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Estilo na Pista: Como a Corrida Entrou no Radar da Moda

Depois da corrida de rua se tornar um estilo de vida desejável e compartilhável, adeptos anseiam por uma camada extra de informação de moda nos seus corres - e o mercado está de olho

6 min

“O hype da corrida” foi uma das expressões mais usadas para falar do crescente interesse pela modalidade em 2025. Correr está na moda, é o que dizem, e é também o que os números apontam: a pesquisa Por Dentro do Corre, encomendada pela Olympikus à consultoria estratégica Box1824, aponta que somos 13 milhões de brasileiros praticando a modalidade pelo menos uma vez por semana. Outra pesquisa, essa do Strava, rede social dos atletas, aponta que o potencial de socialização tem atraído mais gente para a corrida: o que era apenas um esporte individual se tornou um estilo de vida desejável e compartilhável.

Dentro das pistas, o “é só calçar um tênis e sair correndo” deu lugar a um desejo crescente por roupas e acessórios que expressem a personalidade; fora delas, os looks com códigos estéticos de corrida (e até peças criadas originalmente para a performance) passaram a ganhar cada vez mais espaço, como aconteceu décadas atrás com esportes como skate e basquete.

Se alguém ainda discorda que a corrida está na moda, não restam dúvidas de que a moda está na corrida. Prova disso são as dezenas de collabs entre grifes e marcas esportivas. Em 2024, a suíça On se uniu à espanhola Loewe para criar uma coleção de roupas esportivas e de street style, com tops, bermudas, leggings, parcas e moletons, além de acessórios e um modelo de tênis; na Maratona de Nova York, a HOKA fez um takeover da movimentada boutique de luxo ESSX, que terminou com uma corrida puxada por uma crew, enquanto a ASICS lançou uma collab de 17 peças de corrida com a nichada Bandit e organizou zonas de torcida e aquecimento pré-prova em uma pop-up store no SoHo. Na semana de moda de Nova York, Stella McCartney anunciou a última geração da sua linha Adidas by Stella McCartney, com roupas esportivas que mesclam alto desempenho e alta moda.

DivulgaçãoFoto da parceria entre a Loewe e a On, cujos tênis saltaram da corrida para o lifestyle

Se, de um lado, as marcas de moda e luxo enxergaram na corrida uma oportunidade, passando a incorporar ao seu portfólio linhas tecnológicas, peças e coleções colaborativas, de outro, marcas esportivas que, por muito tempo, preocuparam-se apenas com as características funcionais de suas peças agora dedicam maior investimento e atenção à moda.

É o que vem acontecendo dentro da Olympikus – que celebrou seu cinquentenário em 2025 com o ambicioso projeto de 50 corridas no ano – após a franquia de seu tênis Corre (que já está na versão Corre 4) extrapolar os limites das pistas. “O Corre nasceu pra ser um tênis que atendesse às necessidades do corredor e democratizasse a tecnologia de corrida no Brasil, mas também estava claro desde o início que precisávamos construir um tênis que flertasse com o lifestyle e que fosse capaz de se tornar um ícone”, conta Márcio Callage, CMO da Olympikus.

Para concretizar esse desejo, a marca convidou para seus sprints de desenvolvimento de produto (método de design ágil e de cocriação) não apenas atletas profissionais e amadores, fisioterapeutas, mestres em biomecânica e tecnologia de produto, mas artistas plásticos, designers de moda, músicos e criativos de diversas áreas. “Nos dedicamos a desenvolver um produto, mas também a construir um espaço de relevância cultural. O ápice desse encontro entre corrida, moda e cultura acontece nas corridas proprietárias Bota Pra Correr, verdadeiros festivais que dão protagonismo aos corres das pessoas de várias regiões do Brasil e carregam o tênis como mídia”, completa Callage.

Buena OndaA Olympikus completou 50 anos de olho na fatia de corredores que se preocupa tanto com performance quanto com estilo. O tênis Corre 4 é um sucesso

O resultado desse esforço agora é visto na extensão da família para o vestuário, com o Roupa do Corre e na parceria da marca com a Authentic Feet, multimarcas com foco no lifestyle esportivo e no streetwear. “Víamos isso acontecer fora do país, marcas de corrida ganhando espaço em lojas de lifestyle, e sabíamos que a Olympikus era a marca capaz de desempenhar esse papel no Brasil. Então, trouxemos o artista plástico Gabriel Azevedo, que estava em um dos nossos sprints de desenvolvimento de produto, para criar duas cores do Corre 4 com exclusividade para a Authentic Feet.”

Há ainda um terceiro e importante agente nessa aproximação de moda e corrida: as novas labels que já nasceram com um olhar igualmente dedicado à funcionalidade e à estética de suas coleções. Se até poucos anos os fashionistas brasileiros aficionados por corrida precisavam recorrer às marcas estrangeiras, como a francesa Satisfy Running, a inglesa Tracksmith, a norte-americana Bandit e a canadense Ciele Athletics para imprimir seu estilo no esporte, agora, começam a surgir marcas brasileiras capazes de atender a essa demanda. É o caso da nova BAD RUNNING.

“A marca nasceu da interseção entre a experiência pessoal com a corrida e uma percepção clara de um espaço inexplorado no mercado. Corríamos, mas nunca nos identificamos com a linguagem visual predominante nas roupas de corrida. As grandes marcas seguem um código que é funcional, mas pouco expressivo. Quando olhávamos para outras categorias, como o skate ou o basquete, víamos que esses esportes tinham uma conexão autêntica com a moda. Na corrida, isso ainda era restrito a poucos players internacionais”, explica Bruno Bocchese, cofundador e diretor criativo da marca.

Cassio AndreA proposta alinhada da novata BAD RUNNING

Outra label que traz um olhar novo para o segmento e que nasceu do desejo de um atleta amador de se expressar por meio de suas roupas esportivas é a High Minded, do diretor criativo Rafael Varandas. “Em 2020, quando fundei a marca, o mercado era dominado pelas grandes grifes esportivas tradicionais, com algumas exceções. Foi nesse período que a Satisfy começou a se destacar. Seu fundador, de forte ligação com a música e o rock, trouxe essa influência para a identidade da marca, ao mesmo tempo em que oferecia produtos de altíssima qualidade e preços elevados. Sem dúvida, eles abriram caminho para uma nova geração de marcas que perceberam a possibilidade de explorar diferentes identidades dentro da corrida. Ver esse movimento acontecendo me fez sentir parte dele e me deu coragem para seguir em frente”, conta.

Agora, depois de um ano de hype que foi 2025, podemos dizer sem dúvidas que a corrida ultrapassou os limites do esporte, e tanto as grandes quanto as pequenas marcas sabem disso. A questão não é se essa integração com a moda vai ganhar mais espaço, mas quem vai conseguir fazer isso com autenticidade e qualidade.

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