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BNDES, Bradesco e Fundo Ecogreen Criam Certificadora Brasileira de Carbono

Ecora será a primeira certificadora nacional; a meta é fortalecer a infraestrutura climática e reduzir a dependência de organismos internacionais

3 min

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Bradesco e o Fundo Ecogreen anunciaram nesta terça-feira (11), durante a COP30, o lançamento da Ecora, certificadora brasileira de créditos de carbono. A Aecom, consultoria global em engenharia e sustentabilidade, é o advisor técnico do projeto.

A nova empresa foi criada para estruturar o mercado nacional de certificação e apoiar a transição para uma economia de baixo carbono. Segundo o BNDES, a Ecora atuará em todos os biomas brasileiros, com foco na rastreabilidade, transparência e credibilidade dos créditos gerados no país.

A operação será apoiada pela plataforma Conservare, que integrará dados públicos, gestão de projetos e análises geoespaciais para o monitoramento de todo o ciclo de vida dos créditos — da viabilidade à retirada. O modelo busca estabelecer padrões nacionais de governança e reduzir custos operacionais, principalmente para pequenos produtores.

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que o banco quer fortalecer o mercado de certificação no país e ampliar a competitividade internacional dos créditos brasileiros. “Esse projeto vai contribuir muito para reduzir o custo para os pequenos produtores, democratizar o acesso, impulsionar o mercado voluntário no Brasil e estabelecer o diálogo com a nova legislação que avança para o mercado regulado”, disse.

Na avaliação de Mercadante, a Ecora pode se diferenciar ao desenvolver metodologias adaptadas às realidades regionais. “Estamos avaliando diferentes formas de avançar com a agenda da certificação de carbono do Brasil, incluindo o apoio a iniciativas nacionais já em andamento.”

O diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, afirmou que o mercado de créditos de carbono é uma consequência direta das concessões florestais. “Uma das possíveis receitas das florestas que estão sendo concedidas é a geração de créditos de carbono. Vimos a necessidade de ampliar a capacidade de geração e adequar a certificação aos biomas brasileiros”, explicou.

O Bradesco participa do projeto com foco em soluções financeiras sustentáveis. Para o CEO Marcelo Noronha, o país tem potencial para se tornar referência mundial no tema. “O Brasil pode ser o principal hub de soluções de crédito de carbono do mundo. Estamos investindo em uma certificadora com profundo conhecimento do território nacional e dos seus biomas”, afirmou.

Hélio Barbosa Júnior, diretor do Fundo Ecogreen, destacou que o investimento reflete a confiança na liderança ambiental brasileira. “A Ecora nasce com alma brasileira e conexão global, aderindo aos mais altos padrões internacionais de referência e credibilidade”, disse.

O vice-presidente sênior da Aecom, Vicente Mello, classificou a iniciativa como um marco para a infraestrutura climática do país e do Sul Global. “Nosso objetivo é ajudar a construir um sistema cientificamente rigoroso e alinhado às realidades regionais. A Ecora será um passo fundamental no avanço da liderança do Brasil no mercado global de carbono.”

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