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O Destino Secreto da Áustria Que Todo Viajante Devia Conhecer

Em meio aos Alpes austríacos, Zell am See oferece infraestrutura para esportes de inverno, paisagens naturais e tradição local longe das rotas turísticas manjadas

7 min

Durante uma tarde ensolarada de meados de março, a paisagem pela janela do trem impressiona conforme a fronteira da Alemanha é cruzada em direção ao Tirol, um dos maiores estados do oeste austríaco, até alcançar o destino no estado de Salzburgo. A forma das montanhas, moldadas por geleiras, ocupa toda a vista pela janela. Os picos cobertos de neve se destacam sobre a arquitetura alpina, com chalés abastecidos por pilhas de lenha cortada empilhadas cuidadosamente do lado de fora.

As jardineiras nas janelas ainda estão vazias neste final de inverno, mas em breve estarão cobertas de flores coloridas. O destino é a pequena cidade de Zell am See, que se torna mais popular durante o verão, quando o grande lago no centro ganha vida. Mas não é pelas flores ou pela natação que se visita o local.

A região oeste da Áustria é conhecida pelas estações de esqui, com destaque para cidades como St. Anton e Innsbruck, no Tirol. A maioria dos visitantes é europeia.

a experiência de esqui no estado de Salzburgo é menos divulgada — justamente o que torna a região mais atrativa. Zell am See foi recomendada por uma austríaca residente em Nova York, que a considera sua cidade de esqui preferida por estar fora dos roteiros tradicionais e pela vista para o lago.

A estação de trem fica ao lado do lago, na entrada da cidade. O hotel Tirolerhof, onde a hospedagem foi feita, está a poucos minutos dali. Logo após o check-in, o destino foi a sauna de madeira tradicional — presença considerada essencial em bons hotéis nos Alpes austríacos.

Após a sauna, banho e descanso. A viagem foi longa — três aviões e três trens —, mas esse acesso mais difícil ajuda a explicar por que a região do oeste austríaco se mantém autêntica e geralmente fora do radar de turistas fora da Europa.

Zell am ‘Ski’ — Vistas do lago na Schmittenhöhe

Zell am See é uma cidade pequena, com cerca de 10 mil habitantes. Não há aeroporto comercial nas proximidades, sendo necessário chegar de trem ou carro — o trem costuma ser a opção mais conveniente. A partir de hubs como Munique (4 horas), Viena (4 horas) ou Salzburgo (2 horas), é possível acessar Zell am See.

“Diria que é raro encontrar turistas americanos aqui”, afirma Marc Leeds, guia local e instrutor de esqui. “Sempre que escuto o sotaque, faço questão de cumprimentar e conversar, porque realmente gosto dos viajantes americanos. Mas é bem raro encontrá-los por aqui.”

Zell am See-Kaprun TourismusVista do Lago Zell, Zell am See e da base da estação de esqui Schmittenhöhe do outro lado do lago

Há duas grandes áreas de esqui acessíveis a partir de Zell am See, com características bem distintas.

A primeira é a montanha local, Schmittenhöhe. A gôndola que leva até ela parte do centro da cidade, a poucos minutos a pé da maioria dos hotéis (quem está mais distante pode usar o ônibus local de esqui).

Marc Leeds, o guia de esqui, espera na base da gôndola. Durante a subida, é possível ver o lago cercado por picos nevados, ocupando toda a vista traseira da cabine.

“O que torna Zell especial é essa combinação com o lago”, explica Leeds. “A mistura entre o lago e as montanhas é algo realmente singular.”

Embora o ideal seja manter o olhar na pista ao esquiar, é difícil resistir às paisagens da Schmittenhöhe. Para apreciá-las com segurança, há uma plataforma panorâmica no topo da montanha chamada “Kaiserblick”, inaugurada no verão passado, que oferece vista para a cidade, o lago e os arredores.

Ao lado da Kaiserblick está o museu Tradition & Innovation Since 1927 (o nome pode soar estranho, mas não é comum encontrar museus no topo de uma pista de esqui, então é um diferencial). O espaço apresenta a história da montanha e dos teleféricos, cuja infraestrutura impressiona: três gôndolas, diversos teleféricos aquecidos, 18 chalés e restaurantes e até escadas rolantes para facilitar o deslocamento com botas de esqui.

Próximo ao museu está o Berghotel, localizado no ponto mais alto da montanha, que pode oferecer uma estadia interessante. O que se perde em conveniência urbana (restaurantes, lojas, bares) se ganha em silêncio, vistas e acesso direto às pistas, incluindo as primeiras descidas pela manhã.

Zell am See-Kaprun TourismusVista da área de esqui da geleira Kitzsteinhorn no início da manhã. Os visitantes podem fazer uma série de pistas que descem mais de 2.130 metros de altura

Esqui em geleira

A outra principal opção de esqui a partir de Zell am See é a geleira de Kitzsteinhorn, localizada acima da cidade vizinha de Kaprun, a cerca de 15 minutos de ônibus de esqui.

Esquiar em geleiras não é comum nos Estados Unidos, mas faz parte da rotina nas montanhas austríacas. As pistas da geleira Kitzsteinhorn chegam a quase 3 mil metros de altitude, com 23 teleféricos e acesso a áreas de backcountry e fora de pista.

A vista do topo da geleira é ampla. De certos pontos, é possível avistar Zell am See e parte do lago, a cerca de 2.100 metros abaixo no vale.

Uma experiência que merece destaque — especialmente como última descida do dia — é descer toda a extensão vertical dos 2.100 metros, começando no Top of Salzburg (veja o mapa) e descendo até Langwied. De lá, pega-se o teleférico horizontal 3K K-onnection até Maiskogel, e segue-se esquiando até Kaprun.

A descida deve ser feita com calma, para apreciar a paisagem. A vista na chegada a Kaprun é impressionante, e a descida completa soma mais de 2.100 metros.

O estilo austríaco de esquiar

Esquiar na Áustria apresenta diferenças em relação à experiência nos Estados Unidos. Algumas são culturais e fazem parte da vivência. Outras requerem preparação.

Meia pensão

Nos hotéis austríacos, é comum a oferta de pacotes com refeições. Embora existam restaurantes em Zell, há um charme em aderir à tradição das montanhas e optar pela “meia pensão”, que inclui café da manhã e jantar.

Essa opção funciona bem em viagens de esqui, em que o almoço e o après-ski acontecem nas cabanas da montanha, com pratos como schnitzel e schnapps. Depois de um dia intenso nas pistas (e talvez algumas bebidas no après), o jantar no próprio hotel oferece comodidade. Muitos estabelecimentos mantêm programas gastronômicos de qualidade, o que pode representar economia e praticidade.

Hotel TirolerhofO Breiteckalm Lodge, um dos 18 chalés no Schmittenhöhe, oferece pratos austríacos favoritos como schnitzel e schnapps

Estilo de esqui

Segundo Leeds, o esqui na Áustria manteve sua autenticidade em comparação com outros destinos europeus. “Pelo que vivenciei, uma das coisas que sempre gostei na Áustria é que o ambiente é menos formal do que na França ou na Suíça”, diz.

Na Áustria, o que impressiona são as curvas. Os austríacos valorizam a frequência e a precisão dos giros, algo que remete à cultura das competições de esqui, muito presente entre os jovens do país. Quanto mais curvas, melhor.

Equipamentos para aluguel

Essas diferenças de estilo também se refletem nos equipamentos disponíveis para aluguel. Lojas como a Bründl Sports são bem organizadas e abastecidas, mas o tipo de equipamento reflete a preferência austríaca por esqui técnico. Encontrar esquis largos, por exemplo, é difícil — a maioria dos modelos disponíveis são finos, voltados ao estilo racing.

É um ponto importante para quem pretende esquiar na região. Turistas americanos acostumados com esquis mais largos e com dupla curvatura (os chamados “powder skis”) devem considerar levar seus próprios equipamentos, pois pode ser difícil encontrá-los para aluguel nessa parte dos Alpes.

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