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“O Nível de Futebol no Brasil É Superior”, Diz Gerard Piqué

Em entrevista à Forbes, ex-jogador espanhol fala sobre carreira como empresário e sucesso da Kings League no Brasil

5 min

Gerard Piqué pendurou as chuteiras no fim de 2022, aos 35 anos, após 18 anos nos gramados. Poucos meses depois, o espanhol deu um novo passo na carreira de empresário. Em busca de criar as próprias regras do jogo, fundou a Kings League, uma liga de futebol de sete com regras próprias.

“No futebol tradicional, o público não é ouvido. Tudo se resume à FIFA, à UEFA e leva muito tempo para mudar as regras”, diz Piqué em entrevista à Forbes, durante sua passagem pelo Brasil para uma coletiva de imprensa na terça-feira (29). “Aqui, nós temos a flexibilidade de mudar as regras de um dia para o outro.”

A Kings League combina esporte e entretenimento, com regras que podem mudar a qualquer momento. A dinâmica do jogo envolve as “cartas de vantagem” que são acionadas pelas equipes durante a partida, garantindo benefícios como gols valendo o dobro, suspensão temporária de um adversário ou pênaltis cobrados pelos próprios presidentes dos times.

A grande sacada de Piqué está em dar o poder para a audiência: é o próprio público quem vota online para definir quais vantagens estarão disponíveis a cada jogo. “No fim das contas, são eles que estão consumindo o nosso produto. Por isso, é importante saber a opinião deles e ver o que gostam e o que querem”, diz o ex-jogador.

A jogada deu certo. Só entre 2025 e 2026, os campeonatos tiveram mais de 100 milhões de espectadores, 140 milhões de visualizações e 1,1 bilhão de impressões nas redes sociais. O sucesso é impulsionado pelo público jovem: 85% da audiência tem menos de 35 anos.

No Brasil desde março de 2025, a Kings League também vem ganhando espaço, com mais de um milhão de pessoas assistindo simultaneamente, segundo Anadege Freitas, diretora geral da Kings League no país. “Tivemos um salto de engajamento nas redes sociais, o que é muito expressivo dado o tamanho do mercado.”

A visibilidade atraiu a CazéTV como parceira de distribuição no país, além de patrocinadores como Visa e iFood. No início deste ano, a liga recebeu um investimento de US$ 63 milhões (R$ 330 milhões) da Alignment Growth, empresa de investimentos americana.

Brasil protagonista

A tradição do Brasil no futebol não é surpresa para Piqué, que acompanha o crescimento da Kings League no país. Os brasileiros conquistaram o bicampeonato mundial ao vencer as duas primeiras edições da Kings World Cup Nations. A final da segunda edição foi realizada no Nubank Parque (antigo Allianz Parque), em São Paulo, com ingressos esgotados e mais de 41 mil torcedores nas arquibancadas.

“O nível de futebol que há no Brasil – espero que os outros não escutem – é superior”, brinca. “Neste momento, considero o Brasil a principal liga. A paixão com a qual o atleta e o público vivem o futebol brasileiro é diferente do resto. Desde o início, quando chegamos aqui, eles foram muito engajados com tudo o que fizemos.”

Além do Brasil, a competição possui ligas oficiais e torneios ativos na Espanha, México, Itália, França, Alemanha, Oriente Médio, Estados Unidos e Japão.

Faro para os negócios

Desde 2009, quando decidiu criar a Kerad Holding, focada na gestão e compra de ativos imobiliários, Piqué pegou gosto pelos investimentos. Mas a rotina fora de campo mudou desde que seu foco deixou de ser o gramado. “Competir no futebol são 90 minutos diante de 90 mil pessoas. Administrar um negócio está mais no dia a dia, ir para o escritório e trabalhar muito duro como equipe”, afirma. “Em termos de adrenalina e sentimento, é muito diferente.”

Hoje, além do trabalho na Kings League, Piqué divide a agenda de empresário com outras iniciativas: atua como acionista de uma franquia de xadrez global, a Fyers American Gambits; é fundador da empresa de esportes e mídia Kosmos Holding; é criador da KOI, organização de eSports em parceria com o streamer Ibai Llanos; e é dono do FC Andorra, comprado pela sua holding em 2018.

A escolha dos investimentos e a receita para ser bem-sucedido, segundo ele, parte dos próprios interesses. “Normalmente tento entender um pouco o negócio e, em seguida, também preciso gostar da área. Se você não entende e não gosta do negócio, não faz sentido investir nisso”, diz. “O xadrez, por exemplo, é um esporte do qual gosto muito e é por isso que investi nele. Mas meus investimentos são principalmente em esportes e entretenimento. E gosto muito de investir.”

O próximo gol de Piqué

Agora, os olhos do empresário estão voltados para o futebol feminino no Brasil, com a aproximação da Copa do Mundo em 2027. Até lá, Piqué quer trazer para o país a Queens League, modalidade feminina da liga que já existe na Espanha e no México. “É um ótimo país para sediar a competição, e será o momento certo para chegarmos em algum ponto até a Copa Feminina”, afirma. “Estamos trabalhando muito com os presidentes, com as equipes e com todos os envolvidos para ver qual será o melhor momento e como faremos isso.”

Enquanto os planos não saem do papel, o empresário segue acompanhando os próximos campeonatos deste ano. “A intenção é terminar 2026 com as copas locais para, em 2027, expandir para quase todos os países onde estamos.”

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