o barril depetróleo sob o contrato Brent encerrou com elevação de 1,02%, a US$105,68, após novos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. A cotação chegou a avançar quase 5%, mas arrefeceu depois que Trump afirmou que o Irã desejava chegar a um acordo com Washington.
Destaques
• VALE ON caiu 3,48%, em meio à queda dos futuros do minério de ferro na China. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA recuou 4,74%, CSN ON perdeu 4,65% e GERDAU PN cedeu 3,98%.
• PETROBRAS PN recuou 0,16%, conforme os preços do petróleo afastaram-se das máximas no exterior. A queda, a segunda consecutiva, vem após o papel renovar máximas na semana passada.
• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,89%, contaminado pelo viés mais vendedor no pregão como um todo. BRADESCO PN perdeu 1,4%, BANCO DO BRASIL ON recuou 1,65% e SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 0,82%.
• MRV&CO ON perdeu 3,31%, em dia negativo para construtoras, tendo como pano de fundo também o avanço nas taxas longas dos contratos de DI. O índice imobiliário na B3 recuou 1,73%.
• TOTVS ON fechou em alta de 4,34%. Analistas do UBS BB destacaram que outubro pode marcar o ponto de inflexão da estratégia de monetização de IA da companhia.
• HYPERA ON subiu 3,38%, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Itaú BBA reiterando recomendação “outperform” e elevando preço-alvo da ação de R$32 para R$33.
• AMBEV ON avançou 1,6%, revertendo as perdas da abertura, quando chegou a cair 1,6%, e fornecendo um contrapeso positivo relevante.
Dólar sobe com conflito no Oriente Médio e crise no STF
O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, influenciado tanto pelo avanço da moeda norte-americana no exterior quanto pelo cenário político conturbado no Brasil, em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e a novas pesquisas eleitorais.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,49%, a R$5,1490. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 6,19%.
Às 17h02, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,38% na B3, aos R$5,1680.
A segunda-feira começou com o dólar em alta ante boa parte das demais divisas no exterior, novamente impulsionado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, que alimentava a busca por ativos mais seguros. Preocupações em torno de possíveis riscos da IA também traziam cautela para os negócios.
No Brasil, a busca pelo dólar era reforçada pelo cenário político, após as pesquisas eleitorais mais recentes mostrarem uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pelo Planalto.
“O dólar foi para acima de R$5,18 na máxima de mais cedo, espelhando a cautela externa com o petróleo subindo mais de 3%”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, acrescentando que a disputa política também deu suporte às cotações.
“O mercado segue apostando contra o Lula. Então o front externo foi empurrando (o dólar), mas o doméstico também.”
Às 10h54, o dólar à vista marcou a cotação máxima intradia de R$5,1830 (+1,13%).
A crise no STF também trazia cautela para os negócios. No fim de semana o presidente da corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário do STF na terça-feira.
Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master para o dia 23.
Durante a tarde o dólar apagou parte dos ganhos ante o real, mas ainda assim se manteve no território positivo. Às 13h55 a moeda à vista marcou a mínima de R$5,1414 (+0,32%), para depois fechar pouco abaixo dos R$5,15.
No exterior, às 17h05 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,41%, a 99,508.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.