Arq.PessoalKassiane Tahyna, produtora de café que criou uma marcas de especiais
Ela veio do reino das improbabilidades. Mas hoje, a agricultora Kassiane Thayná, de Patrocínio de Caratinga (MG), dona de uma marca própria de café especial, é o retrato de uma geração. Preta, como se define – “sou uma mulher preta da roça” – pequena produtora e com os desafios de crescer como uma pessoa com deficiência física, a visão monocular, no mês passado e muito antes de completar 30 anos de idade, ela lançou o livro A Menina da Roça que Quebrou a Internet. Kassiane reúne cerca de dois milhões de seguidores entre Instagram e TikTok e usa sua visibilidade para inspirar mulheres e jovens rurais a valorizarem suas origens e acreditarem em seus projetos.
Em 2021, quando a pandemia de Covid19 assustava, separava e segregava o mundo, a Forbes Brasil publicou pela primeira vez a Lista Forbes “As 100 Mulheres Poderosas do Agro”, no Dia Internacional da Mulher Rural, em 15 de outubro, como um ato para celebrar, mostrar união e apontar lideranças femininas nas suas várias áreas de atuação.
Neste ano, a Lista Forbes “Mulheres da Geração Z Que Estão Mudando o Agro”, também conhecidas como “Gen Z” ou “Zoomers”, mostra os talentos femininos nascidos no início dos anos 1990 – com uma linha de corte até os anos 2010/2012 – ou seja mulheres na faixa dos 30 anos.
Mais liberais e progressistas que outras gerações, para as “Gen Z”, lugar de mulher é muito mais do que onde ela quiser. Para elas, lugar de mulher é onde nunca estiveram antes. No agro, essas mulheres estão em carreiras agrícolas inovadoras, indo de tecnologias a práticas mais sustentáveis de uso da terra; muitas são agroinfluencers, creators ou estão à frente de startups, projetos acadêmicos ou empresariais que desafiam os seus limites.
A Forbes, como homenagem a tantas GenZ espalhadas pelo país, mostra um grupo que representa esse movimento:
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Anna Luísa Beserra, da SDW For All
A baiana Anna Luísa Beserra, 28 anos, é bióloga e fundadora da SDW For All, uma startup brasileira que desenvolve soluções para acesso à água potável em comunidades rurais. Ela começou a ter uma ideia aos 15 anos e desde a graduação se dedicou à criação do Aqualuz, sistema que utiliza a luz solar para purificar a água armazenada em cisternas do semiárido.
A tecnologia é simples, durável e voltada a famílias que vivem em áreas agrícolas com escassez hídrica. A SDW For All atua hoje em diferentes estados do Nordeste e integra projetos de sustentabilidade que unem ciência e empreendedorismo social. Anna Luísa foi reconhecida pela ONU como Jovem Campeã da Terra e integra redes globais de inovação voltadas ao impacto ambiental e social no campo.
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Bianca e Ana Carla Rodrigues, da Fazenda Terra Nova
As irmãs Bianca e Ana Carla Rodrigues, da Fazenda Terra Nova, em Uberaba (MG), têm mais que o sangue em comum: as duas escolheram a engenharia agronômica como profissão. Uma já se formou na Esalq/USP, de Piracicaba (SP); Ana Carla está a caminho.
Filhas dos produtores Luiz Carlos e Angela Rodrigues, que cultivam cana-de-açúcar, soja, milho e sorgo, e tem criação de gado leiteiro, elas são um retrato do cooperativismo e do desafio desse arranjo produtivo: a sucessão familiar em busca da perenidade dos negócios.
A família Rodrigues faz parte da Coopercitrus, com 185 unidades de negócios nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, onde estão 40 mil cooperados. Em 2024, somente de insumos, como sementes, biológicos, fertilizantes e agroquímicos para as lavouras, os cooperados compraram R$ 4,81 bilhões.
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Diana Jank, da Agrindus
Ela está na lista Under30 da Forbes, de 2023, mas o palco de Diana Jank é outro. Não é raro ver Diana diante de uma plateia, explicando um projeto do qual faz parte desde 2018, quando aceitou o desafio de reformular o branding e mudar toda a produção para o leite A2, um tipo mais digesto produzido na fazenda da família, em Descalvado (SP).
Hoje, ela é diretora de marketing da Letti A², com uma voz afinadíssima sobre o conceito “locally produced for local families” (produzido localmente para famílias locais), ou seja, trabalhar com produto fresco em curtas distâncias como uma forma de valorização do produtor rural.
Em 2025, Eduarda Ferreira Peres, conhecida como Duda Peres, estudante de medicina, conquistou um feito para a vida: foi bicampeã em Barretos, principal arena de provas equestres do país. Em 2024, ela já havia vencido a prova de Três Tambores, consolidando seu nome entre as competidoras mais técnicas da nova geração.
Com 20 anos, ela representa uma nova geração que chega às arenas com preparo técnico, rotina de treinos rigorosa e experiência em grandes competições nacionais. Além dos títulos em Barretos, venceu a semifinal do Rodeio Pela Vida e acumula vitórias em etapas classificatórias da Associação Nacional dos Três Tambores (ANTT), criada em 2004.
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Isabella Facchini, da KLA Advogados
Isabella Facchini e sua mãe Flávia são donas das fazendas Alvorada, Fortaleza e São José, em Barra do Garças (MT). Mas, por ora, pode ser algo raro encontrar Isabella de botas, chapéu ou adereços identitários, na lida do campo, porque seu atual campo de plantio e colheita está nas mesas da advocacia.
No início deste mês de outubro, ela retornou à KLA Advogados, onde deu os meus primeiros passos na carreira, para se dedicar à área de direito imobiliário e agronegócio. Formada em 2021, Isabella já passou por especializações em direito ambiental, direito aplicado ao agronegócio e MBA em agronegócio. Segundo a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a entidade tem 1,3 milhão de filiados. Não há dados oficiais, mas especialistas afirmam que no país não mais que 3% a 5% desses profissionais atuam no agro.
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Karinna Pinheiro de Oliveira, da Amaggi
A engenheira agrícola e ambiental Karinna Pinheiro de Oliveira é coordenadora regional de agricultura digital na Amaggi, em Primavera do Leste (MT). Ela trabalha na empresa desde 2018, quando começou como trainee, depois de um estágio na Embrapa Agrossilvipastoril, unidade em Sinop, a 600 km de Primavera.
Karinna é o tipo de profissional da nova era do agro, ligados diretamente com tecnologias de ponta no campo, como sensores, drones e análise de telemetria. São talentos multidisciplinares que precisam combinar conhecimento técnico agrícola com competências digitais e analíticas.
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Kassiane Thayná, da Kassiane Thayná Cafés Especiais
Ela nasceu em Patrocínio de Caratinga (MG), e trabalha desde cedo na lavoura de café, mostrando nas redes o cotidiano da produção rural, sem roteiros ou encenações. Com visão monocular, enfrentou limitações físicas e estruturais para continuar no campo. Mas sua forma direta de comunicar chamou atenção de empresas que passaram a convidá-la para ações ligadas à origem dos alimentos e à valorização do produtor.
Kassiane usa sua trajetória para discutir trabalho, fé e pertencimento, mantendo o café como ponto central de sua história. E transita do papel de influence para o de creator. No ecossistema digital do agro, ela cria narrativas que geram conteúdo e pauta conversas. E claro, é dona da marca própria de cafés especiais que leva seu nome na embalagem.
Há cerca de uma década, Luiza Fatorelli está à frente das operações da Fazenda SJ Margarida, em Bela Vista (MS), de cerca de 30 mil hectares, onde predomina o cultivo de grãos. Mas não é somente isso. A fazenda fez de sua área nativa uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), o que significa uma área de conservação da biodiversidade, mas que pode ser destinada à educação e pesquisa. Luiza é graduada em International Business, Finance and Economics pela Universidade de Manchester e mestre em Agronegócio pela FGV.
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Marcella Molina, da MBRF
Marcella Molina é membro do comitê de sustentabilidade da Marfrig desde 2020 e da BRF desde 2024. Grudada na mãe, Márcia Marçal dos Santos – a mulher por trás da construção de uma das maiores companhias de alimentos do país, a MBRF – Marcela diz que traça o caminho do aprendizado. Já passou por setores como auditoria, exportação, logística, supply chain, compras, controle de produção e área comercial, onde está hoje.
E não fica aí, no ano passado, sua agenda eram os confinamentos de gado, negócio fora da indústria. A inquietude vem do tempo de faculdade de administração no IBMEC, onde já fazia parte da associação estudantil de agronegócio da instituição.
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Marina Nunes, de Jordânia (MG)
Em meados de julho deste ano, Marina Nunes, que nasceu e cresceu em Jordânia (MG), cumpriu uma agenda que está mudando sua vida. Ela apresentou seu TCC no Instituto Federal de Educação Ciências e Tecnologia do Norte de Minas Gerais (IFNMG), na conclusão do curso de engenharia agronômica, em Almenara, a cerca de 100 km de sua casa.
Filha de pequenos produtores, Marina é uma apaixonada pelo cultivo de cacau. Atuando na lida, também tem se tornado uma voz em sua comunidade para comunicar práticas de manejo da amêndoa e de outras culturas. Ela é o novo retrato do ensino superior na última década. Desde 1991, as mulheres têm se mantido como maioria entre os ingressantes em cursos do ensino superior no país. Naquele ano, a taxa foi de 52%. No mais recente censo oficial, o de 2023, elas bateram recorde: ficaram com 59,1% das vagas.
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Nathalia Campos Vilela Resende, da Basf
Doutora em genética e melhoramento de plantas e pesquisadora visitante na Iowa State University (EUA), Nathalia Campos Vilela Resende atua hoje como melhorista associada na Basf, na estação de pesquisa da empresa em Sinop (MT). Nathalia faz parte do time de desenvolvimento genético da soja, participando da seleção de materiais, testes e ensaios em campo. Ela também faz parte da equipe dedicada às novas tecnologias, como o controle de nematóides via soja NRS.
Natieli e Valeska Sperandio, do sítio Córrego Olho D’Água
Elas mostram nas redes sociais os desafios da gestão de uma pequena propriedade em Colatina, no interior do Espírito Santo. Natieli e Valeska Sperandio, as Irmãs Amazonas, têm um papel educativo como microinfluenciadoras contemporâneas, justamente porque exercem influência real dentro de comunidades específicas, dando visibilidade a pautas com informações contextualizadas.
Por exemplo, quando saem para localizar um foco de incêndio visto de longe e socorrem um vizinho; no resgate de um bezerro, no socorro de uma pata quebrada e no parto de uma de suas vacas leiteiras. É uma realidade sem filtro do que ocorre na maioria das bacias leiteiras do Brasil. O país tem cerca de 1,2 milhão de propriedades que produzem leite e a estimativa é de que pelo menos 950 mil podem ser consideradas como de agricultura familiar, com áreas entre 5 e 100 hectares.
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Simone Lyn van Oene, da Joost Kalanchoe
A engenheira agrônoma, Simone Lyn van Oene, formada em 2017 na Esalq/USP, é hoje sócia e head de marketing e vendas da Joost Kalanchoe. A empresa familiar de origem holandesa, com sede em Holambra (SP), cultiva 8 hectares de flores em ambiente de cultivo protegido. Simone se tornou uma especialista em marketing, com dois anos de estudos na Dümmen Orange, em Der Lier, na Holanda, entre 2019 e 2021.
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Paula Veloso, da Cafellow
Em 2024 ela fundou a Cafellow, resultado da decisão de empreender após quatro anos no mercado financeiro, parte deles nos Estados Unidos. Paula Veloso é mineira e pertence a uma família produtora de café no Cerrado, e antes de criar o negócio passou um período na fazenda do avô para compreender todo o ciclo produtivo.
Formada pela Marymount Manhattan College, em Nova York, ela é o resultado da formação internacional e da origem rural na gestão da marca. Hoje, Paula vive em São Paulo e lidera a Cafellow com o objetivo de conectar o café de origem mineira a novos públicos urbanos e digitais.
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Victoria Donega, da PGVD Agrícola
A engenheira agrônoma Victória Donegá, formada pela Esalq/USP de Piracicaba (SP), há cerca de cinco anos se prepara para o movimento de sucessão familiar na PGVD Agrícola, com fazendas que produzem cana-de-açúcar na região de Ribeirão Preto (SP), e cultivam grãos, entre eles soja e milho, além da criação de gado de corte, em Nova Xavantina (MT).
No campo, o mote é o aperfeiçoamento contínuo da prática do sistema ILP (Integração lavoura-pecuária) na região do Vale do Araguaia. Formada em 2017, Victoria concentra a maior parte de seu trabalho de campo em Mato Grosso, enquanto na cidade engrossa o caldo de lideranças do setor em grupos de jovens empreendedoras.
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