Futuro do trabalho: CEO da Randstad aponta o que será relevante na gestão de pessoas

Líder de consultoria global de RH se baseia em pesquisas feitas com milhares de profissionais para prever as tendências do mundo corporativo.

Fabiana Corrêa
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Jesús Echevarría, CEO da consultoria global Ranstad, que produz pesquisas globais sobre o futuro da gestão de pessoas

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Flexibilidade vai fazer parte do mundo corporativo de diversas maneiras daqui em diante. Seja na adoção do trabalho híbrido ou do anywhere office, seja na flexibilização do perfil profissional – já que as companhias estão preferindo investir na qualificação de funcionários para preencher vagas em tecnologia -, ou ainda na maneira de contratar pessoas. “As empresas vêm estruturando seus pools de talentos misturando trabalhadores temporários e permanentes para atender à demanda crescente em diversas áreas”, diz Jesús Echevarría, CEO da consultoria global de RH Randstad para Espanha, Portugal e América Latina.

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A empresa, que está em 38 países e tem 38 mil funcionários, produz relatórios de tendências com milhares de trabalhadores do mundo todo que servem como base para lideranças e gestores de recursos humanos. Aqui, Echevarría fala sobre algumas dessas tendências que irão desenhar o futuro do mundo corporativo no Brasil e no mundo.

As mudanças que irão ficar depois da pandemia

“Já havia uma tendência de flexibilização com as pessoas trabalhando a partir de casa antes. Não era algo só da América Latina ou da Europa e nem dos Estados Unidos… O que aconteceu é que essa tendência se acelerou muito. O tempo que as pessoas passam em casa praticamente dobrou em relação ao que era antes da pandemia e isso vai continuar.”

Produtividade alcançou outro nível

“As pessoas responderam muito bem ao trabalho a partir de casa e isso abre muitas possibilidades para o futuro. Podemos contratar pessoas que estejam em qualquer cidade e em qualquer mercado. Essa pode ser uma das saídas para falta de profissionais em TI, por exemplo.”

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Déficit de profissionais de TI e saúde

A cada ano, 100 mil vagas não são preenchidas nesse mercado de TI. No Brasil, todos os anos, as empresas abrem 150 mil novos cargos nesta área, mas apenas 50 mil pessoas têm o perfil para a vaga. E esse não é o único mercado onde há escassez. No setor de saúde há uma situação semelhante de falta de profissionais. Enfermeiros e técnicos, seja na Europa ou na América Latina, também estão em falta.”

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Brasileiros são os que mais valorizam treinamento

“Em diversas pesquisas, os profissionais brasileiros mostraram que valorizam o treinamento como uma das coisas mais importantes para ficar em uma empresa. E parece que essa é uma característica mais forte aqui do resto do mundo. Estamos trabalhando esse ponto com nossos clientes pois é o que os funcionários esperam. No mundo, 75% dos líderes entrevistados dizem que a capacitação é a saída para combater a escassez de profissionais qualificados. No Brasil, esse número sobe para 100%. No entanto, apenas 29% dos respondentes como um todo estão investindo no desenvolvimento profissional de seus colaboradores.”

Educação digital fará parte do novo normal

“As habilidades de digitalização e as habilidades para usar ferramentas tecnológicas têm se mostrado cada vez mais necessárias. Ficou claro que a solução não deve ser pela demissão, mas pelo investimento em formação. Acredito que os líderes de organizações, empresários, pessoas do setor público têm a responsabilidade de incentivar o desenvolvimento profissional nesse momento.”

Vagas temporárias podem solucionar falta de gente

“As empresas vêm mudando as formas de contratar para lidar com a escassez de talentos. Registramos que 71% dos entrevistados no mundo planejam mudar algumas funções permanentes para temporárias [um aumento de 15% se comparada com 2021, que já havia sido recorde]. As empresas vêm estruturando seus pools de talentos com trabalhadores temporários e permanentes para atender suas demandas de maneira mais rápida.”

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