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Vale a Pena se Aposentar na Itália? Tudo o Que Você Precisa Saber

Veja um guia completo com requisitos, custos e prós e contras de passar a aposentadoria no país da bota

8 min

Aposentar-se na Itália é o sonho de muitas pessoas — e para aqueles que realizam esse sonho, ele não decepciona.

Com um grande acervo histórico, artístico e cultural concentrado em um território pequeno, além de uma culinária e vinicultura reconhecidas, o país oferece diversas possibilidades para quem se interessa por patrimônio cultural.

O que nem todos sabem é que a Itália também apresenta opções para atividades ao ar livre, com montanhas para esqui, extensas faixas litorâneas com praias certificadas, áreas rurais e parques nacionais.

Independentemente do estilo de vida desejado, há opções no país para diferentes perfis de aposentados. Confira

Brasileiros estão mesmo se aposentando na Itália?

A Itália é um destino cada vez mais procurado por brasileiros que desejam aproveitar a aposentadoria em um país europeu com rica cultura e qualidade de vida. Embora não haja estatísticas precisas sobre o número de brasileiros aposentados na Itália, muitos têm buscado essa opção, especialmente aqueles com ascendência italiana ou que desejam uma experiência de vida no exterior.

Além disso, o acordo previdenciário entre Brasil e Itália permite que os brasileiros aproveitem o tempo de contribuição no Brasil para se aposentar na Itália, facilitando o processo para quem deseja residir no país europeu.

Getty ImagesGrande Canal em Veneza, Itália

Por que algumas pessoas preferem aposentar-se na Itália ao invés de outros países?

A Itália oferece diferentes estilos de vida: do campo à cidade, da praia às montanhas, de experiências luxuosas a formas de vida mais simples e autônomas.

Sua posição no Mediterrâneo garante um clima ameno na maior parte do ano. Mesmo no norte, onde há maior incidência de chuva, neblina e temperaturas mais baixas, o inverno não costuma ser extremo. No verão, porém, é comum enfrentar calor, umidade e dias ensolarados.

Com dois longos litorais banhados pelo Mediterrâneo e pelo Adriático, há acesso a praias e outras atividades aquáticas.

Em 2024, as cidades históricas da Itália receberam mais de 68 milhões de visitantes do mundo inteiro, um número recorde.

Desde o Império Romano até o Renascimento, o país preserva seu patrimônio. São 60 locais considerados Patrimônio Mundial da Unesco. Para efeito de comparação, a China tem 59, apesar de ser cerca de 32 vezes maior em extensão territorial.

A Itália também possui aeroportos internacionais em Roma e Milão, com voos diretos para o Brasil e vários destinos da Europa.

Esses fatores — somados à gastronomia, vinhos, arte, cultura e modo de vida — tornam a Itália um dos destinos mais procurados do mundo para aposentadoria.

Getty ImagesA bela vila de La Morra e seus vinhedos na região de Langhe, no Piemonte, Itália

Vantagens e desvantagens de se aposentar na Itália

Entre as vantagens:

  • Grande concentração de arte e história.
  • Qualidade de vida associada a custos acessíveis.
  • A dieta mediterrânea é considerada uma das mais saudáveis.
  • O inverno não é rigoroso.
  • Há montanhas com infraestrutura para esportes de inverno.
  • Com 485 praias certificadas com Bandeira Azul, a Itália ocupa o quarto lugar mundial nesse quesito, mesmo tendo um litoral menor do que os três países líderes.

Entre as desvantagens:

  • É necessário aprender italiano para melhor adaptação.
  • O norte é mais frio, úmido e com maior incidência de neblina.
  • O calor e a umidade são intensos no verão, exceto em regiões montanhosas.
  • Cidades podem ter alto custo de vida e concentração de turistas.
  • O fuso horário pode dificultar o contato com familiares e amigos no Brasil.
  • A viagem a partir do Brasil dura, no mínimo, onze horas (partindo de São Paulo), podendo levar mais tempo e exigir escalas, conforme o ponto de partida.
Getty ImagesVista de Militello em Val di Catania com o Monte Etna ao fundo – Sicília, sul da Itália

Aspectos tributários ao se aposentar na Itália

Residentes fiscais na Itália estão sujeitos ao imposto de renda sobre sua renda mundial. O sistema inclui três tipos de tributos: imposto de renda nacional (IRPEF), regional e municipal.

O imposto nacional varia de 23% a 43%, dependendo da faixa de renda. O imposto regional varia de 1,23% a 3,33%, de acordo com a região. O imposto municipal varia de 0% a 0,9%, conforme a localidade .

Para aposentados brasileiros que transferem sua residência fiscal para a Itália, é importante considerar que as aposentadorias de origem privada recebidas do Brasil devem ser declaradas e podem estar sujeitas à tributação italiana. No entanto, aposentadorias de fonte pública no exterior não são taxadas no país.

Além disso, o Brasil e a Itália possuem um acordo para evitar a bitributação, o que significa que os brasileiros na Itália são beneficiados pela repartição das receitas entre os dois países e, dessa forma, não precisam pagar os mesmos impostos duas vezes.

Getty Images
Getty ImagesA sensacional Costa Amalfitana da Itália, com estradas sinuosas, falésias altas e casas em tons de gelato, é um excelente local de verão

É necessário ter visto para se aposentar na Itália?

A Itália não possui um visto específico para aposentados, mas disponibiliza o Visto de Residência Eletiva, usado por muitos para residência de longo prazo.

O principal critério é comprovar renda passiva (aposentadorias, dividendos, royalties, aluguéis etc.) de 31 mil euros por ano (cerca de R$ 169 mil, conforme a cotação de abril de 2024). Esse visto permite residência por um ano, com possibilidade de renovação .

Para solicitar o visto, é necessário apresentar documentos como:

  • Formulário de pedido de visto (formulário para o visto D);
  • Fotografia recente, colorida (3×4);
  • Passaporte válido;
  • Comprovante de renda;
  • Comprovante de moradia na Itália (contrato ou promessa de aluguel, compra de imóvel, etc.);
  • Seguro viagem ou IB2;
  • Documento comprovando a parentalidade (em caso de pedido para a família inteira).

A população local resiste à presença de aposentados estrangeiros?

Algumas cidades com grande fluxo turístico, como Veneza, adotaram regras para limitar o número de visitantes diários. No entanto, essas medidas visam principalmente turistas em excursões curtas, como os que chegam por cruzeiros.

Para residentes estrangeiros, a receptividade costuma ser diferente. A Itália tem implementado programas de incentivo a empreendedores e trabalhadores remotos, leiloado imóveis a valores simbólicos e oferecido isenções fiscais. Também é possível obter cidadania italiana mediante comprovação de ascendência.

Getty Images
Getty ImagesOs programas de residência na Itália visam apoiar as economias rurais locais e preservar as comunidades montanhosas

Quem pode se adaptar bem à aposentadoria na Itália — e quem pode não se adaptar

A Itália costuma atrair pessoas interessadas em cultura, gastronomia, vinhos e patrimônio histórico. Também é um destino buscado por quem valoriza atividades ao ar livre.

Além da faixa litorânea extensa, o país tem paisagens variadas, incluindo os Alpes, os Apeninos e lagos como Garda e Como.

Por outro lado, para quem não deseja aprender italiano, a adaptação pode ser difícil. Também não é o destino mais indicado para aposentados LGBTQ+, dado o caráter conservador e a influência religiosa na sociedade.

Com exceção desses pontos, a Itália tende a receber bem os brasileiros. Assim, seja em centros urbanos ou regiões naturais, o país oferece um estilo de vida viável para diferentes perfis de aposentados.

Custo de vida na Itália

Globalmente, o custo de vida na Itália é menor do que em muitos outros países, como o Reino Unido. É 12% menor do que na França e quase 27% menor do que a média dos EUA: US$ 905 (R$ 5,4 mil) por mês para uma pessoa solteira, sem incluir aluguel. Os preços de restaurantes e supermercados na Itália também são cerca de 30% mais baratos do que nos Estados Unidos.

A Forbes já falou sobre o custo de vida na Itália e o que significa ser rico por lá; saiba mais aqui. 

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