O Ibovespa encerrou em alta nesta segunda-feira, puxada por ações dos bancos e da Vale, em meio ao otimismo dos investidores sobre a trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã neste final de semana, que derrubou os preços do petróleo. O índice subiu 0,74%, cotado a 175.334,46 pontos, depois de oscilar na máxima a 175.555,23 e na mínima a 174.048,13. O volume de negócios foi de R$ 19,37 bilhões, ante média no ano de R$ 33,7 bilhões.
O final de semana foi marcado por uma pausa nas hostilidades dos EUA e do Irã, com o embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, afirmando ao programa “Fox News Sunday” e os outros meios de comunicação que o presidente Donald Trump decidiu suspender os ataques dos EUA para dar mais tempo à diplomacia.
Enquanto isso, o Irã sinalizou que suspenderá seus ataques enquanto os EUA mantiverem a pausa nos ataques aéreos contra o país.
Apesar das ações das petrolíferas, como a Petrobras, terem fechado a ponta negativa do Ibovespa, recuando entre 2,8% e 3,3%, a Vale subiu 0,6% e bancos como Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Santander Brasil subiram entre 0,7% e 3,9%.
Os papéis da processadora de proteína MBRF tiveram uma segunda sessão de alta forte, encerrando com valorização de 7,1% depois de cravarem alta de quase 5% na sexta-feira, em meio aos desdobramentos sobre as abordagens do anúncio de novas tarifas de importação dos EUA no final da semana passada. Minerva, outra grande exportadora brasileira de carne, atingiu alta de 1,17%.
Na agenda de balanços do segundo trimestre, a Telefônica Brasil e a TIM divulgam seus números do período de abril ao final de junho ainda nesta segunda. Os papéis das empresas fecharam o dia em alta de 1,8% e 0,14%, respectivamente.
Dólar sobe acompanhando exterior
O dólar fechou em alta no Brasil, acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior, que seguiu forte mesmo em meio ao alívio nos mercados globais após a trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã. O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,62%, aos R$ 5,11. Às 17h06, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,42% na B3, aos R$ 5,12.
Petróleo fecha no nível mais baixo em mais de uma semana
Os preços do petróleo caíram nesta segunda-feira, fechando nos níveis mais baixos em mais de uma semana, depois que os Estados Unidos suspenderam abruptamente uma campanha de ataques aéreos contra o Irã no fim de semana, aumentando as esperanças de uma solução diplomática que permita a retomada do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Os contratos futuros do petróleo Brent caíram US$ 8,42, ou 8,7%, fechando a US$ 88,36 o barril, o menor valor desde 17 de julho. Os contratos futuros do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos caíram US$ 6,70, ou 7,5%, fechando a US$ 82,61, o menor valor desde 16 de julho.
Os futuros do Brent ultrapassaram US$ 100 por barril na semana passada, à medida que o conflito — que reduziu os embarques de petróleo pelo Estreito de Ormuz — se espalhou para o Mar Vermelho. Isso prejudicou as exportações da Arábia Saudita, maior exportadora mundial, para a Ásia pelo Estreito de Bab el-Mandeb.
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse ao programa “Fox News Sunday” e a outras mídias dos EUA que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques dos EUA para dar mais tempo à diplomacia.
Trump afirmou nesta segunda-feira que os EUA estão mantendo “boas negociações” com o Irã e que “há uma boa chance de que algo possa acontecer” em relação a um possível acordo. Ele também ameaçou com uma “forte ação militar” caso a diplomacia fracasse.
Os preços do petróleo caíram ao longo da sessão desta segunda-feira, enquanto as defesas aéreas da Arábia Saudita interceptavam e destruíam drones lançados do Iraque. Os houthis do Iêmen alegaram ter atacado locais sensíveis de abastecimento e transporte de petróleo que ligam o leste da Arábia Saudita ao importante centro de exportação de petróleo de Yanbu, no Mar Vermelho.
“O mercado parece estar sempre em busca de boas notícias em um cenário que, na verdade, não está oferecendo nenhuma”, disse o analista da PVM, John Evans.
“A suspensão dos ataques militares pode parecer uma melhora, mas não traz nenhuma garantia de que o petróleo voltará a fluir da região em breve”, disse ele. Ele afirmou que os futuros do petróleo só continuarão em queda se os níveis elevados de preços voltarem a prejudicar a demanda, e não devido a “mini-cessações de fogo questionáveis”.