No ponto: Eu explodo existe?

Para muitos, essa regra já foi implodida. Para os mais tradicionais, não. Por via das dúvidas, não custa ensinar.

Cíntia Chagas
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Faz pouco mais de dez dias que um famigerado verbo não sai da boca dos jornalistas brasileiros, o temido explodir

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Faz pouco mais de dez dias que um famigerado verbo não sai da boca dos jornalistas brasileiros, o temido explodir. Manchetes como “Rússia explode torre de TV.”, “Russos explodem usina nuclear.”, “Míssil russo explode usina na Ucrânia.” tornaram-se recorrentes. Daria até pra imaginar o Putin dizendo “A Ucrânia é minha, e eu explodo o que eu quiser”. Daria? Há controvérsias.

Ocorre que explodir é verbo defectivo, ou seja, defeituoso. E o problema em questão reside no fato de esse verbo não apresentar conjugação completa, pois ele não existe na primeira pessoa do singular do presente do indicativo (eu explodo). Sério, professora? Sério, seríssimo. E a mesma coisa acontece com implodir.

SAIBA MAIS: No ponto: ele está em Recife ou no Recife?

E o que fazer então? Como substituir o “eu explodo” em “A Ucrânia é minha, e eu explodo o que eu quiser.”? Bem, existem duas soluções. A primeira consiste em recorrer a um verbo auxiliar (vou explodir); a segunda, a um sinônimo (estourar). É de explodir os miolos, não é mesmo?

Para muitos, essa regra já foi implodida. Para os mais tradicionais, não. Por via das dúvidas, não custa ensinar. É isso.

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Até semana que vem.

Cíntia Chagas é uma professora e autora de dois best-sellers da editora HarperCollins e coleciona milhares de alunos nos cursos virtuais que ministra, além de ser palestrante e instagrammer.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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