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CEOs Cobram Adoção da IA, Mas Não Lideram pelo Exemplo

Executivos usam a tecnologia 1,5 hora por semana, em média, e só 25% dos funcionários a utilizam regularmente, segundo a IBM

6 min

A distância entre o CEO que apenas fala sobre inteligência artificial e aquele que de fato usa a tecnologia toda semana virou pauta em encontros sobre IA no Vale do Silício.

Segundo um estudo da IBM divulgado este ano, que ouviu mais de 2 mil CEOs, essa lacuna está freando a adoção da IA. Os CEOs estimam que apenas 25% de sua força de trabalho usa inteligência artificial regularmente no trabalho, embora 86% acreditem que seus funcionários tenham as habilidades necessárias para trabalhar com a tecnologia.

Esse tema surgiu no Executive AI Dinner, da consultoria global HTEC, no evento Innovation in Action, no Dreamforce, no AI Infra Summit, em sessões de conselhos da Universidade Stanford e durante a GetOnBoard Week, todos nos Estados Unidos.

CEOs precisam liderar a adoção da IA

Pesquisas também colocam luz sobre essa questão. O estudo Firm Data on AI, da organização americana NBER (National Bureau of Economic Research), ouviu quase 6 mil executivos e descobriu que mais de dois terços usam IA regularmente, mas por uma média de apenas 1,5 hora por semana.

O AI Radar 2026, do BCG, mostrou que os CEOs que lideram transformações com IA passam mais de oito horas por semana desenvolvendo suas próprias habilidades.

Ilana Golan, fundadora e CEO da Leap Academy, empresa especializada em reinvenção profissional, resumiu a questão: “Um CEO não pode delegar adaptabilidade. Se a pessoa no topo não está aprendendo a usar as ferramentas que estão diante da equipe, todos abaixo dela interpretam isso como uma autorização para esperar”.

A pesquisa da HTEC com mais de 1.500 executivos aponta na mesma direção. O levantamento mostrou que 77% concordam que “o valor da IA é mais limitado por pessoas e processos do que pela tecnologia”.

Segundo Lawrence Whittle, Chief Strategy Officer da empresa, “além de ampliar o uso de IA, o CEO precisa investir mais em comunicação, capacitação e construção de confiança em toda a empresa.”

Hoje, 72% dos CEOs dizem ser os principais responsáveis pelas decisões relacionadas à IA, o dobro da proporção registrada no ano passado. O BCG coloca apenas cerca de 15% deles em seu grupo de Trailblazers, formado pelos líderes que conduzem transformações por meio de investimentos decisivos e rápida capacitação.

CEOs proíbem ferramentas de IA

O gap na adoção da IA por parte dos CEOs também aparece em outra versão: o executivo que proíbe as ferramentas. Amy Webb, CEO do Future Today Strategy Group, escreveu no LinkedIn sobre um executivo que proibiu a IA generativa em sua empresa e depois descobriu que os funcionários estavam colando dados da companhia em aplicativos de IA nos próprios celulares.

Ela relaciona o episódio ao conceito de “reactance”, termo usado pelo psicólogo Jack Brehm para descrever o desejo de uma liberdade que se torna ainda maior quando ela é retirada. “A restrição raramente é o que causa o dano duradouro… é a reação dos executivos”, escreveu.

O problema do tokenmaxxing

Um executivo de um grupo formado por empresas que foram adquiridas contou que equipes resistentes só passaram a se envolver quando o uso de IA entrou nos indicadores de desempenho e o consumo de tokens começou a ser monitorado.

Token é um pequeno trecho de texto que um modelo lê ou produz e é a unidade usada para medir o uso de IA. Alguns engenheiros, então, gastaram tokens com código malfeito e pouco útil para garantir que seus indicadores fossem atingidos. É o chamado “tokenmaxxing”.

Um novo estudo da All Tech Is Human e do Notre Dame-IBM Technology Ethics Lab, Two Views of the Same Transformation, ouviu a mesma história a partir da perspectiva de quem está abaixo na hierarquia.

Profissionais de nível intermediário disseram que verificar as respostas da IA representa uma parcela crescente e não reconhecida de seu trabalho. Alguns chegaram a chamar essa atividade de “cuidar da IA malfeita”. Relatórios recentes apontam que o fenômeno, apelidado de “AI workslop”, está atrapalhando a produtividade e custando milhões às empresas.

O trabalho de bastidores necessário para fazer uma implementação funcionar não aparece nas avaliações de desempenho, e as mulheres relataram assumir uma parcela maior dessa carga.

Enquanto isso, executivos descreveram a gerência média como uma camada a ser eliminada e, depois, demonstraram preocupação com a “perda generalizada de habilidades”.

A seguir, veja 5 medidas para reduzir o gap e acelerar a adoção da IA

O CEO precisa ser o primeiro a agir e liderar pelo exemplo. Mas o que mais precisa acontecer? A alta liderança, incluindo o CEO, deve:

1. Testar as ferramentas e mostrar como faz isso

Quando você fazia uma conta na escola, não recebia crédito pela resposta se não mostrasse como chegou ao resultado. É a mesma lógica. Comece uma reunião de equipe mostrando algo que você criou. As pessoas reproduzem o comportamento do CEO muito mais rápido do que seguem o que está escrito em um memorando.

2. Medir o tempo gasto na validação da IA

Registre o tempo que as equipes gastam verificando os resultados da IA junto com os ganhos de produtividade. Uma implementação que economiza dez horas, mas acrescenta oito horas de revisão, na prática economizou apenas duas.

3. Incluir o trabalho de bastidores nas avaliações de desempenho

Treinar colegas e transformar a estratégia em fluxos de trabalho para as equipes devem ser metas reconhecidas formalmente, com o devido crédito. E é preciso entender quem está assumindo essas demandas.

4. Criar um dia semanal de demonstrações

Identifique os funcionários que estão obtendo resultados concretos e peça que eles também compartilhem seu trabalho.

5. Identificar os gerentes que exercem papel de mentoria

Liste quem treina os novos funcionários e quem as pessoas procuram quando a IA erra, e dê voz a esses profissionais nas decisões sobre IA. Muitas empresas eliminaram essa camada gerencial e, mais tarde, tiveram de trazê-la de volta às pressas ao perceber o valor que havia sido perdido.

Pergunte ao seu CEO quantas horas por semana ele passa usando IA. Depois, pergunte aos gerentes de nível médio quantas horas eles passam verificando os resultados da tecnologia.

*Sandy Carter é colaboradora da Forbes USA. Ela é CEO da EQUS.ai e ex-executiva da AWS e da IBM. Também integrou o conselho da Altair, empresa de inteligência artificial posteriormente adquirida pela Siemens, e foi membro do Comitê de IA do Fórum Econômico Mundial.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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