O governo federal lançou nesta terça-feira (30) o Plano Safra 2026/2027 para a agricultura empresarial com R$ 525,1 bilhões em crédito rural, volume R$ 9 bilhões superior ao disponibilizado no ciclo anterior.
O programa concentra recursos para custeio, comercialização e investimentos voltados aos médios e grandes produtores, em uma estratégia que busca ampliar a produção agropecuária, estimular a modernização das propriedades e fortalecer a competitividade do agronegócio brasileiro.
O anúncio oficial foi feito por volta das 10h (horário de Brasília), durante cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, do ministro da Fazenda, Dario Durigan, e demais autoridades como o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados e de representantes do setor como Guilherme Nolasco, diretor de relações governamentais e políticas públicas da Inpasa, produtora de etanol a partir do processamento de milho e sorgo.
“Lançamos hoje, pelo quarto ano consecutivo, o maior Plano Safra da história do Brasil”, disse André de Paula. “Mas não é apenas o anúncio de um novo volume de crédito: é a reafirmação de um compromisso com quem produz, com quem gera emprego, com quem alimenta o Brasil e ajuda a alimentar o mundo.”
Mais recursos para a próxima safra


Do total previsto, R$ 384,9 bilhões serão destinados às operações de custeio e comercialização, responsáveis pelo financiamento de despesas como aquisição de insumos, condução das lavouras, manutenção dos rebanhos e apoio à comercialização da produção.
Outros R$ 140,2 bilhões abastecerão as linhas de investimento, direcionadas à ampliação da capacidade produtiva, irrigação, armazenagem, inovação tecnológica e renovação de máquinas e equipamentos.
“Os recursos destinados ao investimento avançam de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões de reais. Uma expansão superior a 38%, fortalecendo a modernização da agricultura brasileira,” disse o ministro da Agricultura.
Juros menores para ampliar o acesso ao crédito
A principal novidade da edição 2026/2027 está na redução das taxas máximas de juros em algumas das principais linhas de crédito, movimento favorecido pelo cenário de queda da taxa básica de juros da economia.
“Mesmo num cenário de taxa de juros alta no país, com política monetária bastante contracionista, a gente conseguiu fazer um esforço de redução das taxas de juros em todas as linhas para o agronegócio empresarial”, disse Dario Durigan, durante a cerimônia.
“Os juros que eram de 14% vieram para 12,5% ao ano, e o que era 10% caiu para 9%”, diz Alckmin. “Vejam que a Selic caiu ao longo do período, mas os juros do plano caíram proporcionalmente mais de 10%. Entregamos o menor juro com o maior volume de recursos para o Plano Safra.”
No Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), o volume de recursos chega a R$ 72,6 bilhões, com taxa máxima de juros de 9% ao ano. A expectativa é ampliar o acesso ao crédito para um segmento considerado estratégico na produção de alimentos e na geração de empregos no interior do País.
Incentivo à produção sustentável
A sustentabilidade também ganhou espaço na nova edição do Plano Safra. Produtores que mantiverem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado poderão obter desconto de até 0,5 ponto percentual na taxa de custeio.
Outro abatimento de até 0,5 ponto percentual será concedido para propriedades que adotarem práticas agropecuárias sustentáveis ou certificações reconhecidas, permitindo redução total de até um ponto percentual nos juros.
Seguro rural ganha protagonismo
Na gestão de riscos, o governo reforçou o papel do Proagro e do seguro rural como instrumentos centrais para proteção da produção.
A renegociação de operações de custeio agrícola passa a estar condicionada, em determinadas situações, à contratação de mecanismos de cobertura, buscando ampliar a cultura de gestão de riscos no setor e reduzir a dependência de medidas emergenciais após perdas provocadas por eventos climáticos.
Modernização e infraestrutura no campo
Os investimentos seguem como um dos principais pilares do programa. Entre as prioridades estão projetos voltados à irrigação, recuperação de áreas produtivas, inovação tecnológica e expansão da infraestrutura dentro das propriedades.
O InvestAgro também foi ampliado para contemplar sistemas de geração e armazenamento de energia renovável, incluindo projetos de energia solar, biomassa, eólica e cogeração.
A armazenagem permanece entre os focos do governo. As linhas de financiamento poderão ser utilizadas para construção, ampliação e modernização de armazéns e câmaras frias, com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a logística e oferecer maior flexibilidade para comercialização da produção.
Crédito com novas fontes de financiamento
Além do aumento no volume de recursos, o Plano Safra 2026/2027 amplia a participação de diferentes fontes de financiamento, combinando recursos controlados, equalizados, não equalizados e fontes privadas de mercado. A estratégia busca diversificar a oferta de crédito e atender diferentes perfis de produtores e modalidades de financiamento.
Com a nova edição, o governo aposta na combinação entre maior disponibilidade de crédito, redução dos custos financeiros, incentivo à adoção de práticas sustentáveis, fortalecimento da gestão de riscos e expansão dos investimentos como instrumentos para sustentar o crescimento da agricultura empresarial brasileira na próxima safra.
Novas portarias: El Niño e Critérios de exportação de coprodutos do milho
No final da cerimônia, André de Paulta formalizou duas portarias. Uma para a criação de um grupo de trabalho especial (com MAPA, Inmet e Embrapa) para mitigar os impactos do fenômeno El Niño na agropecuária, e a segundo, que cria a regulamentação nacional dos critérios de qualidade e exportação do DDG/DDGS (coproduto do etanol de milho).
“Esse é o resultado de mais de dois anos de trabalho técnico, diálogo e construção conjunta entre o Ministério da Agricultura, a academia e o setor privado”, diz Guilherme Nolasco, da Inpasa. “Esse é um exemplo claro de como políticas públicas vêm sendo construídas, gerando segurança jurídica, organizando mercados e estimulando investimentos para quem produz.”