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Em Meio à Crise Imobiliária na China, Preços dos Imóveis Recuam em 49 das 70 Maiores Cidades

Queda de preços atinge 49 das 70 principais cidades chinesas no semestre, refletindo os reflexos contínuos da crise no setor, que se arrasta por mais de meia década

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Os preços dos imóveis na China recuaram 3,3% em junho de 2026 ante igual etapa do ano anterior, conforme divulgado pelo Departamento de Estatísticas do governo local na noite de terça-feira (14), no horário de Brasília. A leitura mostra uma perpetuação da crise no setor imobiliário chinês que tem se arrastado por anos.

Na leitura anterior, os preços dos imóveis na China haviam recuado 3,5% em maio de 2026 contra maio de 2025.

O dado oficial do governo da China é um índice que acompanha a evolução dos preços de imóveis residenciais por meio de transações envolvendo hipotecas convencionais e em conformidade, considerando exclusivamente casas unifamiliares.

A metodologia utilizada é a de vendas repetidas, comparando o preço da mesma propriedade em diferentes momentos, seja em uma nova venda ou em um refinanciamento.

Segundo cálculos do The Wall Street Journal com base neste índice, os preços nas 70 maiores cidades do dragão asiático apresentaram retração de 0,15% no mês de junho.

A leitura mostra uma desaceleração, dado que em maio a queda registrada pelos cálculos do WSJ foi de 0,2%.

Do total de 70 cidades analisadas, 49 mostraram queda em junho ante maio.

Olhando para o primeiro semestre fechado, a queda é de 3,5% nas principais cidades da China, comparando os preços dos imóveis com os primeiros seis meses de 2025.

O contexto da crise imobiliária na China

Os problemas no setor tiveram seu pontapé inicial entre 2020 e 2021, quando o governo chinês impôs às incorporadoras as chamadas “três linhas vermelhas”, firmando limites regulatórios de endividamento em relação a ativos, fluxo de caixa e crédito.

O intuito do Estado chinês era combater a bolha imobiliária que já representava mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Nesse panorama, os preços dos imóveis caíram mês a mês, embora o risco sistêmico tenha diminuído — mas não o suficiente para evitar problemas expressivos que tomaram as manchetes.

Um dos exemplos mais emblemáticos, à época, foi o calote da Evergrande, gigante chinesa do ramo de construção civil. O efeito dominó afetou outras incorporadoras como Country Garden, Kaisa Group, Fantasia Holdings, Sunac, Sinic Holdings e Modern Land.

Com o encolhimento do mercado imobiliário da China e os solavancos no setor, o consumo das famílias tem sido afetado, tal como tem gerado algum nível de desequilíbrio entre oferta e demanda.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que a dívida dos veículos de financiamento dos governos locais (LGFVs) fique entre 50 e 60 trilhões de yuans (R$ 37 trilhões a R$ 45 trilhões).

Essa métrica é referente apenas à dívida reconhecida, deixando de fora o endividamento direto adicional dos governos locais.

O governo da China rejeita a estimativa do FMI, alegando dupla contagem.

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