A combinação entre maior volume vendido, expansão comercial e ganhos de eficiência ajudou a MBRF a atravessar o segundo trimestre de 2026 com números superiores aos registrados um ano antes. A companhia fechou o período com receita líquida de R$ 40,7 bilhões, alta de 4,9% na comparação anual, e EBITDA ajustado de R$ 3,2 bilhões, crescimento de 5,4%. O volume comercializado chegou a 1,969 milhão de toneladas, recorde para um segundo trimestre.
O desempenho ganha relevância porque ocorre em um cenário macroeconômico ainda pressionado e no primeiro ano de integração dos negócios que deram origem à MBRF. A companhia conseguiu combinar crescimento operacional com redução de despesas e captura de sinergias, enquanto avançou na integração comercial entre as diferentes plataformas de proteína.
O lucro líquido, porém, foi bem mais estreito: R$ 69 milhões no trimestre. O resultado mostra que o avanço operacional ainda convive com uma estrutura financeira que limita a conversão desse desempenho em lucro final.
“Os números apresentados refletem a solidez do nosso modelo de negócios, a qualidade da execução das nossas equipes e os avanços na integração das operações”, afirmou Marcos Molina, chairman da MBRF. Para Miguel Gularte, CEO da companhia, a evolução operacional e comercial e a captura de sinergias reforçam a perspectiva para o segundo semestre.
A integração começa a aparecer na operação
Um dos principais efeitos da combinação entre os negócios está na integração comercial. No Brasil, a companhia ampliou o portfólio de produtos bovinos para mais de 20 mil novos pontos de venda. O movimento permite levar produtos de diferentes proteínas a uma base maior de clientes e é um dos efeitos mais visíveis da chamada plataforma multiproteína.
Na operação BRF, a receita líquida chegou a R$ 15,4 bilhões. O EBITDA ajustado cresceu 3,8%, com margem de 16,8%. No mercado brasileiro, o volume vendido avançou 4,6% em relação ao primeiro trimestre, sustentado pela expansão da base de clientes e pelos níveis de serviço.
No mercado internacional, a companhia também ampliou as alternativas comerciais. A evolução dos preços em dólar das exportações brasileiras e 34 novas habilitações para mercados externos ajudaram a criar espaço para captura de valor. Na Turquia, a rentabilidade avançou, favorecida pelo consumo durante a temporada de churrasco e pelo desempenho dos produtos processados.
O movimento mostra uma característica importante da nova companhia: a escala não está apenas no tamanho da produção, mas na possibilidade de utilizar uma mesma estrutura comercial para diferentes categorias de proteína.
Sadia Halal acelera rentabilidade
Entre as operações, a Sadia Halal apresentou um dos resultados mais expressivos. A receita líquida chegou a US$ 590 milhões, alta de 16,6% sobre o segundo trimestre de 2025. O EBITDA ajustado praticamente dobrou, alcançando US$ 95 milhões, avanço de 104,3%.
A margem EBITDA ajustada passou a 16,1%, aumento de 6,9 pontos percentuais e novo recorde para a operação.
O resultado ocorreu em meio a um ambiente geopolítico desafiador no Oriente Médio. Segundo Fabio Mariano, CEO da Sadia Halal e vice-presidente do mercado Halal da MBRF, a presença da companhia na região há mais de cinco décadas e a estrutura logística foram importantes para manter o abastecimento.
A operação ajuda a mostrar como a diversificação geográfica pode funcionar como uma ferramenta de gestão de risco. Em vez de depender de um único mercado, a companhia consegue distribuir suas vendas entre regiões com ciclos de consumo e condições de mercado diferentes.
Bovinos sustentam crescimento fora do Brasil
Nas operações de bovinos, a América do Norte também apresentou crescimento. O volume vendido passou de 468 mil para 477 mil toneladas, alta de 2%, mesmo com menor disponibilidade de gado. O aumento do peso médio das carcaças e a demanda firme ajudaram a manter os preços em níveis elevados.
A receita líquida da região chegou a US$ 3,748 bilhões, crescimento de 14,9% em relação aos US$ 3,263 bilhões do segundo trimestre do ano passado.
Na América do Sul, o desempenho foi ainda mais forte. A receita líquida alcançou R$ 6,389 bilhões, alta de 26,4%, enquanto o EBITDA ajustado avançou 22,1%, para R$ 570 milhões.
O resultado foi sustentado pela expansão da capacidade produtiva, ganhos de produtividade e demanda externa por carne bovina. A região, portanto, contribuiu não apenas com maior faturamento, mas também com expansão do resultado operacional.
Eficiência vira peça central da fusão
Se a expansão das vendas ajuda a explicar o crescimento da receita, os ganhos de eficiência são fundamentais para entender o avanço do EBITDA. No segundo trimestre, a MBRF capturou R$ 158 milhões em sinergias relacionadas à integração dos negócios. Os ganhos vieram de áreas como comercial, suprimentos, logística e estrutura corporativa.
Outro R$ 328 milhões foram gerados pelo programa MBRF+, que reúne iniciativas de produtividade, melhoria contínua e eficiência. O programa já contempla as operações de Beef América do Sul e BRF e começa a ser aplicado de maneira mais ampla dentro da companhia.
Um dos sinais mais concretos dessa busca por eficiência foi a redução de 13% nas despesas administrativas consolidadas na comparação anual.