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Forbes Agro

5 Anos: Reflexões e o Que Esperar de 2026?

Confira a trajetória de um movimento de fomento ao setor em um dos mais respeitados veículos de negócios do mundo

7 min

O ano começou agitado: reforma tributária, Trump na Venezuela, acordo Mercosul-União Europeia, Lei das Diretrizes Orçamentárias, Sistema de Cotas Chinesas para importação de carne. E no meio de tudo isto, minha coluna completa 5 anos aqui na Forbes. Se toda mudança no calendário nos traz momentos de reflexão, neste texto, este sentimento se destaca ainda mais.

É inevitável e desejável revisitar o passado, ter um claro panorama do momento presente visando traçar um plano estratégico para o futuro. Esta coluna começou timidamente e ajudou a criar um movimento de fomento ao setor em um dos mais respeitados veículos de negócios do mundo.

Foram aproximadamente 100 colunas levando o ponto de vista do produtor rural à sociedade. Este texto não é uma “egotrip”, você pode estar se perguntando, qual o impacto de um veículo como a Forbes comunicar o setor do Agronegócio? Quais as reflexões olhando para os últimos 5 anos e o que esperar de 2026?

O período entre janeiro de 2021 e hoje, início de 2026, foi um dos mais intensos e transformadores para o agronegócio brasileiro. Iniciamos a coluna em plena pandemia, vieram crises climáticas severas, uma guerra que ameaçou o suprimento de insumos, tarifaço, os preços internacionais recuaram, custos de produção aumentaram, crédito farto que se tornou depois restrito, aumento das taxas de juros, custos pressionados que resultaram em uma enxurrada de recuperações judiciais.

Por outro, o agro teve um desempenho significativo, fechando 2025 com um novo recorde de produção e exportações, contribuindo de forma determinante para que a economia do país não tivesse um maior retrocesso.

O agro em destaque na comunicação

Respondendo à primeira pergunta, o impacto da Forbes comunicar o agro: o setor do agronegócio sempre foi destacado em publicações técnicas ou na mídia de negócios por seus números, mas de uma forma esporádica, aqui e ali. O setor, que é o esteio da economia do país, merecia uma cobertura própria, e a Forbes, revista de negócios internacionalmente respeitada, enxergou isto.

Em julho de 2021, sob o comando de Vera Ondei, foi lançada a vertical Forbes Agro, que mostra o protagonismo do agro nacional com toda a sua complexidade e linguagem. Detalhe: é a única vertical de agro entre todas as Forbes do mundo.

Em 2022 foi lançado o Forbes Mulher Agro (FMA), grupo de networking formado por 50 mulheres líderes de diversos setores do agronegócio nacional, movimento que tive o desafio e honra de fundar e presidir até 2024, consolidando e trazendo luz ao crescente protagonismo feminino no agro. Foi criada a coluna Forbes Mulher Agro, dando representatividade ao Think Tank e ao movimento feminino.

Agro com mais protagonismo

Estas ações importam, pois posicionam o agronegócio no centro de discussões sobre economia, tecnologia, sustentabilidade, comércio internacional, e geopolítica. O agronegócio, que antes era visto sob uma lente puramente técnica, ganhou na Forbes o seu devido status: o de protagonista de geração de renda, empregos, inovação e, acima de tudo, da sustentabilidade e agente da paz global através da produção de alimentos.

Olhando para os últimos 5 anos, observamos que o agronegócio não é apenas um setor econômico, ele garante a segurança alimentar do país, segura a inflação, além de estabilizar a balança comercial brasileira, garantindo superávits mesmo em períodos de crise fiscal.

O Brasil saltou de patamar produtivo, em 2021, projetava-se consolidar os 250 milhões de toneladas, na safra 2024/25, o país atingiu a marca histórica de 354,7 milhões de toneladas de grãos. O país se consolidou como o maior produtor e exportador mundial de grãos, atingindo recordes de 177,6 milhões de toneladas na última safra.

O milho “safrinha” deixou de ser secundário para representar quase 80% da produção total do cereal, impulsionando a indústria de etanol de milho. O faturamento da porteira para dentro atingiu R$1,409 trilhão no final de 2025.

Geopolítica e clima

Devido à guerra na Ucrânia, o Brasil, que dependia de fertilizantes russos e bielorrussos (cerca de 20% do complexo NPK), viu os preços de insumos dispararem. O país acelerou o Plano Nacional de Fertilizantes e houve um avanço tecnológico com a utilização de pó de rocha e bioinsumos para reduzir a dependência externa.

No clima, o fenômeno La Niña castigou o Sul do país com secas drásticas, causando perdas bilionárias no Rio Grande do Sul e Paraná entre 21 e 23, já em 2024, as chuvas extremas e geadas tardias mostraram a necessidade de investir em seguro rural e irrigação.

Avanço de mercados e produção no campo

Entre 2023 e 2025, o Brasil abriu 211 novos mercados em 56 países,o que é importante para pulverizar e distribuir um pouco melhor nossos produtos, diminuindo a dependência chinesa.

O Brasil atingiu um rebanho bovino de 238,1 milhões de cabeças em 2025, superando os EUA em volume e eficiência de abate. A retirada da vacina contra febre aftosa em diversos estados (como MT, MS e PR) elevou o status sanitário brasileiro, permitindo o acesso a mercados de alto valor agregado, como Japão e Coreia do Sul.

De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em 2025 o PIB do agronegócio teve alta de 8,5%, representando 29,4% do PIB nacional.

Jornada de cinco anos

Ao longo desta jornada de cinco anos, o agro passou por ciclos de bonança e anos de desafios logísticos, climáticos e financeiros.
O agro entra em 2026 sendo o pilar da economia do país; entretanto, os desafios exigem mais do que discursos ufanistas.

Para quem está de fora, parece tudo uma maravilha, recordes de produção e exportação. Mas quem está dentro do setor entende que vivemos a tempestade perfeita com recuo dos preços internacionais, elevação dos custos de produção entre 20 e 30%, clima adverso e restrição de crédito devido à alta taxa de juros, que chegam a 20% ao ano. A enxurrada de recuperações judiciais disparou e o custo financeiro.

Produtividade se tornou a palavra-chave; sem ela, o produtor é pressionado a cortar investimentos em insumos, tecnologia e eventualmente acaba resultando na diminuição da área plantada.

Precisamos de políticas públicas que permitam apoio à pesquisa, crédito e seguro rural para continuar produzindo, pois não só o agro, mas também a economia do país depende disto. Se há algo que os últimos cinco anos ensinaram é que o agro brasileiro não é apenas um setor: é um pilar econômico, social e estratégico para o Brasil.

*Helen Jacintho é engenheira de alimentos e produtora rural com mais de 20 anos de atuação no agronegócio na Fazenda Continental e Regalito. Diretora de Melhoria Contínua, ela é responsável por implementar a filosofia Lean de gestão no campo. Estudou Business for Entrepreneurs na Universidade do Colorado, é juíza de morfologia pela ABCZ e estudou marketing e carreira no agronegócio. Fundadora do grupo Forbes Mulher Agro e conselheira do COSAG/FIESP, integra a lista Women to Watch 2025.”

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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