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Belém no Centro do Mundo: a Missão da Global Citizen de Transformar Vozes em Ação

No dia do festival que levará a Amazônia ao centro das atenções globais, o cofundador da Global Citizen fala à Forbes Brasil sobre cultura, propósito e o poder de mobilizar milhões por um futuro comum

5 min

Neste sábado (1), Belém se tornará o epicentro global da cultura, da música e da sustentabilidade. Conversei com Mick Sheldrick, cofundador da Global Citizen, o movimento internacional que redefiniu a forma como entretenimento, filantropia e ativismo se cruzam no cenário global.

Para muitos brasileiros, o nome Global Citizen ainda soa novo. Mas, no mundo, é sinônimo de impacto: todos os meses de setembro, durante a Semana do Clima da ONU, o festival anual da organização transforma o Central Park, em Nova York, em um palco onde arte e ação caminham juntas.

De Rihanna a Shakira, de Billie Eilish a Beyoncé, a Global Citizen tornou-se um marco da cultura contemporânea e uma força diplomática informal. Desde sua fundação, mais de US$ 49 bilhões em compromissos foram mobilizados em suas plataformas, impactando 1,3 bilhão de vidas.

“O que nos move é a ideia de que todos têm um papel a desempenhar. Que uma ação pequena, quando multiplicada por milhões, pode mudar o curso de uma geração.” — Mick Sheldrick, cofundador da Global Citizen, em conversa por telefone.

Agora, pela primeira vez, esse palco chega à América Latina, e o endereço não poderia ser mais simbólico: Belém do Pará, a porta de entrada da Amazônia. Neste 1º de novembro, o Global Citizen Festival: Amazônia ocupará o Estádio Mangueirão, reunindo um line-up histórico: Anitta, Seu Jorge, Gilberto Gil, Gaby Amarantos, Chris Martin (Coldplay), Eric Terena, Kaê Guajajara, Djuena Tikuna e o recém-anunciado Charlie Puth, artista querido pelo público brasileiro desde suas passagens pelo Rock in Rio.

Divulgação“Global Citizen Festival: Amazônia” ocorre neste sábado (1º), em Belém

“O Brasil ocupa um lugar especial na história das mudanças globais”, diz Sheldrick. “Realizar este festival em Belém, no coração da Amazônia, é simbólico e estratégico. É o ponto onde cultura, natureza e pessoas se encontram.”

O formato segue o princípio que se tornou marca registrada da Global Citizen: ingressos gratuitos, mas conquistados por meio de ações positivas; desde o plantio de árvores até campanhas por energia limpa e direitos indígenas. É o ativismo transformado em moeda social.

“Acreditamos que todos podem ser cidadãos globais”, afirma Sheldrick. “A ideia é transformar o público passivo em participante ativo.”

Durante a conversa, Sheldrick reflete sobre como essas ações se traduzem, na prática, em impacto real na Amazônia.

“Neste ano, enquanto estava na região, conheci Moisés, que liderava um projeto de ecoturismo que precisou ser cancelado após o corte de recursos da U.S. AID. Esse momento me fez perceber o quanto muitas iniciativas locais são frágeis, e como é vital diversificar as fontes de investimento.”

Ele explica que, historicamente, cerca de 80% dos compromissos da Global Citizen vieram de ajuda governamental, mas que o momento atual representa uma virada de chave: “O diferencial da campanha Protect the Amazon é que, desta vez, empresas e fundações estão liderando. Companhias como Banco do BrasilEnergeaBanco da Amazônia e a Equitable Earth Coalition, nossa parceira há anos,estão fazendo grandes aportes.”

Segundo ele, governos como AlemanhaFrança e Noruega também estão contribuindo, mas essa fase marca uma nova era de colaboração. “Nenhum ator isolado pode substituir a ajuda pública, mas juntos podemos construir novos modelos de financiamento sustentável para a Amazônia.”

Além dos shows de Gilberto Gil e Anitta, entre os momentos mais esperados do festival está o reencontro de Chris Martin e Seu Jorge (após o sucesso das 15 apresentações do Coldplay no Brasil) e o retorno de Charlie Puth, hoje um dos artistas internacionais mais próximos do público brasileiro.

“O público daqui tem uma energia única, uma forma de viver a música como parte da alma”, reflete Sheldrick. “É essa energia que queremos canalizar em propósito.”

DivulgaçãoMick Sheldrick no Estádio Mangueirão

O festival será transmitido ao vivo pela Globo e em globalcitizen.watch, levando a mensagem da Amazônia ao mundo. Para os moradores do Pará, o acesso será totalmente gratuito, reafirmando o compromisso da organização com a inclusão e a mobilização popular.

Mais do que um evento, o Global Citizen Festival: Amazônia marca o início de um compromisso de longo prazo com o Brasil. Em parceria com a Re:wild e a Prefeitura do Rio de Janeiro, a Global Citizen anunciou a criação da Rio Nature & Climate Week, uma plataforma de cinco anos que reunirá líderes mundiais em torno das agendas de clima e biodiversidade.

“O Brasil não está apenas recebendo um festival”, explica Sheldrick. “Está se tornando um polo global de ação climática; um lugar onde o conhecimento local guia o progresso internacional.”

Da diplomacia da ONU aos palcos da Amazônia, a presença da Global Citizen no país representa algo maior: o reconhecimento de que o futuro do planeta não pode ser escrito sem a voz da América Latina.

Enquanto Belém se prepara para receber o mundo, o ritmo da floresta se mistura ao ritmo da transformação. “O que acontece na Amazônia impacta cada um de nós”, diz Sheldrick. “Mas é também aqui que nascem algumas das soluções mais inspiradoras.  E é isso que queremos celebrar.”

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