O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (26), uma proclamação publicada na whitehouse.gov, que aumenta temporariamente em 300 mil toneladas a quantidade de aparas de carne bovina magra sujeita à tarifa aplicada dentro da cota de importação do país. O volume será dividido em três parcelas de 100 mil toneladas entre setembro e novembro e destinado integralmente à categoria “outros países ou áreas”, em uma tentativa do governo americano de ampliar a oferta de carne bovina e conter os preços pagos pelos consumidores.
“A iniciativa pode representar uma oportunidade para o setor brasileiro, embora o Brasil não seja o único país que poderá se beneficiar da ampliação”, afirmou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, Abiec, em posicionamento divulgado após a publicação da medida. A entidade acrescentou que a decisão estabelece uma condição de preço para o produto comercializado no mercado americano, o que, em sua avaliação, limita ganhos imediatos de margem para a indústria.

A proclamação determina que as 300 mil toneladas adicionais sejam aplicadas apenas a aparas de carne bovina magra classificadas nos códigos 0201.30.5091, 0201.30.5097, 0202.30.5091 e 0202.30.5097 da tabela tarifária dos Estados Unidos. O texto estabelece ainda que a nova quantidade será administrada por ordem de chegada, no sistema “first come, first served”.
A primeira parcela, de 100 mil toneladas, será aberta em 1º de setembro e encerrada em 30 de setembro. A segunda, de mesmo volume, ficará disponível de 1º a 30 de outubro. A terceira será aberta em 31 de outubro e permanecerá válida até que as 100 mil toneladas restantes sejam integralmente preenchidas ou até 30 de novembro, o que ocorrer primeiro. A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, CBP, recebeu a determinação de assegurar que todos os países elegíveis tenham acesso ao aumento temporário da cota.
A decisão desta quarta-feira sucede outra medida assinada por Trump em fevereiro, quando o governo americano aumentou em 80 mil toneladas métricas a quantidade dentro da cota para aparas de carne bovina magra provenientes da Argentina em 2026. O novo texto estabelece expressamente que as 300 mil toneladas adicionais não alteram o volume já destinado aos argentinos.
Na justificativa para a nova abertura, Trump afirma que a oferta americana de produtos de carne bovina continua insuficiente para atender à demanda interna a preços considerados razoáveis. A proclamação cita a contração da oferta no setor, a continuidade das restrições à importação de animais vivos do México por causa da mosca da bicheira do Novo Mundo, além de seca e incêndios florestais nas regiões produtoras de gado. O documento registra que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta queda de cerca de 4% na produção de carne bovina em 2026 na comparação com 2025.
O governo americano também relaciona a decisão ao consumo interno. Segundo a proclamação, o Departamento de Agricultura prevê aumento do consumo de carne bovina durante o restante de 2026, enquanto os preços permanecem elevados. Trump afirma no documento que a ampliação da cota é necessária para aumentar a disponibilidade de carne moída e atender à demanda doméstica.
A medida inclui uma condição adicional de acompanhamento dos preços. O secretário de Agricultura e o representante comercial dos Estados Unidos deverão monitorar se as aparas importadas dentro da quantidade ampliada estão sendo vendidas a preço 25% inferior ao preço de mercado das aparas de carne bovina magra. Caso concluam que essa diferença não está sendo praticada, deverão informar o presidente, que poderá eliminar o saldo remanescente da nova cota.
A Abiec destacou esse ponto ao avaliar os efeitos para as empresas brasileiras. Segundo a associação, a ampliação pode gerar oportunidades comerciais, mas a exigência prevista pela decisão reduz a possibilidade de ganhos imediatos de margem. A entidade informou que acompanhará a implementação da medida e que o setor trabalhará para adequar sua produção à demanda americana.
A associação também afirmou que a abertura nos Estados Unidos não substitui o mercado chinês para a carne brasileira. “China e Estados Unidos demandam produtos com características e perfis distintos”, informou a Abiec, que classificou os dois destinos como mercados complementares dentro da estratégia de diversificação das exportações brasileiras.