Incêndios florestais registram e aumento de temperaturas estão ameaçando décadas de crescimento florestal no hemisfério norte, podendo transformar importantes sumidouros de carbono em emissores de CO2, segundo um novo relatório da ONU divulgado nesta quarta-feira (5).
O relatório da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece, na sigla em inglês), divulgado antes da conferência climática COP30 no Brasil, constatou que as florestas na Europa, na América do Norte, no Cáucaso e na Ásia Central estão perdendo sua capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera.
Caso as tendências atuais persistam, essas florestas poderão atingir um ponto crítico em que começarão a liberar mais carbono do que absorvem, alertou o relatório.
Isso prejudicaria os esforços para cumprir a meta do Acordo de Paris de reduzir as emissões para aquecer o aquecimento global em 1,5 graus Celsius, já que essas florestas atualmente compensam uma grande parte das emissões de CO2 produzidas pelo homem, provenientes de combustíveis fósseis e do desmatamento.
As florestas do hemisfério norte armazenam cerca de metade do carbono do planeta.
FLORESTAS BOREAIS ÁRTICAS VULNERÁVEIS
“A mensagem é clara: tudo o que conquistamos nas últimas três décadas está agora seriamente ameaçado pela emergência climática”, afirmou Tatiana Molcean, secretária executiva da Unece, em comunicado.
O relatório destaca a vulnerabilidade das florestas boreais do Ártico, que abrigam quase metade das florestas primárias antigas do mundo e armazenam grandes quantidades de carbono. Essas ameaças são crescentes devido ao aumento das temperaturas e aos incêndios florestais.
De acordo com o relatório, o hemisfério norte abriga mais de 42% das florestas do mundo e quase metade de suas florestas primárias, mas está cada vez mais exposto a incêndios, graves e secos.
Esses fatores fizeram com que as florestas europeias absorvessem quase um terço a menos de CO2 anualmente entre 2020 e 2022, em comparação com o período de 2010 a 2014, segundo um estudo realizado pelo Centro Comum de Investigação da União Europeia.
“Não podemos dar ao luxo de perder a defesa natural mais poderosa do planeta”, disse Molcean. “A onda crescente de incêndios florestais e secos está levando nossas florestas a um ponto crítico.”
Na COP30, o Brasil lançará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que fornecerá financiamento a países que se comprometam com a preservação de suas florestas.