Tudo é energia. Seja sob a ótica da ciência ou da espiritualidade, o que existe no universo vibra. No campo, essa verdade se manifesta de forma concreta e simbólica: a energia de um único grão de semente carrega em si o potencial de alimentar o mundo.
Na agricultura, a vida começa no invisível. As reservas de energia acumuladas no interior da semente — em forma de amido, lipídios e proteínas — sustentam o embrião da planta até que ela crie raízes, folhas e, enfim, se torne parte da cadeia produtiva que abastece milhões de pessoas. Esse movimento silencioso, que nasce no ventre da terra, é a base de toda a vida, de toda a energia.
Mas essa não é a única forma de o campo gerar energia. Sol, vento, água e biomassa — abundantes em todo território nacional — fazem do Brasil uma potência natural quando se trata de fontes renováveis. Em meio às transformações climáticas que o planeta atravessa, o país tem nas mãos a chance histórica de liderar a transição energética global. E o campo está no centro dessa transformação.
Enquanto o mundo ainda depende de combustíveis fósseis, o Brasil já alcançou marcos expressivos: cerca de 47% da matriz energética nacional vem de fontes renováveis, muito acima da média global de 14%. No setor elétrico, esse índice ultrapassa 88%, com destaque para a energia hidrelétrica, eólica, solar e de biomassa.
O agronegócio, tantas vezes associado apenas à produção de alimentos, é também peça-chave na geração de energia limpa. O bagaço da cana, resíduos florestais, biogás de dejetos orgânicos e biocombustíveis como o etanol e o biodiesel mostram que o setor rural é parte ativa da solução climática. Políticas como o RenovaBio são exemplos de que é possível alinhar produtividade e sustentabilidade.
Mais do que uma pauta ambiental, a energia limpa é uma poderosa ferramenta de inclusão social e desenvolvimento econômico. A geração distribuída tem levado luz a comunidades remotas, gerado empregos, fixado pessoas no campo e impulsionado pequenas e médias empresas. Grandes projetos de energia renovável movimentam cadeias produtivas inteiras, levando renda, infraestrutura e capacitação técnica para regiões muitas vezes esquecidas.
Ainda assim, é preciso remover os obstáculos que limitam esse potencial. A burocracia para o licenciamento ambiental, a instabilidade regulatória e a carência de redes elétricas modernas freiam o crescimento de um setor que poderia ser ainda mais pujante. O alinhamento entre os setores público e privado, com políticas de longo prazo, financiamento acessível e segurança jurídica, é essencial para que avancemos com solidez.
O Brasil não pode desperdiçar a chance de ser protagonista global em energia limpa. Já somos uma potência verde em formação. Com planejamento, compromisso e visão de futuro, podemos transformar esse potencial em legado para o planeta. A energia do futuro já pulsa no coração do campo, cabe a nós garantir que ela continue a iluminar caminhos — com justiça, equilíbrio e prosperidade.
*Carminha Gatto Missio é produtora rural eleita entre as 100 mais influentes do Agro, bacharel em Direito, presidente do Instituto Agropecuário da Bahia (Iagro), vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), Conselheira Administrativa das Sementes Oilema, presidente da Comissão Estadual das Mulheres do Agro (Faeb Mulher)
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