Andrea Sambati, um dos destaques da lista Forbes Melhores CEOs de 2026, não tinha nem um ano de empresa quando foi convidada a assumir uma posição global na matriz da Boehringer Ingelheim, na Alemanha. “Foi a decisão que mudou o rumo da minha carreira mais drasticamente”, lembra a executiva, há 17 anos na farmacêutica.
Quase uma década antes, em sua primeira posição na indústria, recebera uma oportunidade de trabalhar nos Estados Unidos. “Fiquei grávida do meu primeiro filho e não pude ir”, conta. Mal sabia que o desejo de uma experiência internacional seria realizado por mais de 15 anos, em três países, antes de retornar ao Brasil, em 2023, para liderar a operação local.
Formada em engenharia de produção, a paulista de São José dos Campos começou a carreira em uma empresa de autopeças. Aos 25 anos, assumiu uma gerência, à frente de 30 funcionários, alguns com 25 anos de empresa. “O desafio ajudou a moldar minha forma de liderar, com colaboração e humildade para aprender.”
Em seguida, depois de passar dois meses na empresa de sua família, ela queria mais. Acabou indo para a indústria farmacêutica, primeiro no laboratório MSD (Merck Sharp & Dohme), depois na Roche. Apaixonou-se pela área: “Você vê o quanto pode transformar a vida de uma pessoa”. Chegou a líder de uma unidade de negócio na oncologia da Roche, e então a Boehringer a convidou para criar a mesma área do zero.
Carreira internacional
Andrea já tinha seus dois filhos quando recebeu o convite para ir à Alemanha. O que deveria durar dois anos se estendeu por seis, período em que trabalhou no lançamento global de um medicamento para fibrose pulmonar. “Fomos dos estudos de fase 2 até ver o produto ser líder de mercado.”
Então veio a oportunidade de assumir uma presidência, na Suécia. “Até então, não pensava nessa possibilidade. Nunca tinha tido uma presidente nas companhias em que trabalhei”, diz. “Achava que fosse incompatível com a maternidade e com o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.”
Lá ela liderou uma operação com 100 funcionários e faturamento de cerca de 100 milhões de euros. “Crescemos cinco vezes mais do que o restante da Europa e cinco vezes mais do que o previsto no segundo ano”, conta. “Isso só foi possível porque eu consegui construir um ambiente muito positivo e me conectar pessoalmente com todo mundo.”
O desempenho a levou ao Canadá, em 2019, destino escolhido porque o filho queria cursar faculdade lá. A operação tinha 600 colaboradores e faturamento cinco vezes maior do que o da Suécia. O grande desafio foi o período da covid-19.
De volta ao Brasil
Quase quatro anos depois, surgiu a oportunidade de voltar para o Brasil. “Metade do meu coração ficou no Canadá porque meus filhos ficaram fazendo faculdade lá.” Assumiu uma operação ainda maior, com 1.600 funcionários e uma fábrica estratégica que exporta para mais de 100 países. “Meu cachorrinho lá na Suécia e no Canadá tomava o NexGard, principal produto de saúde animal global, produzido aqui em Paulínia.”
A empresa não divulga o faturamento local, mas, segundo Andrea, o Brasil está entre os mercados com maior potencial de crescimento da Boehringer em saúde animal e humana. A principal aposta é a survodutida, medicamento em fase 3 para perda de peso que pode ser capaz de reduzir a gordura no fígado. “O Brasil é um dos maiores mercados de GLP-1”, afirma. É um mercado que chegará a R$ 61 bilhões até 2030, segundo estimativa do banco Itaú BBA.
Além dos resultados, Andrea se orgulha de desenvolver pessoas, o que “também impulsiona os resultados”. Só no ano passado 20 brasileiros foram expatriados e quase 100 estão espalhados pelas operações da empresa no mundo. Abrir caminhos para outras pessoas, ela diz, tornou-se uma de suas missões. “Aceitar os desafios sem estar 100% preparado e experimentar novas culturas estica o seu elástico e é o que mais ajuda a crescer.”
*Reportagem publicada na edição 145 da revista Forbes, em setembro de 2026.
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