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Empresas Não Compram Tecnologia, Compram Resultados

Segundo o presidente da Oracle Brasil, organizações que conectarem IA aos processos de negócio estarão mais preparadas para ganhar escala, eficiência e competitividade

5 min

Durante muitos anos, o setor corporativo tratou a tecnologia como uma lista de produtos. As empresas escolhiam servidores, bancos de dados, aplicações ou ferramentas específicas para atender a necessidades pontuais. Esse modelo funcionou por décadas, mas a inteligência artificial está mudando essa lógica.

Nas minhas conversas com líderes empresariais no Brasil e em toda a América Latina, vejo uma mudança clara de prioridades. CEOs e outros executivos já não começam, necessariamente, perguntando qual tecnologia devem adotar. Em vez disso, perguntam como a tecnologia pode ajudar a aumentar a produtividade, acelerar a tomada de decisões, reduzir a complexidade, apoiar novas fontes de receita e fortalecer a resiliência dos negócios.

Essa mudança reflete uma evolução na forma como as empresas avaliam investimentos em tecnologia. Elas não estão adotando IA apenas pela tecnologia em si. Estão buscando ampliar sua capacidade de transformação. O valor não está apenas em adicionar mais uma ferramenta, mas em melhorar a forma como a organização opera, toma decisões e compete.

Resultados Vêm Antes da Tecnologia

A inteligência artificial vai além da inovação incremental. Ela tem o potencial de transformar modelos operacionais, o relacionamento com clientes, cadeias de valor e processos de tomada de decisão. Esse potencial, no entanto, tem mais chances de gerar valor quando a IA faz parte da estratégia de negócios, e não quando é tratada como um experimento isolado.

Uma prova de conceito pode demonstrar que um determinado modelo funciona em um cenário específico. Escalar uma iniciativa exige uma discussão mais ampla:

  • Qual decisão a organização quer melhorar?
  • Qual processo pode ser acelerado?
  • Onde existe uma oportunidade para gerenciar custos de forma mais eficiente?
  • Que experiência pode ser aprimorada?
  • Como a tecnologia pode apoiar o desenvolvimento de novas fontes de receita?

Sem uma conexão clara com um problema ou uma oportunidade de negócio, a tecnologia pode até impressionar, mas dificilmente criará valor sustentável no longo prazo.

Dados e Contexto Ajudam a Transformar IA em Valor

À medida que os projetos de IA avançam, muitas empresas descobrem que um dos principais desafios não é, necessariamente, o algoritmo. Um gargalo frequente são os dados.

Dados dispersos, ambientes heterogêneos, múltiplas plataformas, problemas de qualidade da informação e exigências crescentes de segurança, gestão e controle de acesso podem dificultar a adoção da IA em escala. Sem dados de qualidade, contexto e controles adequados, as iniciativas de IA tendem a ficar restritas a projetos-piloto, casos de uso isolados ou iniciativas difíceis de replicar.

A IA corporativa depende de contexto. Um modelo pode ser tecnicamente avançado, mas terá muito mais utilidade quando considerar a realidade do negócio, incluindo o histórico de clientes, transações, estoques, contratos, riscos, políticas internas, indicadores financeiros e fluxos de trabalho. Combinar inteligência artificial com dados corporativos pode apoiar recomendações mais contextualizadas, automações mais alinhadas aos processos de negócio e decisões mais bem fundamentadas.

Por isso, a base de dados deixou de ser apenas uma questão técnica da área de TI. Ela se tornou uma prioridade estratégica para organizações que buscam transformar o potencial da IA em resultados de negócio.

Escala Exige que a IA Esteja Integrada ao Fluxo do Negócio

O potencial da IA nas empresas cresce quando ela deixa de atuar nas margens da organização e passa a fazer parte dos principais processos de negócio. Assistentes inteligentes ou interfaces desconectadas das operações têm alcance limitado. Para gerar valor em escala, a IA precisa estar integrada aos sistemas onde o trabalho acontece, incluindo finanças, recursos humanos, cadeia de suprimentos, vendas, atendimento ao cliente e outras áreas críticas.

Quando aplicações, dados e infraestrutura operam de forma integrada, a IA pode apoiar decisões, recomendar ações e executar determinadas tarefas com base no contexto da empresa. Na prática, isso significa ir além da automação genérica e caminhar para uma inteligência aplicada diretamente aos processos de negócio.

Estamos entrando em uma nova fase, marcada por aplicações com agentes de IA: ambientes nos quais agentes especializados podem colaborar, compartilhar contexto e executar tarefas de forma autônoma ou semiautônoma, sempre sujeitos às permissões, aos controles, aos mecanismos de supervisão e aos parâmetros definidos pela organização.

Para que essa evolução seja sustentável, ela precisa ser apoiada por uma infraestrutura projetada para atender aos requisitos de desempenho e escala necessários, com controles de segurança adequados a cada caso de uso. À medida que as aplicações se tornam mais importantes para as operações do negócio, as empresas precisam avaliar e atender aos requisitos relacionados à disponibilidade, proteção de dados, rastreabilidade, controle de acesso e governança organizacional, além das obrigações legais e regulatórias aplicáveis. Em setores regulados, essas considerações tornam-se ainda mais importantes.

Daqui para frente, os resultados dependerão menos da adoção de ferramentas isoladas e mais da capacidade das organizações de integrar a inteligência artificial ao fluxo real dos negócios.

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