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Preço dos Fertilizantes Recua, Mas Margens do Agronegócio Seguem Pressionadas

Preços globais recuaram dos picos, mas fosfatos seguem caros e Rabobank prevê pressão sobre produtores; no Brasil, entregas devem cair para 45,1 milhões de toneladas em 2026

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Os preços globais dos fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados durante a guerra entre os EUA e o Irã, mas os agricultores ainda enfrentam dificuldades para arcar com esses custos, já que os preços relativamente baixos dos produtos agrícolas reduziram suas margens de lucro, afirmou o Rabobank nesta quarta-feira.

Cerca de um terço do fluxo de fertilizantes costuma passar pelo Estreito de Ormuz e tem sofrido grandes interrupções desde o início da guerra.

Motivo de especial de preocupação são os fertilizantes à base de fosfato, cujos preços dispararam na esteira da guerra entre os EUA e o Irã e, ao contrário da ureia à base de nitrogênio, não recuaram porque os preços do enxofre — insumo essencial para a produção de fosfatos — permanecem em níveis recordes.

O Oriente Médio é responsável por quase metade das exportações de enxofre, e os embarques caíram quase pela metade à medida que a guerra se prolongava.

O Rabobank espera que a acessibilidade dos fosfatos permaneça negativa até pelo menos julho do ano que vem. O banco afirmou que a retomada das exportações chinesas poderia trazer algum alívio, mas é improvável que reequilibre o mercado.

Apesar das restrições à acessibilidade dos fertilizantes, das interrupções no comércio e dos riscos climáticos, o banco afirmou que os mercados de commodities agrícolas continuam bem abastecidos no geral, graças ao acúmulo de estoques globais.

Embora se espere que a produção de milho, arroz e trigo diminua este ano, os altos estoques globais devem manter os preços dentro das faixas estabelecidas, mesmo que na extremidade superior, afirmou o banco.

“As tendências atuais da relação estoques/consumo não se assemelham ao forte aperto observado em meados dos anos 2000, e o mercado parece mais resiliente, com maior capacidade de absorver choques”, afirmou o Rabobank.

Mais reduções no mercado do Brasil são possíveis

No mesmo relatório, o Rabobank afirmou que mais ajustes negativos no mercado de fertilizantes do Brasil são possíveis, diante das condições complexas no Oriente Médio.

Contudo, o banco manteve em 45,1 milhões de toneladas a previsão das entregas de fertilizantes no Brasil em 2026, ante um recorde de 49,1 milhões em 2025.

O Rabobank lembrou que já havia reduzido a projeção de entregas em meados do ano, ante 47 milhões na previsão de abril.

O Brasil é um dos maiores importadores de fertilizantes do mundo e também um dos maiores consumidores.

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