Aposentar-se na Itália é o sonho de muitas pessoas — e para aqueles que realizam esse sonho, ele não decepciona.
Com um grande acervo histórico, artístico e cultural concentrado em um território pequeno, além de uma culinária e vinicultura reconhecidas, o país oferece diversas possibilidades para quem se interessa por patrimônio cultural.
O que nem todos sabem é que a Itália também apresenta opções para atividades ao ar livre, com montanhas para esqui, extensas faixas litorâneas com praias certificadas, áreas rurais e parques nacionais.
Independentemente do estilo de vida desejado, há opções no país para diferentes perfis de aposentados. Confira
Brasileiros estão mesmo se aposentando na Itália?
A Itália é um destino cada vez mais procurado por brasileiros que desejam aproveitar a aposentadoria em um país europeu com rica cultura e qualidade de vida. Embora não haja estatísticas precisas sobre o número de brasileiros aposentados na Itália, muitos têm buscado essa opção, especialmente aqueles com ascendência italiana ou que desejam uma experiência de vida no exterior.
Além disso, o acordo previdenciário entre Brasil e Itália permite que os brasileiros aproveitem o tempo de contribuição no Brasil para se aposentar na Itália, facilitando o processo para quem deseja residir no país europeu.

Por que algumas pessoas preferem aposentar-se na Itália ao invés de outros países?
A Itália oferece diferentes estilos de vida: do campo à cidade, da praia às montanhas, de experiências luxuosas a formas de vida mais simples e autônomas.
Sua posição no Mediterrâneo garante um clima ameno na maior parte do ano. Mesmo no norte, onde há maior incidência de chuva, neblina e temperaturas mais baixas, o inverno não costuma ser extremo. No verão, porém, é comum enfrentar calor, umidade e dias ensolarados.
Com dois longos litorais banhados pelo Mediterrâneo e pelo Adriático, há acesso a praias e outras atividades aquáticas.
Em 2024, as cidades históricas da Itália receberam mais de 68 milhões de visitantes do mundo inteiro, um número recorde.
Desde o Império Romano até o Renascimento, o país preserva seu patrimônio. São 60 locais considerados Patrimônio Mundial da Unesco. Para efeito de comparação, a China tem 59, apesar de ser cerca de 32 vezes maior em extensão territorial.
A Itália também possui aeroportos internacionais em Roma e Milão, com voos diretos para o Brasil e vários destinos da Europa.
Esses fatores — somados à gastronomia, vinhos, arte, cultura e modo de vida — tornam a Itália um dos destinos mais procurados do mundo para aposentadoria.

Vantagens e desvantagens de se aposentar na Itália
Entre as vantagens:
- Grande concentração de arte e história.
- Qualidade de vida associada a custos acessíveis.
- A dieta mediterrânea é considerada uma das mais saudáveis.
- O inverno não é rigoroso.
- Há montanhas com infraestrutura para esportes de inverno.
- Com 485 praias certificadas com Bandeira Azul, a Itália ocupa o quarto lugar mundial nesse quesito, mesmo tendo um litoral menor do que os três países líderes.
Entre as desvantagens:
- É necessário aprender italiano para melhor adaptação.
- O norte é mais frio, úmido e com maior incidência de neblina.
- O calor e a umidade são intensos no verão, exceto em regiões montanhosas.
- Cidades podem ter alto custo de vida e concentração de turistas.
- O fuso horário pode dificultar o contato com familiares e amigos no Brasil.
- A viagem a partir do Brasil dura, no mínimo, onze horas (partindo de São Paulo), podendo levar mais tempo e exigir escalas, conforme o ponto de partida.

Aspectos tributários ao se aposentar na Itália
Residentes fiscais na Itália estão sujeitos ao imposto de renda sobre sua renda mundial. O sistema inclui três tipos de tributos: imposto de renda nacional (IRPEF), regional e municipal.
O imposto nacional varia de 23% a 43%, dependendo da faixa de renda. O imposto regional varia de 1,23% a 3,33%, de acordo com a região. O imposto municipal varia de 0% a 0,9%, conforme a localidade .
Para aposentados brasileiros que transferem sua residência fiscal para a Itália, é importante considerar que as aposentadorias de origem privada recebidas do Brasil devem ser declaradas e podem estar sujeitas à tributação italiana. No entanto, aposentadorias de fonte pública no exterior não são taxadas no país.
Além disso, o Brasil e a Itália possuem um acordo para evitar a bitributação, o que significa que os brasileiros na Itália são beneficiados pela repartição das receitas entre os dois países e, dessa forma, não precisam pagar os mesmos impostos duas vezes.

É necessário ter visto para se aposentar na Itália?
A Itália não possui um visto específico para aposentados, mas disponibiliza o Visto de Residência Eletiva, usado por muitos para residência de longo prazo.
O principal critério é comprovar renda passiva (aposentadorias, dividendos, royalties, aluguéis etc.) de 31 mil euros por ano (cerca de R$ 169 mil, conforme a cotação de abril de 2024). Esse visto permite residência por um ano, com possibilidade de renovação .
Para solicitar o visto, é necessário apresentar documentos como:
- Formulário de pedido de visto (formulário para o visto D);
- Fotografia recente, colorida (3×4);
- Passaporte válido;
- Comprovante de renda;
- Comprovante de moradia na Itália (contrato ou promessa de aluguel, compra de imóvel, etc.);
- Seguro viagem ou IB2;
- Documento comprovando a parentalidade (em caso de pedido para a família inteira).
A população local resiste à presença de aposentados estrangeiros?
Algumas cidades com grande fluxo turístico, como Veneza, adotaram regras para limitar o número de visitantes diários. No entanto, essas medidas visam principalmente turistas em excursões curtas, como os que chegam por cruzeiros.
Para residentes estrangeiros, a receptividade costuma ser diferente. A Itália tem implementado programas de incentivo a empreendedores e trabalhadores remotos, leiloado imóveis a valores simbólicos e oferecido isenções fiscais. Também é possível obter cidadania italiana mediante comprovação de ascendência.

Quem pode se adaptar bem à aposentadoria na Itália — e quem pode não se adaptar
A Itália costuma atrair pessoas interessadas em cultura, gastronomia, vinhos e patrimônio histórico. Também é um destino buscado por quem valoriza atividades ao ar livre.
Além da faixa litorânea extensa, o país tem paisagens variadas, incluindo os Alpes, os Apeninos e lagos como Garda e Como.
Por outro lado, para quem não deseja aprender italiano, a adaptação pode ser difícil. Também não é o destino mais indicado para aposentados LGBTQ+, dado o caráter conservador e a influência religiosa na sociedade.
Com exceção desses pontos, a Itália tende a receber bem os brasileiros. Assim, seja em centros urbanos ou regiões naturais, o país oferece um estilo de vida viável para diferentes perfis de aposentados.
Custo de vida na Itália
Globalmente, o custo de vida na Itália é menor do que em muitos outros países, como o Reino Unido. É 12% menor do que na França e quase 27% menor do que a média dos EUA: US$ 905 (R$ 5,4 mil) por mês para uma pessoa solteira, sem incluir aluguel. Os preços de restaurantes e supermercados na Itália também são cerca de 30% mais baratos do que nos Estados Unidos.