Da terra da Puglia, a região italiana conhecida como o “calcanhar da bota”, às mesas de todo o mundo, com o propósito de valorizar as pequenas produções locais de qualidade. Se hoje a Mack & Schühle é uma referência global, isso também se deve à visão de longo prazo de Fedele Angelillo, empresário pugliese que, pouco depois dos 20 anos, fundou a Latentia Winery.
As primeiras colheitas, vividas quando criança ao lado do pai e do avô, foram o ponto de partida para criar um vínculo com a terra que se tornaria fundamental para sua visão empresarial, marcada, ao longo do tempo, por valor humano e profissional.
Os primeiros passos
A família Angelillo, já ativa na cadeia agroalimentar italiana, expandiu-se nos primeiros anos dos anos 2000 com a aquisição de duas empresas no Friuli e na Puglia, a fim de consolidar seu potencial produtivo no território no setor vinícola.
Em seguida, o grupo alemão Mack & Schühle (que hoje tem faturamento superior a 500 milhões de euros, o equivalente a cerca de R$ 2,9 bilhões, e mais de 350 funcionários), que naquele momento buscava um parceiro italiano confiável para consolidar parcerias de longo prazo com a moderna distribuição internacional, decidiu criar uma joint venture entre a família Mack, proprietária do grupo, e os Angelillo. Essa parceria levou a um crescimento constante do faturamento, ano após ano. Em 2022, nasceu formalmente a Mack & Schühle Italia.
Os primeiros anos entre Alemanha e Inglaterra foram dedicados às vendas, à abertura da planta de produção em Laterza (Taranto) e aos acordos comerciais no Vêneto para a produção de Prosecco. A trajetória profissional de Angelillo foi intensa desde o início, marcada por uma curiosidade que se tornaria essencial para descobrir novos mercados capazes de valorizar o vinho italiano no mundo.
A parceria com o grupo M&S representou a oportunidade de continuar crescendo sem renunciar aos valores sobre os quais havia construído sua identidade empresarial. Tudo isso, com o estudo de mercados para antecipar tendências.
M&S Italia hoje
Hoje, a M&S Italia atua não apenas na produção, mas também na criação de projetos de alto valor agregado, como o Grapur. Nos últimos dois anos, a empresa analisou as tendências de mercado para identificar novas oportunidades de desenvolvimento.
O segmento de vinhos com baixo teor alcoólico ou sem álcool mostrou-se o de maior potencial, embora ainda envolto em incertezas, entre a confusão regulatória e o nível qualitativo desses novos produtos, que, no caso dos vinhos sem álcool, ainda não alcançou um padrão uniforme de qualidade. Soma-se a isso a questão dos impostos especiais sobre o consumo, que em algumas regiões se apresentam como um possível obstáculo ao desenvolvimento do negócio.
O modelo de Angelillo
Os riscos, portanto, eram muitos. Mas foi justamente aí que o método de Angelillo se mostrou vencedor. “Partindo da análise do contexto e do público-alvo, percebemos que, para aproveitar estrategicamente essa oportunidade, precisávamos criar um vinho de qualidade agradável, com características orgânicas, veganas e de baixo teor calórico”, diz ele.
E complementa: “Além disso, o público-alvo se mostrou extremamente sensível às questões de sustentabilidade e circularidade. Isso nos levou a propor não apenas um vinho alinhado com esse perfil, mas também um design de embalagem desenvolvido junto com nossos principais parceiros técnicos, o que nos permitiu oferecer uma solução com altos padrões de circularidade e sustentabilidade.”
“A combinação entre produto e embalagem foi reconhecida como um fator determinante na escolha do consumidor, a ponto de garantir uma série de prêmios internacionais, entre eles o prestigioso Red Dot ‘Best of the Best’ 2025 na categoria de embalagem sustentável”, diz ele.
O projeto Genevitis
Ao Grapur somou-se um segundo projeto, o Genevitis, desenvolvido nos últimos anos e que permitiu à M&S Italia criar uma rede de cooperativas nas principais regiões vinícolas italianas, com planos de continuidade. O objetivo é conectar o mundo da produção vinícola italiana ao da venda internacional no varejo, criando um modelo de economia sustentável de longo prazo.
A “M&S Italia identificou áreas significativas de melhoria na cadeia do vinho e nas relações entre as organizações cooperativas. Por meio de uma equipe dedicada, com profissionais qualificados e visão de gestão, a empresa decidiu trazer inovação e perspectiva para valorizar um dos ativos mais importantes da economia ligada ao vinho.
Com o Genevitis, a M&S Italia se torna um importante agente agregador privado das excelências regionais do setor vitivinícola, levando o negócio a um patamar cada vez mais internacional e qualificado. Atuando como elo entre oferta e demanda, oferece um valor agregado capaz de fortalecer toda a cadeia de forma contínua. Ao integrar competências técnicas, organizacionais e comerciais, valoriza-se o patrimônio cooperativo, inclusive por meio de projetos especiais de branding compartilhados entre cooperativas e empresas, e de uma cadeia criativa regional.”
Para difundir essa cultura, a M&S Italia criou parcerias relevantes com profissionais e educadores do setor, para explicar o projeto e ampliar o número de regiões envolvidas na cadeia. Entre eles, Cristina Mercuri (colaboradora da Forbes Italia), educadora de vinhos e fundadora do Mercuri Wine Club, que se tornou embaixadora da marca do projeto Genevitis na Itália e no exterior. Um exemplo de como ideias, quando somadas a visão e propósito, podem ajudar as vinícolas a se projetarem para as próximas décadas.