Depois de passar por empresas como Google, Microsoft e Getnet, Andrea Fornes trocou a estabilidade de um cargo executivo pela incerteza — e a liberdade — de um novo começo. “Eu sempre tive uma intuição forte de que um dia isso ainda viraria um trabalho”, diz.
Essa nova fase começou quando ela decidiu deixar para trás a segurança de um crachá e seguir um projeto pessoal que há tempos pulsava em sua cabeça: a Gift It, uma consultoria especializada em presentes personalizados. “Sempre tive amigos que pediam ajuda para escolher presentes. Eu fazia isso com prazer e, um dia, pensei: ‘isso ainda vai virar um trabalho’. Essa ideia me acompanhou por mais de 20 anos — até eu finalmente decidir transformá-la em realidade”, conta.
A proposta é simples na forma, mas complexa na essência: ajudar pessoas a encontrar o presente certo, com significado verdadeiro. Leca investiga o perfil do presenteado, a ocasião e a mensagem que o gesto pretende transmitir. “Um presente é uma forma de comunicação. Ele pode expressar carinho, apoio, amor, gratidão… ou, se mal escolhido, passar exatamente o contrário. Por isso, entender o que se quer dizer é fundamental”, explica. A partir desse diagnóstico — e respeitando o orçamento do cliente — ela define as opções ideais. A comissão varia conforme o projeto.
Um sonho fora do óbvio
Antes de fundar a Gift It, Leca não encontrou nada semelhante no mercado. “Até onde eu sei, não tenho concorrentes”, afirma. O cenário é, ao mesmo tempo, promissor e desafiador: “É um serviço tão novo que o maior obstáculo é justamente fazer com que as pessoas entendam o que eu ofereço. Educar o público faz parte do processo.”
Sua metodologia combina intuição, dados e repertório. O olhar apurado vem de anos de viagens, pesquisas e experiências em diferentes culturas. E o resultado, muitas vezes, é transformador. “Uma cliente me procurou porque uma grande amiga havia acabado de ficar viúva. Ela queria presenteá-la, mas não sabia o que dar. Pensei no luto e me lembrei da perda da minha mãe. Naquele momento, o que eu mais queria era um abraço. Então pensei: como traduzir o gesto de um abraço em um objeto? Cheguei à ideia de uma manta, algo que envolvesse e confortasse. A cliente amou — e a amiga também.”
O que realmente importa
Para Leca, o preço é o fator menos relevante. “Às vezes, um presente caríssimo não toca quem o recebe. Ele comunica apenas dinheiro, não afeto. O que importa é o gesto, a mensagem, o cuidado. Que o presente diga: ‘pensei em você’. O cartão, as palavras, o significado — tudo isso é o que realmente vale”, reflete.
Na prática, acertar no presente ideal é um exercício de criatividade e empatia. “As possibilidades são infinitas. O segredo está em buscar o que é original e feito sob medida para aquela pessoa — sair do óbvio. Hoje, há uma tendência forte de personalização, e meu papel é justamente encontrar aquilo que o cliente dificilmente encontraria sozinho.”