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Dólar vai a R$ 5,15 e Ibovespa Perde os 170 Mil Pontos: O Que Abalou os Mercados Nesta Sexta

Dólar dispara com mercado projetando juro maior nos EUA; Petróleo cai com expectativa de desescalada na guerra entre EUA e Irã

7 min

O dólar fechou com alta firme no Brasil nesta sexta-feira (05) e novamente acima dos R$5,15, após dados mostrarem geração de empregos acima do esperado em maio nos Estados Unidos, elevando as apostas de alta de juros pelo Federal Reserve ainda este ano.

A moeda norte-americana à vista encerrou com alta de 1,76%, aos R$5,1555, maior cotação desde 2 de abril, quando atingiu R$5,1599 na esteira da guerra no Oriente Médio. Na semana, acumulou alta de 2,18% e, no ano, baixa de 6,08%.

Às 17h06, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,96% na B3, aos R$5,1910.

O Departamento do Trabalho dos EUA informou pela manhã que foram gerados 172 mil postos de trabalho em maio, bem acima dos 85 mil projetados por economistas ouvidos pela Reuters. O dado de abril foi revisado de 115 mil novas vagas para 179 mil.

O resultado deu força à percepção de que o Federal Reserve tende a trabalhar com taxas de juros mais elevadas, ainda mais em um contexto de guerra no Oriente Médio.

Após a divulgação, os futuros dos Fed Funds chegaram a precificar quase 100% de probabilidade de pelo menos uma elevação de juros nos EUA até o fim deste ano, conforme a ferramenta CME FedWatch.

Em reação, os rendimentos dos Treasuries dispararam, os preços das ações despencaram e o dólar ganhou força ante as demais divisas — incluindo o real, que no fim da tarde era a quarta moeda com pior desempenho em todo o mundo, atrás apenas do peso chileno, do sol peruano e do novo shekel israelense.

Em tese, juros maiores nos EUA diminuem o diferencial de taxas a favor do Brasil, tornando o país menos atrativo ao capital externo.

O cenário de guerra no Oriente Médio tampouco trouxe alívio para as moedas como o real.

Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,67%, a 100,100.

Ibovespa

O Ibovespa fechou abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde janeiro, após dados robustos sobre o mercado de trabalho norte-americano elevarem as apostas de uma alta dos juros nos Estados Unidos neste ano.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,77%, a 169.019,12 pontos, chegando a 168.909,87 pontos na mínima e marcando 170.457,37 pontos na máxima do dia.

Na semana, acumulou um declínio de 2,74%, completando oito perdas semanais seguidas, a maior sequência na série histórica até 1982, conforme dados da LSEG.

O volume financeiro nesta sexta-feira, entrecortada pelo feriado de Corpus Christi na quinta- feira e o fim de semana, somou R$26,58 bilhões.

Destaques

• VALE ON caiu 3,78%, na esteira do declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na bolsa de Dalian encerrou as negociações diurnas com queda de 0,91%. No setor, CSN ON desabou 10,18%, USIMINAS PNA cedeu 1,31%, GERDAU PN mostrou declínio de 2,69% e CSN MINERAÇÃO ON perdeu 2,89%. Analistas do Citi chamaram a atenção para dados sobre as exportações de minério de ferro do Brasil em maio mostrando queda para 28 milhões detoneladas. “A combinação de volumes menores de exportação e fretes excepcionalmente elevados…deve exercer pressão relevante sobre a rentabilidade de alguns exportadores de minério de ferro”, afirmaram.

• PETROBRAS PN cedeu 0,87%, em meio à fraqueza dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent caiu 2,04%, a US$93,09.

• ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,28%, acompanhado por BRADESCO PN, que fechou em alta de 0,58%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT encerrou com variação positiva de apenas 0,04% e BANCO DO BRASIL ON caiu 1,84%.

• COPASA ON recuou 5,25%, após a companhia divulgar no final da quarta-feira que o grupo Equatorial foi o único a apresentar proposta para ser acionista de referência da companhia mineira de água e esgoto, submetendo oferta de R$49,03 por ação. Na quarta-feira, as ações da Copasa fecharam em alta de mais de 13%. EQUATORIAL ON cedeu 2,26%.

• EMBRAER ON subiu 3,82%, após divulgar que a empresa de leasing de aeronaves Azorra assinou um novo pedido firme para 15 aviões E195-E2, com direitos de compra para mais 15 jatos. O acordo eleva o total de pedidos firmes da Azorra para aeronaves E2 de 39 para 54 unidades.

• C&A ON avançou 3,84%, tendo de pano de fundo relatório do JPMorgan reiterando recomendação “overweight” para a ação, com os analistas citando valuation atrativo e melhora das tendências operacionais. O preço-alvo, porém, caiu para R$18 ante R$20, “devido a um maior custo de capital próprio”. Ainda assim, representa um potencial de valorização de mais de 60% ante o fechamento da quarta-feira, de R$10,95.

• MAGAZINE LUIZA ON valorizou-se 1,87%, endossada por relatório do Citi elevando a recomendação das ações para “neutra/alto risco” ante “venda/alto risco”, embora o preço-alvo tenha sido reduzido de R$7 para R$6,50. Na visão dos analistas, o mercado já precificou, em grande parte, um ambiente de juros mais altos por mais tempo e um consumo mais fraco nas principais categorias de bens duráveis do Magalu. Eles também veem alguns desdobramentos positivos no âmbito operacional.

• BRASKEM PNA perdeu 6,89%, no primeiro pregão após anunciar a consumação da venda da participação da Novonor para o IG4. Sob a nova estrutura de controle, a IG4, por meio do fundo de investimento Shine, deterá 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, enquanto a Petrobras terá 47%. A Novonor manterá 4% das ações sem direito a voto. Investidores especulam sobre uma eventual recuperação extrajudicial da petroquímica.

Petróleo

Os preços do petróleo caíram com os operadores ganhando confiança de que um novo conflito entre os EUA e o Irã estava se tornando menos provável.

Os preços futuros do petróleo Brent fecharam a US$ 93,09 o barril, uma queda de US$1,94, ou 2,04%. Na sessão anterior, o Brent fechou em queda de 2,84%.

O petróleo West Texas Intermediate, negociado nos EUA, terminou a US$90,54 o barril, uma queda de US$2,50, ou 2,69%, após uma perda de 3,1% na quinta-feira.

“O mercado não vê uma escalada entre as partes”, disse Phil Flynn, analista sênior do Price Futures Group. “Mesmo que não tenhamos um acordo, parece que o mercado está vendo uma desescalada.”

A Petroleum Development Oman disse que as operações no porto de Mina al Fahal não foram afetadas depois que três fontes disseram à Reuters que o carregamento de petróleo havia sido suspenso após uma explosão perto de seus berços de atracação.

Omã exporta de 800.000 a 900.000 barris por dia de petróleo bruto do terminal.

Ambos os contratos ainda pareciam na direção dos primeiros ganhos semanais em três semanas, com o Brent subindo 1,18% e o WTI em torno de 3,64%.

Os contratos subiram no início da semana após o reinício dos combates no Oriente Médio, quando as negociações de paz entre os EUA e o Irã se arrastaram, enquanto o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do petróleo mundial, permaneceu limitado.

“Como as esperanças de um acordo entre os EUA e o Irã foram frustradas mais uma vez, o preço do petróleo Brent e do gás natural europeu subiu ligeiramente esta semana”, disseram analistas do Commerzbank na sexta-feira.

No entanto, os ganhos do Brent foram limitados pelos estoques de petróleo maiores do que o esperado, pelas exportações desviadas e pela queda da demanda, acrescentou o Commerzbank.

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