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Palermo Abre Circuito do Cone Sul com Ofensiva para Liberar US$ 20 Bi Ao Agro Argentino

A Exposição Rural de Buenos Aires encerrou neste domingo (26) sua 138ª edição; saiba o pensa Nicolás Pino, presidente da Sociedade Rural Argentina

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A Exposição Rural de Palermo abriu o circuito das principais exposições agropecuárias do Cone Sul em 2026. Realizada entre 16 e 26 de julho, em Buenos Aires, a feira antecede a Expointer, em Esteio (RS), de 29 de agosto a 6 de setembro, e a Expo Rural del Prado, em Montevidéu, entre 11 e 20 de setembro. No encerramento da programação, neste domingo (26), o presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Nicolás Pino, apresentou a agenda da entidade para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a competitividade e ampliar os investimentos privados no setor.

“A Argentina precisa confiar no campo. O campo nunca vai deixar o país para trás”, afirmou Pino ao defender a eliminação definitiva das retenções sobre as exportações agropecuárias. Segundo ele, a redução parcial do tributo permitiu que aproximadamente US$ 6 bilhões permanecessem nas propriedades rurais e fossem destinados à compra de máquinas, genética, recuperação de pastagens e investimentos na estrutura produtiva.

Ao completar 160 anos, a Sociedade Rural Argentina apresentou um retrato da dimensão econômica do agronegócio no país. “Somos um setor que gera riqueza, trabalho e desenvolvimento em cada região da Argentina”, afirmou Pino. Segundo a entidade, as cadeias agropecuárias movimentam mais de US$ 83 bilhões por ano, resultado da soma de US$ 40 bilhões gerados pela agricultura, US$ 34 bilhões pela pecuária e US$ 11,5 bilhões pelas produções regionais. O setor responde por mais de 4 milhões de empregos em todo o país.

A principal reivindicação da SRA continua concentrada nas retenções cobradas sobre as exportações. “As retenções nunca deveriam ter existido e muito menos continuar existindo”, disse Pino. Segundo a entidade, esse mecanismo retirou aproximadamente US$ 215 bilhões da agropecuária argentina desde 2002. A avaliação é que a redução parcial do imposto acelerou novos investimentos e contribuiu para ampliar a produção em diferentes cadeias.

Entre os indicadores apresentados pela entidade estão crescimento de 34% na produção de milho, duplicação da safra de girassol para 7,5 milhões de toneladas e uma colheita recorde de 30 milhões de toneladas de trigo, além da expansão das cadeias de carne, ovos e mel.

“Quando o produtor tem recursos, investe imediatamente na própria atividade”, afirmou Pino ao relacionar esses resultados ao aumento dos investimentos nas propriedades rurais.

A projeção da Sociedade Rural Argentina indica que a combinação de estabilidade econômica, redução da carga tributária, crédito de longo prazo e investimentos em infraestrutura permitiria elevar em 50% a produção de cereais e oleaginosas, acrescentar 1 milhão de toneladas de carne, ampliar em 2 bilhões de litros a produção anual de leite e gerar US$ 20 bilhões adicionais por ano para a economia argentina. “Temos todas as condições para produzir muito mais”, afirmou Pino.

O dirigente também citou a redução da inflação, o equilíbrio fiscal, a estabilidade cambial e a queda do risco-país como fatores que ampliam a previsibilidade para os investimentos privados, mas defendeu a continuidade das reformas econômicas. A agenda da entidade inclui investimentos em estradas rurais, ferrovias, portos, obras de prevenção de enchentes, conectividade digital e linhas de crédito compatíveis com o ciclo da atividade agropecuária. “Um crédito que não pode ser pago não é crédito. É uma falência anunciada”, afirmou.

Agricultura de precisão, inteligência artificial, drones, robótica, sensores remotos, genética avançada e sistemas de rastreabilidade aparecem entre as prioridades da entidade para elevar a produtividade e atender às exigências dos mercados internacionais em sustentabilidade, redução da pegada de carbono e bem-estar animal. “A inovação e o conhecimento são o caminho para produzir mais e melhor”, afirmou Pino.

Entre as propostas institucionais, a Sociedade Rural Argentina defende a modernização do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) e da legislação de sementes, além da consolidação do mercado de carbono com reconhecimento do direito de propriedade sobre os serviços ecossistêmicos gerados nas áreas rurais. A entidade também apoia o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia, melhorias na Hidrovia Paraná-Paraguai e maior inserção internacional dos produtos argentinos. Pino informou que a atual diretoria percorreu mais de 1 milhão de quilômetros durante a gestão para ampliar a presença da entidade nas diferentes regiões produtoras do país.

“O campo não está na vereda de enfrente das demais atividades produtivas. O campo nos une”, afirmou Pino ao defender uma estratégia nacional que integre agropecuária, petróleo, gás, mineração, indústria do conhecimento e turismo como plataformas para ampliar a geração de investimentos, renda e empregos na Argentina.

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