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Prosecco Montelvini: Seis Gerações entre Terroir, Inovação e Sustentabilidade

A marca italiana fundada pela família Serena aposta em adegas renovadas, espumantes a granel e novos formatos para os mercados globais

5 min

Desde 1881, na Itália,  a família Serena dedica-se à produção de vinhos com maestria e paixão. Uma trajetória intensa, cuja continuidade hoje é garantida pelos irmãos Alberto, diretor executivo, e Sarah, diretora-geral, com o pai Armando no cargo de presidente.

“Nosso pai, no fim dos anos 1960, deixou a empresa da família para fundar a marca Montelvini, que vem crescendo de forma constante desde as duas primeiras décadas de atividade”, diz Sarah.

Depois de uma viagem à Alemanha, onde teve contato com o setor produtivo local de cerveja, Armando Serena decidiu aplicar o mesmo processo ao vinho, substituindo as damas-janas por barris e marcando uma virada na empresa, sustentada pela paixão e inovação.

Foi com a entrada de Alberto e Sarah no negócio que o uso das garrafas foi retomado, o que representou uma oportunidade para a empresa situada no epicentro do território do Prosecco. O chamado território do Prosecco está localizado entre as colinas de Conegliano e Valdobbiadene, na região do Vêneto, no nordeste da Itália. Essa área, hoje reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco desde 2019, é considerada o coração histórico e geográfico da Denominação de Origem Controlada e Garantida (DOCG) Prosecco Superiore.

Essa escolha também explica a aquisição da vinícola Sant’Osvaldo, destinada à produção de vinhos tranquilos que expressam as particularidades da região. Em seguida, Armando transferiu suas cotas aos filhos, concretizando uma nova fase evolutiva que levou a Montelvini a se tornar uma referência no universo do Prosecco, tanto na Itália quanto no exterior, com crescimento contínuo de faturamento e EBITDA. Porque, para a família, permanecer estático significaria retroceder. Por isso, a empresa pensa constantemente em novos projetos.

“Hoje precisamos enfrentar a redução do consumo, causada tanto por novas tendências quanto pela reforma legislativa de nosso país em relação aos motoristas, sem esquecer as diversas campanhas contra o consumo de álcool. Tudo isso nos levou a refletir sobre como poderíamos nos reposicionar no mercado sem perder nossa identidade”, afirma Sarah. 

O logotipo da Montelvini é uma coruja porque a área onde se localiza a vinícola é chamada de Zuitere, ou “terra das corujas”. O animal sempre foi símbolo de sabedoria, conhecimento e sensibilidade, representando, na Montelvini, a arte de colher os melhores frutos do território e conduzi-los com respeito à natureza e aos seus ritmos. “Temos orgulho de ter sido uma das primeiras vinícolas da Itália a obter a certificação de sustentabilidade Equalitas”.

Esse reconhecimento reforça o percurso da família Serena, cada vez mais orientado por valores que, ao longo do tempo, moldaram uma vinícola de vanguarda, mantendo um forte vínculo com a história vitivinícola e cultural da região e contribuindo para o desenvolvimento de uma área vocacionada à viticultura.

“A verdadeira alma da empresa são nossos colaboradores. Promover o bem-estar e a proteção deles, tanto em termos de segurança, garantindo um ambiente adequado e em conformidade com as normas, quanto de crescimento pessoal e bem-estar corporativo, é nossa prioridade. Para compartilhar os mesmos valores, incentivamos uma cultura sustentável, com ações de conscientização e formação contínua”.

Investir em sustentabilidade tornou-se a chave moderna da filosofia da empresa. Todos os anos, de 2 a 3 milhões de euros  (de R$ 12,5 milhões a cerca de R$ 18,7 milhões na cotação) são destinados a projetos, como o da nova adega. As obras serão concluídas até o final deste ano e incluem a completa renovação das autoclaves usadas na produção de espumantes, além da instalação de painéis fotovoltaicos e de um novo sistema de tratamento de efluentes.

“Apresentamos recentemente também um projeto logístico que prevê a construção de um armazém totalmente automatizado de cinco mil metros quadrados, ao custo de 5 milhões de euros (R$ 31,2 milhões), que representará um novo e importante marco no crescimento da empresa”, acrescenta Sarah.

Atualmente, a Montelvini produz cerca de sete milhões de garrafas, além do vinho a granel. Esse produto, que durante anos foi subestimado e perdeu espaço no mercado, está vivendo um novo boom, sobretudo por seu caráter sustentável, já que reduz o uso de vidro, papel e rolhas.

“O Japão e o norte da Europa estão entre os maiores consumidores de vinho a granel. São países muito sensíveis à questão da sustentabilidade”, diz ela.

Segundo a executiva, as decisões da empresa são guiadas, naturalmente, pelas novas tendências. “Não podemos ignorá-las, porque o consumo tradicional está diminuindo”, explica Sarah. “A primeira aposta é o ‘sem álcool’. Sentimos uma forte demanda por essas alternativas e estamos trabalhando nessa direção. Selecionamos uma base zero álcool e, após vários testes, chegamos ao produto ideal, com características diferentes das do vinho tradicional, mas com bom retorno ao paladar.”

“O trabalho com a embalagem também foi importante e, em breve, estaremos no mercado, na Itália e no exterior, com nosso Montelvini 0% sparkling. Evoluir é o único caminho que conhecemos para continuar crescendo. Confiamos no futuro, estudamos as tendências e buscamos nos adaptar sem trair nossa identidade, porque gostamos de estar presentes no mundo do vinho não apenas como produtores, mas também para fortalecer nosso território e elevar a qualidade da relação com nossos parceiros e stakeholders”.

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