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Espanholas Dominam Leilão de Projetos de Transmissão de Energia no Brasil

Grupos Celeo, Cymi, Cox e Iberdrola se comprometeram com R$8,56 bilhões em investimentos para a construção de linhas e subestações energéticas

4 min

Empresas de origem espanhola dominaram o leilão de transmissão de energia realizado pelo governo brasileiro nesta sexta-feira (30), arrematando sete dos oito projetos ofertados para ampliar e reforçar a rede elétrica nacional.

Juntas, as unidades brasileiras dos grupos Celeo, Cymi, Cox e Iberdrola se comprometeram com R$8,56 bilhões em investimentos estimados para a construção de linhas e subestações de energia, de um total de R$8,9 bilhões de toda a licitação.

A forte concorrência entre as empresas participantes do certame, o segundo do segmento organizado neste ano, resultou em um desconto de 50,10% frente à receita anual permitida (RAP) máxima fixada pelos ativos, segundo cálculos da agência reguladora Aneel, o que se traduz em economia para os consumidores de energia.

Celeo e Cymi são nomes recorrentes nos leilões brasileiros de transmissão, embora nem sempre consigam superar a concorrência, a Cymi, por exemplo, foi um dos destaques do certame de março deste ano. Já a Neoenergia, da Iberdrola, também tem ampliado sua presença no segmento, no qual tem uma parceria com o fundo soberano GIC, de Cingapura.

Outros competidores frequentes, como Axia, Engie e o consórcio Olympus, da Alupar, adotaram uma postura mais conservadora nas disputas desta sexta-feira (30), enquanto transmissoras tradicionais, como ISA Energia e Taesa, não estiveram presentes.

Os lotes leiloados atendem a diferentes objetivos, como reforços para resiliência a eventos climáticos no Norte, a ampliação da capacidade de escoamento e integração de energias renováveis no Nordeste, além da viabilização de conexões de grandes cargas, como data centers no Sudeste.

Um dos empreendimentos também integra uma solução mais ampla de interconexão energética entre Brasil e Bolívia.

Espanholas vencedoras

A Celeo Redes Brasil ganhou a disputa pelo maior empreendimento do certame, devendo investir R$4,1 bilhão em obras estruturais que vão melhorar o atendimento elétrico a consumidores no Mato Grosso do Sul.

A empresa com origem na Espanha e que hoje integra o grupo Cobra IS, da francesa Vinci, também foi vencedora de um projeto em Rondônia, com previsão de mais R$753,2 milhões em aportes.

Já a Cymi arrematou dois empreendimentos, um em São Paulo, com R$1,07 bilhão em investimentos, e outro no Paraná, com mais R$982,5 milhões em desembolsos.

A Neoenergia, elétrica controlada pela Iberdrola, garantiu R$1,16 bilhão em novos investimentos em transmissão no Brasil, ao ganhar projetos para instalações na Bahia e Paraíba. Um dos lotes arrematados já era operado pela empresa, que buscou preservar sua concessão e protagonizou uma disputa acirrada em viva voz, marcada por 150 lances.

“Estamos muito contentes com o resultado do leilão de hoje… Nosso objetivo é (investir) em infraestrutura elétrica no Brasil, seja na distribuição, seja na transmissão de energia”, disse o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, a jornalistas após o leilão.

O executivo afirmou ainda que a companhia continuará avaliando participar dos próximos certames do segmento e que também analisará o projeto do novo bipolo, mas pontuou que “ativos tão grandes” não são tanto o perfil da Neoenergia, já que envolvem maior risco.

A lista de espanholas vencedoras contou ainda com a Cox, que levou um lote de R$480,25 milhões para obras de transmissão de energia no Paraná.

A portuguesa EDP fecha a lista de ganhadoras do leilão desta sexta-feira (30), com um projeto de obras entre Goiás e Bahia e R$317 milhões em aportes.

O CEO da EDP na América do Sul, João Brito, disse após o leilão que o ativo conquistado está dentro da expectativa de rentabilidade da companhia, que seguirá buscando novos negócios no segmento.

Bilhões em 2027

Para 2027, o Ministério de Minas e Energia deve ofertar mais R$50 bilhões em projetos de transmissão em três leilões. Desse total, cerca de R$30 bilhões em investimentos serão destinados a um novo bipolo de transmissão de energia em corrente contínua.

Considerando os montantes estimados para o próximo ano, as licitações de transmissão realizadas pelo governo brasileiro desde 2023 terão viabilizado quase R$120 bilhões em novos investimentos no país, apontou Thiago Prado, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

“A eletrificação da indústria e da frota, data centers, hidrogênio, no movimento de descarbonização, reforçam esse grande papel da transmissão (de energia) como elo integrador e promotor da transição energética brasileira”, afirmou Prado.

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