O Forbes Mulher Agro (FMA) inicia 2026 com a leitura colocada no centro da formação de quem decide. Em um setor estruturado por ciclos longos, risco permanente e escolhas que atravessam gerações, os livros aparecem como base silenciosa de preparo. As mulheres do FMA indicam obras que estiveram presentes em momentos decisivos de suas trajetórias, quando foi preciso entender melhor o mundo antes de agir.
As indicações nascem da prática. São livros lidos em fases de crescimento de empresas, transições familiares, mudanças de rota, crises econômicas ou expansão de projetos. Nem todas as obras tratam diretamente de agronegócio, mas todas dialogam com temas que atravessam o setor: liderança, poder, ciência, economia, ética, comportamento humano e permanência no tempo.
Cada livro indicado carrega uma marca pessoal, um aprendizado incorporado, uma pergunta enfrentada sem respostas simples. São obras consideradas educativas, importantes e necessárias por mulheres que ocupam posições de decisão no agro brasileiro.
Começar 2026 com esses livros sobre a mesa significa assumir que liderança exige densidade intelectual. Ler não é pausa na rotina, é parte do exercício profissional. Para as integrantes do FMA, o conhecimento adquirido na leitura sustenta decisões que impactam pessoas, territórios e cadeias produtivas inteiras. É nesse acúmulo silencioso que se constrói consistência. Confira:
A sabedoria secreta da Natureza, de Peter Wohllerben, Editora Sextante
Peter Wohlleben, analisa o funcionamento dos ecossistemas naturais a partir de pesquisas científicas e da experiência prática do autor no manejo florestal. O livro descreve como plantas, árvores, fungos, microrganismos, animais e solo operam em redes interligadas, baseadas em trocas de nutrientes, comunicação química e equilíbrio biológico. Wohlleben detalha o papel das florestas na regulação do clima, na retenção de água, na fertilidade do solo e no sequestro de carbono.
A obra também examina os impactos da intervenção humana, como monoculturas e exploração intensiva, que rompem esses sistemas e reduzem a resiliência ambiental. Sem adotar tom técnico, o autor apresenta a natureza como um sistema eficiente de autorregulação, cuja lógica oferece referências para práticas produtivas mais duráveis, especialmente em contextos agrícolas e florestais.
Quem indica: Nina Plöger, presidente do FMA, pós-graduada em economia e cofundadora da consultoria IPDES.
A lacuna da autoridade, de Mary Ann Sieghart, Editora Benvirá
O livro investiga por que a autoridade atribuída a mulheres continua sendo menor do que a concedida a homens, mesmo quando experiência, preparo e resultados são equivalentes. A análise parte de situações concretas do cotidiano profissional, acadêmico e público, nas quais a palavra feminina é questionada, relativizada ou ignorada. Mostra como esse padrão se manifesta em reuniões, entrevistas, cargos de liderança e espaços de decisão, criando um desgaste constante e silencioso.
Ao reunir dados, pesquisas e episódios recorrentes, o texto demonstra que não se trata de casos isolados, mas de um mecanismo estrutural que limita acesso a poder, visibilidade e reconhecimento. A obra também aponta consequências práticas desse desequilíbrio, como a exclusão de talentos, a perda de eficiência institucional e a naturalização de hierarquias injustificadas, além de discutir caminhos possíveis para enfrentar esse déficit de legitimidade.
Quem indica: Talita Cury, empresária e conselheira de administração do Grupo Santa Clara
Direito do Agronegócio, de Arnaldo Rizzardo, Editora Forense
O livro sistematiza o arcabouço jurídico que rege a atividade agropecuária no Brasil, tratando o agronegócio como um setor com lógica própria e relações contratuais específicas. A obra aborda temas como propriedade rural, posse e uso da terra, contratos agrários, crédito rural, títulos do agronegócio, seguro, cooperativismo, responsabilidade civil, relações trabalhistas e questões ambientais.
O autor analisa a legislação aplicável, a jurisprudência consolidada e os conflitos recorrentes entre produtores, empresas, instituições financeiras e o poder público. O texto adota linguagem técnica, com foco prático, voltada a advogados, gestores, produtores e agentes financeiros que atuam no setor. O livro apresenta o direito como instrumento de organização da atividade produtiva, segurança jurídica e previsibilidade nas relações econômicas do campo.
Quem indica: Flávia Raucci, pecuarista e gestora da Agroalvorada e sócia-fundadora da Facchini Empreendimentos
A invenção da natureza, de Andrea Wulf, Editora Crítica

A invenção da natureza reconstrói a trajetória intelectual e científica de Alexander von Humboldt e mostra como suas ideias alteraram a forma de compreender o mundo natural. A obra acompanha expedições realizadas no século 19 pela América Latina, Europa e Ásia, descrevendo observações sobre clima, vegetação, relevo e biodiversidade feitas de maneira integrada, e não fragmentada.
O livro demonstra como Humboldt passou a enxergar a natureza como um sistema interligado, no qual ações humanas produzem efeitos em cadeia. Essa visão influenciou áreas como geografia, ecologia, climatologia e biologia, além de pensadores como Darwin e Goethe. O texto articula ciência, história e política ao mostrar como o pensamento humboldtiano antecipou debates atuais sobre desmatamento, mudanças climáticas e relação entre sociedade e meio ambiente.
Quem indica: Tita Lancsarics, diretora da Agrícola Anamelia – BrangusHP
Roberto Rodrigues, o semeador, de Ricardo Viveiros, Editora DISRUPTalks
O Semeador reúne reflexões construídas ao longo de décadas de atuação no agronegócio brasileiro, combinando trajetória pessoal, formulação de políticas públicas e visão estratégica do setor. O texto percorre temas como produção de alimentos, segurança alimentar, organização de cadeias produtivas, papel das cooperativas, comércio internacional e inserção do Brasil no mercado global.
A narrativa conecta decisões tomadas no campo, na academia e na gestão pública, mostrando como planejamento, diálogo institucional e base técnica sustentam resultados de longo prazo. A obra também aborda desafios estruturais do agro, como infraestrutura, crédito, inovação, sustentabilidade e governança, sempre a partir da experiência prática. O livro apresenta o agronegócio como atividade econômica central para o país e como instrumento de desenvolvimento, geração de renda e estabilidade social, ancorado em conhecimento, coordenação e visão de futuro.
Quem indica: Eliane Massari, advogada e diretora da FMS Agropecuária
Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski, Editora Martin Claret
Os irmãos Karamázov acompanha o conflito moral, intelectual e emocional de uma família marcada por violência, abandono e disputa por herança. A narrativa se organiza em torno de três irmãos com visões de mundo opostas: razão, fé e instinto, todos ligados a um pai autoritário e dissoluto cujo assassinato desencadeia o núcleo da trama. O romance examina responsabilidade individual, culpa, livre-arbítrio, justiça e a existência de Deus, colocando personagens diante de dilemas éticos extremos.
O julgamento que atravessa a história funciona como síntese das tensões morais acumuladas, expondo falhas institucionais e contradições humanas. A obra articula psicologia, filosofia e crítica social ao retratar como escolhas pessoais reverberam em consequências coletivas, tornando-se um estudo profundo sobre consciência, poder e limite moral.
Quem indica: Letícia Jacintho, produtora rural e presidente da Associação De Olho no Material Escolar
O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe, Editora Biblioteca Azul
O filho de mil homens acompanha personagens marcados por solidão, rejeição e inadequação social em uma pequena comunidade litorânea. A narrativa se organiza em torno de vínculos construídos fora dos modelos tradicionais de família, mostrando como afeto, cuidado e escolha podem substituir laços biológicos.
O texto trata de paternidade, pertencimento, identidade e desejo de aceitação, expondo violências simbólicas e morais impostas a quem não se encaixa em normas sociais rígidas. A escrita, direta e concentrada, sustenta uma reflexão sobre responsabilidade afetiva e construção de sentido coletivo. O livro propõe que a família pode nascer do encontro entre fragilidades compartilhadas, onde o compromisso com o outro redefine o que é origem, herança e futuro.
Quem indica: Grazielle Parenti, VP de sustentabilidade na Vale e conselheira da Alvoar Lácteos
Quando Nietzsche chorou, de Irvin D. Yalom, Editora Ediouro
O livro constrói uma narrativa ficcional a partir do encontro entre o filósofo Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, um dos precursores da psicanálise, na Viena do fim do século 19. O romance articula filosofia e psicoterapia ao colocar os dois personagens em um jogo intelectual no qual sofrimento, desejo, liberdade e sentido da vida são examinados em diálogo contínuo.
A trama aborda temas como depressão, solidão, medo da morte, responsabilidade pelas próprias escolhas e limites da razão. Ao longo das conversas, posições de mestre e paciente se alternam, revelando vulnerabilidades e conflitos internos. O livro utiliza a ficção para explorar conceitos filosóficos e psicológicos de forma acessível, mostrando como o enfrentamento do sofrimento pode transformar a maneira de existir e de decidir.
Quem indica: Simone Silotti, produtora rural e consultora em inteligência tributária para o agro
Mil milhas, de Tamara Klink, Editora Peirópolis
Mil Milhas conta a travessia solitária realizada por Tamara Klink entre a França e a Islândia a bordo de um pequeno veleiro, aos 23 anos. O livro descreve a rotina de navegação em mar aberto, as decisões técnicas exigidas pela travessia e os riscos enfrentados em condições climáticas extremas, como frio intenso, tempestades e longos períodos de isolamento.
A narrativa combina diário de bordo, observação prática e reflexão pessoal sobre autonomia, medo, disciplina e responsabilidade. Sem recorrer a idealizações, o texto mostra o preparo físico e mental necessário para sustentar uma jornada desse porte, na qual cada escolha tem impacto direto na sobrevivência. A obra trata de independência, planejamento e persistência, a partir de uma experiência conduzida sem apoio externo.
Quem indica: Mariana Soletti Beckheuser, presidente executiva da Beckhauser
Por que as nações fracassam: As origens do poder, da prosperidade e da pobreza, de Daron Acemoglu e James A. Robinson, Editora Intrínseca
Por que as nações fracassam analisa as causas estruturais das diferenças de riqueza e desenvolvimento entre países ao longo da história. A obra sustenta que o desempenho econômico não é explicado por fatores geográficos, culturais ou climáticos, mas pela forma como instituições políticas e econômicas são organizadas.
Os autores distinguem instituições inclusivas, que distribuem poder, garantem direitos de propriedade e estimulam inovação, de instituições extrativas, concentradoras de renda e autoridade. A partir de exemplos históricos que vão do Império Romano à América Latina contemporânea, o livro mostra como decisões políticas moldam incentivos econômicos e trajetórias nacionais. A análise conecta poder, desigualdade e prosperidade, demonstrando que crescimento sustentável depende de arranjos institucionais que permitam participação ampla, previsibilidade e limites ao exercício arbitrário do poder.
Quem indica: Cintia Cristina Ticianeli, sócia e CFO na Agro Serra Industrial.
Cultura geral: Tudo o que se deve saber, de Dietrich Schwanitz, Editora WMF Martins Fontes
Cultura geral: Tudo o que se deve saber apresenta um panorama organizado do conhecimento considerado fundamental para a formação intelectual no Ocidente. A obra percorre literatura, filosofia, história, ciência, artes, música e religião, conectando autores, ideias e movimentos que moldaram o pensamento europeu e ocidental.
O texto não se estrutura como enciclopédia, mas como um guia de leitura e compreensão, explicando por que certos temas, obras e conceitos permanecem centrais ao longo do tempo. Schwanitz discute desde a Antiguidade clássica até a modernidade, relacionando produção cultural, contexto histórico e transformações sociais. O livro propõe a cultura geral como instrumento de orientação intelectual, capaz de ampliar repertório, qualificar argumentos e facilitar a leitura crítica do mundo contemporâneo.
Quem indica: Helen Jacintho, engenheira de alimentos e produtora rural no Grupo Continental.









