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15 Livros Que Acertam em Cheio na Primeira Frase

Veja uma seleção de obras com frases de abertura marcantes e memoráveis da literatura, capazes de fisgar o leitor logo na primeira linha

7 min

Uma boa frase de abertura geralmente prepara o leitor para a história ou o clima do livro, ou expressa uma verdade universal. O leitor precisa ser fisgado logo na primeira linha, caso contrário, pode não seguir adiante.

Boas frases iniciais estabelecem o tom do que está por vir. Seja ao apresentar um tema central, criar a atmosfera do restante da narrativa ou introduzir um personagem essencial para a trama, uma abertura eficaz pode definir a experiência de leitura. Quando o início desperta interesse, as chances de o leitor continuar são muito maiores; se um livro demora para chegar ao ponto ou começa com algo irrelevante, o interesse diminui.

Entre os autores que dominaram a arte da abertura impactante estão alguns dos maiores nomes da literatura, como Jane Austen, Toni Morrison, Sylvia Plath e Charles Dickens. A seleção considera a qualidade da escrita, o reconhecimento crítico dessas frases, a popularidade duradoura das obras e a maneira como a primeira linha prepara o terreno para o restante da narrativa.

A seguir, uma lista de obras da literatura com frases de abertura marcantes e memoráveis:

15. “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro, possuidor de uma boa fortuna, deve estar à procura de uma esposa.” — Orgulho e Preconceito, de Jane Austen (1813)

O romance clássico de Jane Austen sobre o conturbado relacionamento entre a teimosa Elizabeth e o igualmente teimoso Sr. Darcy começa com um comentário irônico sobre o casamento no século 19. Apesar de desafiar várias convenções da época, a autora conduz seus protagonistas ao final esperado — o que acaba confirmando a verdade dita na primeira frase.

14. “Escrevo isto sentada na pia da cozinha.” — Aos Pés do Castelo, de Dodie Smith (1948)

Cassandra Mortmain se apresenta com uma confissão inesperada, que revela três coisas: ela é pequena o suficiente para caber em uma pia, tem um comportamento incomum e não tem medo de se expor. O livro narra sua adolescência em meio ao caos familiar, mantendo uma perspectiva singular ao longo da trama.

13. “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía havia de lembrar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo.” — Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez (1967)

A primeira frase desse clássico da literatura latino-americana usa o recurso do prenúncio para apresentar o personagem principal. A lembrança da infância suaviza o título militar do coronel, enquanto a menção à morte cria um contraste entre o encanto juvenil e o arrependimento futuro. A obra narra a trajetória da família Buendía por gerações, com foco na solidão.

12. “Atiraram primeiro na garota branca.” — Paraíso, de Toni Morrison (1997)

Qualquer obra de Morrison poderia figurar nesta lista, mas Paraíso se destaca pela abertura impactante. Ao se referir à “garota branca”, torna-se evidente que os outros personagens pertencem a outro grupo racial — e surgem questionamentos: por que ela estava ali? Quem mais foi atingido? O livro explora a tensão racial em uma cidade majoritariamente negra diante da chegada de forasteiros brancos.

11. “Todas as famílias felizes são iguais; as infelizes o são cada uma à sua maneira.” — Anna Kariênina, de Liev Tolstói (1878)

Trata-se de uma verdade universal. Independentemente da origem do leitor, a mensagem do autor russo é compreensível. A narrativa, que poderia ser apenas um melodrama sobre adultério, aprofunda-se nos costumes sociais do século 19 e nas tensões entre normas e desejos individuais.

10. “Tudo isso aconteceu, mais ou menos.” — Matadouro-Cinco, de Kurt Vonnegut (1969)

Poucos autores são tão diretos ao apresentar um narrador pouco confiável. Vonnegut avisa logo de início que parte da história pode não ser verdadeira. O protagonista, Billy Pilgrim, é um soldado afetado pelos horrores da guerra, que passa a ter uma relação instável com o tempo.

9. “Ao acordar certa manhã de sonhos inquietos, Gregor Samsa viu que havia se transformado, em sua cama, num gigantesco inseto.” — A Metamorfose, de Franz Kafka (1915)

Esta frase é um exemplo conciso da premissa central da obra. Gregor acorda metamorfoseado, e a pergunta que surge é imediata: por quê? O restante do livro investiga essa transformação e se é possível reverter o processo.

8. “Era um dia claro e frio de abril, e os relógios marcavam treze horas.” — 1984, de George Orwell (1949)

A contradição entre a primeira metade da frase — uma manhã comum — e a segunda — algo surreal — cria uma abertura eficaz para o romance distópico. Fica evidente que há algo errado nesse futuro onde o Partido controla tudo, e um homem comum resolve resistir.

7. “Navios à distância carregam os desejos de todos os homens.” — Seus Olhos Viam Deus, de Zora Neale Hurston (1937)

A escrita de Hurston se aproxima da poesia, e esta frase inicial capta o fascínio pelo desconhecido. Aquilo que não se pode alcançar parece sempre conter o que se deseja — mas nenhum navio realiza todos os sonhos. O livro acompanha Janie em sua trajetória amorosa e social.

6. “Estávamos em algum lugar perto de Barstow, na beira do deserto, quando as drogas começaram a fazer efeito.” — Medo e Delírio em Las Vegas, de Hunter S. Thompson (1971)

Se o título não bastasse como alerta, a primeira frase deixa claro: não se trata de uma leitura leve. O narrador embarca em duas viagens — uma física, outra alucinógena — sem planejamento definido. A obra acompanha as jornadas de um jornalista em meio à contracultura.

5. “Chamem-me Ismael.” — Moby Dick, de Herman Melville (1851)

Direta e simples, esta frase apresenta um narrador aparentemente comum — que talvez não seja tão confiável quanto parece (por que não dizer simplesmente “meu nome é Ismael”?). Ele relata a obsessão de seu capitão pela caça à baleia Moby Dick.

4. “Foi um verão estranho e abafado, o verão em que executaram os Rosenberg, e eu não sabia o que estava fazendo em Nova York.” — A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath (1963)

Plath consegue estabelecer tempo e lugar com precisão, mesmo sem datas exatas. Seu romance acompanha a protagonista em sua jornada por um colapso psicológico, em parte impulsionado pelas pressões sociais.

3. “Era uma noite escura e tempestuosa.” — Uma Dobra no Tempo, de Madeleine L’Engle (1962)

Essa frase se tornou um clichê por um motivo: ela estabelece com clareza o tom e a expectativa da história. O romance narra a busca de uma menina por seu pai desaparecido, com uma narrativa acessível e envolvente.

2. “Sou um homem invisível.” — Homem Invisível, de Ralph Ellison (1952)

O narrador já se apresenta revelando um fato central. A invisibilidade logo se mostra uma metáfora para a experiência de pessoas negras no início do século 20. Sem nome, o protagonista enfrenta os desafios de alcançar sucesso em uma sociedade marcada pelo racismo.

1. “Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos.” — Um Conto de Duas Cidades, de Charles Dickens (1859)

Dickens escreveu uma das frases mais conhecidas da literatura, ressaltando que duas realidades opostas podem coexistir. O romance acompanha famílias em Londres e Paris em meio a eventos históricos turbulentos e dramas pessoais, como amor, perda e assassinato.

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