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Ibovespa Cai 0,94% com Petróleo Acima de US$ 100; Dólar Sobe 0,44%

Índice recua com aversão a risco após Brent superar US$ 100, enquanto dólar avança a R$ 5,11 em meio à tensão no Oriente Médio e ao cenário eleitoral

7 min

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, contaminado pelo viés mais negativo no exterior, com o barril do petróleo superando os US$ 100. O índice recuou 0,94%, a 185.608,96 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 187.362,44 na máxima e 184.810,27 na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$ 24,1 bilhões antes dos ajustes finais.

Em meio a uma nova escalada nos conflitos no Oriente Médio, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançou para US$101,21 (+3,36%), adicionando preocupações com a oferta da commodity e seus impactos na inflação global. 

Na visão do especialista em investimentos Augusto Parente, fundador da AW Capital, o movimento do petróleo eleva expectativas de inflação mais alta ao redor do mundo, impactando diretamente a chance de o Federal Reserve subir os juros neste mês.

Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,48%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,8406% no final do dia, de 4,804% na véspera.

A apreensão com os reflexos do avanço do petróleo minou o apetite a risco na sessão, o que corroborou ajustes na bolsa paulista, após desempenho mais robusto na véspera, quando o Ibovespa marcou uma máxima intradia desde o final de abril.

Dados da B3 disponibilizados nesta quarta-feira mostraram que o fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras segue positivo, com uma entrada líquida de R$5,3 bilhões em setembro até o dia 4.

Brasília também continua ocupando as atenções, com investidores ainda buscando avaliar os efeitos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) na corrida presidencial.

Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou areintegraçãode Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo.

No final da tarde, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou as decisões de Mendonça e Dino sobre o diretor-geral da PF.

Destaques

• ITAÚ UNIBANCO PN recuou 1,98%, em pregão de ajustes após sete altas seguidas, com o setor como um todo no Ibovespa com sinal negativo. BRADESCO PN caiu 2,36%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,86%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 1,41% e BTG PACTUAL UNIT fechou negociado com declínio de 2,43%. Investidores também estão atentos a possíveis medidas do Banco Central para lidar com o endividamento da população.

• PETROBRAS PN subiu 0,69% e PETROBRAS ON avançou 0,85%, apoiadasmais uma vez pelo movimento dos preços do petróleo no mercado internacional. O governo brasileiro também publicou nesta quarta-feira medida provisória que destina R$6,6 bilhões parasubvenções de produção e importação de combustíveis, bem comodecreto reduzindo temporariamente em R$0,63 as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o litro de gasolina e zerando as contribuições sobre o etanol hidratado.

• VALE ON fechou com acréscimo de 0,1%, em sessão marcada pela fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com queda de 0,27%. No setor de mineração e siderurgia, CSN ON avançou 7,4%, tendo ainda de pano de fundo relatório de analistas do BTG Pactual iniciando uma recomendação tática de compra para os papéis.

• TENDA ON caiu 6,03%, em pregão negativo para construtoras na bolsa paulista, com DIRECIONAL ON também na ponta negativa, com recuo de 4,37%. O índice do setor imobiliário fechou em queda de 2,56%, tendo no radar a alta das taxas doscontratos de DI. A Tenda também informou na véspera que Marcos Cruz assumiua posição de presidente-executivo da companhia, em sucessão a Rodrigo Osmo.

• YDUQS ON avançou 2,51%, referendada por relatório de analistas do JPMorgan reiterando recomendação “overweight” para os papéis, bem como o preço-alvo de R$17 e a preferência pelas ações em relação aos papéis da Cogna, citando uma perspectiva melhor para o segundo semestre. COGNA ON, que também tem recomendação “overweight” do JPMorgan, recuou 3,27%.

O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em uma sessão marcada pelo acirramento da guerra no Oriente Médio, enquanto no Brasil os investidores estiveram atentos aos desdobramentos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF). O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,44%, a R$ 5,1114. No ano, a divisa passou a acumular queda de 6,88%. Às 17h09, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,43% na B3, aos R$5,1350.

Dólar sobre com cenário eleitoral

O dólar havia cedido ante o real em cinco das seis sessões anteriores, influenciado pelo avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas eleitorais mais recentes, ainda que ele permaneça em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.

Por trás do movimento está a percepção de parte do mercado de que a saída de Lula da Presidência seria um fator favorável ao ajuste fiscal. Nesta quarta-feira, no entanto, o dia foi de certa recomposição de posições em dólar após os recuos mais recentes.

Pela manhã, o ministro do STF Flávio Dino determinou a reintegração de Andrei Passos Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, um dia após o colega da corte, André Mendonça, ter ordenado o afastamento dele do cargo. Leandro Almada, diretor de Inteligência da PF afastado por Mendonça, também foi reintegrado.

Mendonça está no centro de uma disputa com o ministro do STF Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito do Banco Master. Moraes, por sua vez, é um dos principais alvos de Flávio na disputa eleitoral com Lula.

No exterior, as atenções se voltaram novamente para o Oriente Médio. O Irã informou nesta quarta-feira ter atacado dez navios no Estreito de Ormuz, depois que os EUA afundaram cinco petroleiros iranianos. Já o presidente norte-americano, Donald Trump, opinou que a guerra com o Irã irá terminar apenas depois das eleições norte-americanas de novembro, já que Teerã estaria tentando influenciar a votação.

Neste cenário, o petróleo Brent superou os US$100 o barril e os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio às preocupações com o efeito inflacionário da guerra.

Nos mercados de moedas, o dólar ganhou força ante o real e outras divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso chileno.

“Novos ataques no Golfo Pérsico levam o petróleo para cima com força, reacendendo o temor de pressão inflacionária global às vésperas de decisões de política monetária na zona do euro, no Japão e nos EUA”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito.

“Parte do movimento (do dólar) também reflete um ajuste técnico depois da forte queda recente da moeda americana por aqui. A proximidade das eleições no Brasil segue no radar dos investidores como fonte de incerteza, o que ajuda a conter um avanço ainda maior do dólar”, acrescentou.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro. À tarde, o BC informou que o Brasil teve fluxo cambial total negativo de US$6,693 bilhões em setembro até o dia 4.

Às 17h16, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,05%, a 98,829.

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