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Le Jazz Celebra 15 Anos com Sabor de Renovação

O bistrô que transformou a Rua dos Pinheiros atualiza o cardápio e projeta expansão sem perder sua alma parisiense

4 min

Em dezembro de 2009, quando a Rua dos Pinheiros ainda era território de botecos e PFs, dois amigos – Chico Ferreira e Gil Carvalhosa Leite – abriram um pequeno bistrô inspirados por viagens a Paris e endereços como o Le Comptoir du Relais. A proposta era simples, mas precisa: servir comida francesa clássica, bem executada e acessível, sem cerimônia, maîtres ou regras de etiqueta. Um lugar para comer entrecôte com fritas e steak tartare ouvindo jazz, tomando vinho, sem pressa.

O nome, Le Jazz, nasceu da afinidade com uma música que atravessa gerações sem perder relevância, como os pratos do cardápio: filé au poivre, pato, terrine, profiteroles. A informalidade fazia parte do charme; a consistência, da fama. Logo nas primeiras semanas, as calçadas lotaram. As mesas se tornaram disputadas; as filas, constantes. Celebridades e políticos esperavam como qualquer outro cliente (reza a lenda que até FHC ouviu um “vai demorar”). O sucesso consolidou o estilo da casa: informalidade elegante e comida reconfortante.

O Le Jazz virou queridinho da cidade, com um estilo muito próprio: não é um restaurante francês típico, tampouco uma casa de tendências. É um bistrô com alma, que combina luz baixa, hospitalidade, rigor técnico e um certo descompromisso encantador. Em 2011, a marca chegou aos Jardins; depois ao Shopping Iguatemi; em seguida vieram o Le Jazz Petit, focado em coquetelaria; o endereço no Pátio Higienópolis e, mais recentemente, a Le Jazz Boulangerie, dedicada aos pães, viennoiseries e massas da casa.

Com 15 anos de história, o Le Jazz inicia um novo capítulo — “não de ruptura, mas de aprofundamento”, afirma Paulo Bitelman, CEO do grupo e investidor desde o início, que antecipa uma meta ambiciosa: atingir R$ 90 milhões em faturamento em 2025. Para repensar o menu e refinar receitas, os sócios convidaram o chef franco-brasileiro Patrick Bragato, formado pela tradicional escola Ferrandi e com passagens por brasseries em Paris e casas de alta gastronomia. Seu trabalho no Le Jazz resgata a ideia de bistronomia: o equilíbrio entre técnica, sabor e afeto.

Laís AcsaOs sócios Paulo Bitelman (CEO), Gil Carvalhosa Leite e Chico Ferreira 085

As mudanças são sutis, mas significativas. A boudin noir aux pommes – morcilla artesanal grelhada – volta ao cardápio com purê de maçã-verde e folhas frescas. O barigoule de alcachofra, receita do sul da França, aparece em versões quentes e frias, como na salade de poulet grillé e no prato mediterrâneo, servido com tartare de atum confitado, tapenade de azeitona, queijo de cabra e tomate assado. O magret de canard retorna malpassado e servido com maçã caramelizada, purê e espinafre, como nos primeiros anos da casa.

Clássicos também ganham novos detalhes. O pâté de foie de volaille, agora mais amanteigado e servido com nozes caramelizadas, passa do couvert para a seção de aperitivos. A terrine de campagne com pistache aparece mais intensa, acompanhada de cebola no vinho tinto e mizuna. O cachorro-quente, um dos hits da casa, agora vem no pão de leite da boulangerie, com salsicha gratinada com gruyère, picles e mostarda dijon. O l’entrecôte, prato mais pedido da história da casa, chega em porção mais generosa, com fritas crocantes e molho secreto ou béarnaise.

Nas sobremesas, a tarte fine aux pommes sai do forno com massa fininha e maçã-verde em lâminas, servida com sorvete de baunilha. Os profiteroles ganham massa choux feita na casa e voltam acompanhados de calda quente de chocolate. E, para os fãs de chocolate puro, a nova crème tendre au chocolat é quase uma ganache para comer de colher, com calda de maracujá para equilibrar a doçura.

Laís AcsaO steak tartare, um dos clássicos da casa

Chico gosta de dizer que mexer nos pratos consagrados exige cautela. “A gente até inova, mas não pode mudar muito os clássicos, senão os clientes ficam bravos.” E é justamente esse respeito ao que deu certo que faz o bistrô continuar relevante.

Mais do que acompanhar a transformação da Rua dos Pinheiros ou da cena gastronômica de São Paulo, o Le Jazz ajudou a moldá-las: o restaurante se firmou como parte da memória afetiva da cidade. E, olhando para frente, Chico resume o que vem a seguir com naturalidade: “Enxergo o Le Jazz sendo um clássico da cidade. E, quem sabe, de outras cidades também.”

Entre novas receitas, trilhas sonoras e histórias de salão, o bistrô segue tocando a mesma canção: boa comida, bom som, espírito generoso.

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