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Guerra no Oriente Médio Pode Afetar Comércio de Carne Bovina do Brasil, Diz Abiec

Destino de cerca de 10% dos embarques do produto do Brasil podem sofrer consequências, segundo Roberto Perosa

4 min

Exportadores brasileiros de carne bovina estão preocupados com um possível prolongamento do conflito no Oriente Médio, destino de cerca de 10% dos embarques do produto do Brasil, disse Roberto Perosa, presidente da Abiec, em entrevista à Reuters nesta terça-feira (3).

Perosa afirmou que as empresas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estimam que de 30% a 40% dos embarques também passem pelo Oriente Médio antes de chegar aos mercados do Sudeste Asiático e da China, tornando a situação extremamente preocupante.

“Não há nada que possamos fazer”, disse ele por telefone. “Está fora do nosso controle.”

Em 2025, o Oriente Médio foi um dos principais destinos da proteína animal brasileira e os portos da região são fundamentais na organização desse comércio. Dados de associações setoriais e do governo federal mostram expansão das vendas de carne bovina e de frango para a região, impulsionadas pela demanda por alimentos com certificação Halal e pela segurança sanitária do Brasil.

Na carne bovina, o país registrou o maior volume exportado da história. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações globais somaram 3,50 milhões de toneladas, com receita de US$ 18,03 bilhões em 2025.

O Oriente Médio ampliou participação nesse fluxo, com forte crescimento em mercados específicos. O Egito elevou as compras em 222,5% em volume, com receita de US$ 375,35 milhões. Os Emirados Árabes Unidos registraram expansão de 176,1% nas importações. A Argélia, mercado do Magrebe com forte integração comercial com países árabes, ampliou as compras em 292,6%. A Arábia Saudita movimentou US$ 333,10 milhões em carne bovina brasileira, alta de 29,9% em relação a 2024.

Na carne de frango, o Brasil manteve a liderança mundial nas exportações. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e o MDIC, as vendas externas totalizaram 5,32 milhões de toneladas e US$ 9,79 bilhões em receita no ano.

O Oriente Médio permanece como principal parceiro histórico do setor. A região importou US$ 3,08 bilhões em frango brasileiro em 2025. Os Emirados Árabes Unidos foram o maior destino global em volume, com 479,9 mil toneladas, crescimento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ocupou a terceira posição entre os compradores mundiais, com 397,2 mil toneladas, alta de 7,1%.

O Brasil responde por cerca de 38% do comércio internacional de carne de frango. Executivos do setor afirmam que a escala produtiva brasileira mantém o país como fornecedor central para o abastecimento alimentar da região.

No caso da carne suína, o Oriente Médio tem participação menor nas exportações brasileiras por restrições religiosas em parte dos países. Ainda assim, o Brasil alcançou em 2025 a posição de terceiro maior exportador mundial, ultrapassando o Canadá.

Segundo a ABPA, o país embarcou 1,51 milhão de toneladas de carne suína no ano, com receita de US$ 3,61 bilhões, crescimento de 11,6% no volume exportado. A estratégia na região concentra-se em nichos de consumo, sobretudo em centros urbanos com grande presença de expatriados, como Dubai e Doha, além de mercados próximos do Cáucaso.

A escalada do conflito no Oriente Médio começou a prejudicar a logística das exportações brasileiras de carne de frango, mas ainda sem cancelamento de embarques já programados ou impacto financeiro mensurável. Segundo comunicado da ABPA, a entidade acompanha com atenção os desdobramentos da situação no Oriente Médio e seus reflexos sobre o transporte marítimo internacional. Alguns dos “principais armadores globais anunciaram medidas preventivas, incluindo suspensão de novas reservas e redirecionamento de rotas, em função do cenário de segurança na região. Essas decisões podem gerar impactos pontuais sobre prazos, custos logísticos e disponibilidade de equipamentos, especialmente para cargas refrigeradas”.

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