A guerra quente

Desde que o homem se tornou racional, o desejo de ter coisas diversas e poder delas usufruir marcou o progresso da comunicação e, por consequência, o do comércio.

Mario Garnero
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George Mdivanian/EyeEm/Getty Images
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Ucrânia é vítima de invasão territorial por parte da Rússia

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Barbara Tuchman, a quem volto a citar, entre outros livros históricos sobre conflitos e disputas entre países, ensina-nos que a vaidade humana e o impossível controle dos povos sobre seus dirigentes são a receita fatal das tragédias bélicas anunciadas e vividas. Mas, por outro lado, sábias decisões políticas têm salvado o universo de outras hecatombes anunciadas. Cito como exemplo a desintegração do império soviético, sem um tiro sequer, e sua absorção, como na reunificação da Alemanha: em paz, graças ao trabalho intenso de políticos com a clara visão do mandato que lhes fora outorgado por seus constituintes.

Em seu livro “A World Transformed”, o presidente George Bush narra as negociações que marcaram não apenas a reunificação germânica mas, ainda mais significativa, a queda do muro de Berlim e suas repercussões até a criação da república federativa da Rússia. Gorbachev compreendeu sua inviabilidade
e encaminhou o processo para uma resolução puramente política. Evitou, assim, uma hecatombe nuclear.

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Agora, nossos olhos e sentimentos de apoio e de solidariedade estão voltados para a Ucrânia, vítima de uma invasão territorial injustificada. A repulsa mundial diz bem onde está o mundo. Abraçando o povo ucraniano e lamentando suas perdas, mas se levantando contra o domínio do mais forte.

Embora esta edição esteja voltada ao marketing, hoje visto e reconhecido como um instrumento de progresso e de bem-estar, não poderia deixar em branco esse
nefasto episódio que mancha a história de nossos dias e, permanentemente, a dos seus líderes invasores.

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Desde que o homem se tornou racional, o desejo de ter coisas diversas e poder delas usufruir marcou o progresso da comunicação e, por consequência, o do comércio
como hoje o definimos. A Bíblia já nos narra a história de mercadores desde o início dos tempos, com ênfase naqueles que, mesmo no templo, exerciam seus dotes de
marketing, ou melhor, sua arte e seu engenho para vender.

De Marco Polo e das rotas da seda aos nossos mascates (assim chamados por alusão a Muskat, capital de Omã), vender é sinônimo de criação de riquezas. Sem mencionar os povos fenício e chinês, que avançaram pelo mundo criando as bases do comércio para o qual os dons de vender e apresentar seus produtos foram as bases da ciência hoje denominada marketing. Ainda são memórias frescas os chamados departamentos de vendas. A evolução desse segmento, com a chegada
das novas tecnologias e a ampliação do conceito da propaganda, das relações públicas, do networking e da internet, culminou na criação de áreas fundamentais na vida das empresas modernas. Passou-se a dar ao marketing – ou exposição ao mercado, em bom português – o tratamento de ciência. Cito a Escola Superior de Propaganda e Marketing como um exemplo precursor no Brasil e difusor dessa disciplina, crucial hoje para o progresso empresarial.

Permitam-me encerrar este artigo com uma lição de marketing político que nos é dada pela união universal de apoio à Ucrânia, segregando aqueles que ultrapassam os limites das convenções e não respeitam direitos humanos e territoriais.

Mario Garnero é fundador e presidente honorário do Fórum das Américas, fundador e presidente da Associação das Nações Unidas-Brasil e fundador do Grupo Brasilinvest. Anteriormente, foi presidente do CNI (Confederação Nacional da Indústria) e da ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e diretor da VW do Brasil e da Monteiro Aranha.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

Artigo publicado na edição 95 da revista Forbes, em março de 2022.

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