Como, de fato, a alimentação pode ajudar a imunidade

O equilíbrio é o que vai garantir as quantidades necessárias de vitaminas para que o organismo reaja quando sofre algum tipo de agressão.

Eduardo Rauen
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 Monica Bertolazzi/Getty Images
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É preciso buscar bons ingredientes, como proteínas, gorduras, vitaminas e minerais

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O aumento da incidência de Covid-19, com a disseminação, pelo mundo, da Ômicron e outras novas variantes, aliado a um novo surto de H3N2 (subtipo do vírus Influenza A) traz grande preocupação. Vemos até crescimento do número de casos de Flurona – termo criado para designar quando o paciente é infectado, ao mesmo tempo, por coronavírus SARS-CoV-2 e Influenza A (do inglês flu, gripe, e rona, de coronavírus).

Com tantas ameaças de vírus, volta a ganhar destaque um tema que na verdade não sai de pauta há quase dois anos: o reforço do sistema imunológico. Na ânsia de fortalecer a imunidade muitas pessoas acreditam em fake news e promessas milagrosas que se espalham pela internet que, em muitos casos, quando não são totalmente inócuas, ainda podem provocar problemas de saúde.

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Na busca por “atalhos” é comum a procura por alimentos que melhoram a imunidade, como se um ingrediente isoladamente pudesse fazer o milagre de reforçar um sistema que muitas vezes vem sendo prejudicado há anos por má alimentação. A resposta a essa questão é: não existe esse alimento milagroso.

A boa notícia: a alimentação pode melhorar a imunidade, mas se considerarmos uma visão macro, pensando em tudo que é ingerido durante o dia. Uma alimentação 24 horas saudável é uma importante aliada do sistema imunológico. Conseguimos tirar o melhor benefício do que os alimentos podem fazer por nosso organismo quando seguimos a Lei de Escudeiro, de 1937, de um médico argentino, que apresenta quatro itens: harmonia, quantidade, qualidade e adequação.

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O ideal é buscar o equilíbrio, levando em conta a harmonia da refeição – representada pela riqueza da variedade, do quanto de cada alimento será ingerido; a quantidade – considerando as calorias necessárias para cada pessoa; a qualidade – buscar bons ingredientes, como proteínas, gorduras, vitaminas e minerais; e adequação a cada um, levando em conta a fase da vida, etapa do crescimento e tipo físico.

A determinação da Organização Mundial da Saúde é que sejam feitas pelo menos cinco refeições por dia, que devem incluir saladas, frutas e legumes. Diminuir a ingestão da carne vermelha, não consumir embutidos, ingerir pelo menos 30 gramas de fibras diariamente e incluir oleaginosas, que têm gorduras boas, no cardápio.

São essas medidas que vão garantir uma melhor imunidade através da alimentação. Quem procura aquela fruta, aquele ingrediente que vai trazer resultado imediato, não encontrará.

Outra ideia equivocada é buscar suplementação de vitamina D para reforçar o sistema imunológico sem avaliação da presença de déficit nem orientação médica. É fato que a vitamina D baixa piora a resposta imune; entretanto, o uso sem indicação pode levar à hipervitaminose, correndo o risco de provocar insuficiência renal, aumento da absorção de cálcio e calcificação em alguns órgãos. A reposição deve ser feita por quem tem deficiência dessa vitamina, e sempre sob orientação médica.

É fundamental ter em mente que o equilíbrio na alimentação é que vai garantir as quantidades necessárias de vitaminas para que o organismo apresente uma melhor resposta imunológica quando sofre algum tipo de agressão – provocada por uma doença, uma virose, por exemplo – ou para evitar que baixe a resistência. Assim garantimos o tão esperado reforço imunológico para atravessarmos essas novas ondas e surtos com boa saúde.

Eduardo Rauen é médico nutrólogo e diretor técnico do Instituto Rauen.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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