Na última noite de domingo (15), Hollywood entregou seus principais prêmios cinematográficos a histórias não convencionais. O thriller satírico “Uma batalha após a outra” ganhou o prêmio de melhor filme no Oscar, e levou ao todo seis troféus de 13 indicações.
O filme, que relata uma excêntrica história de resistência política nos Estados Unidos, teve uma disputa acirrada com a história de vampiros “Pecadores“, criando uma disputa até o último prêmio no Dolby Theatre.
“Vamos tomar um martini! Isso é incrível”, disse o diretor Paul Thomas Anderson no palco depois que seu filme foi anunciado como o ganhador do prêmio principal.
O filme da Warner Bros é estrelado por Leonardo DiCaprio como um ex-revolucionário que se torna pai solteiro de uma adolescente.
“Escrevi esse filme para meus filhos, para pedir desculpas pela bagunça que deixamos neste mundo”, disse Anderson ao receber o prêmio de roteiro. “Mas também com o incentivo de que eles serão a geração que, com sorte, nos trará algum bom senso e decência.”
Já o filme “Pecadores” levou quatro troféus de um total de 16 indicações. O longa ganhou o prêmio de melhor ator, com Michael B. Jordan superando Wagner Moura em “O Agente Secreto“.
Noite sem prêmios para o Brasil
Os representantes brasileiros não conquistaram nenhum prêmio na edição do Oscar que foi histórica para o país, pois concorreu pela primeira vez a cinco categorias.
O filme “O Agente Secreto” concorreu ao troféu de melhor filme, melhor ator, melhor filme internacional e melhor seleção de elenco.
O diretor do filme, Kleber Mendonça, agradeceu o apoio da torcida brasileira nas redes sociais. “Obrigado Brasil. Pronto para o próximo”, escreveu em sua conta no X.
Além disso, o diretor de fotografia brasileiro Adolpho Veloso disputou o prêmio de melhor fotografia com o filme “Sonhos de Trem“.
Outros premiados
Sean Penn, que interpreta um oficial militar obcecado no “Uma batalha após a outra”, foi eleito o melhor ator coadjuvante. Este foi o terceiro Oscar de Penn, que costuma faltar às cerimônias de premiação do cinema e não estava presente na plateia do Dolby Theatre.
“Sean Penn não pôde estar aqui, ou não quis, então vou receber o prêmio em seu nome”, disse o apresentador Kieran Culkin, vencedor do prêmio de melhor ator coadjuvante no ano passado.
A atriz irlandesa Jessie Buckley recebeu o prêmio de melhor atriz por interpretar a esposa de William Shakespeare, Agnes Hathaway, em “Hamnet“. O filme explora como o casal lida com a morte de seu filho de 11 anos.
Amy Madigan, de 75 anos, foi eleita a melhor atriz coadjuvante por seu papel como a maluca Tia Gladys no filme de terror “A Hora do Mal“. Ela ganhou seu primeiro Oscar 40 anos após sua primeira indicação.
“Guerreiras do K-Pop“, um filme da Netflix que se tornou um fenômeno mundial, foi eleito o melhor filme de animação. Sua música cativante, “Golden“, ganhou o prêmio de melhor música original.
Em meio à celebração, o Oscar assumiu um tom sério para homenagear duas grandes perdas no mundo do cinema: as mortes dos diretores Robert Redford e Rob Reiner.
Cenário de tensão no Oscar
O apresentador Conan O’Brien abriu as festividades brincando que estava honrado por ser “o último apresentador humano” da premiação, em um momento em que Hollywood está preocupada com a possibilidade de a inteligência artificial assumir os empregos.
A comemoração chamativa, a festa de gala mais exagerada de Hollywood do ano, ocorreu enquanto os EUA travam uma guerra contra o Irã.
A segurança foi reforçada dentro e nos arredores da cerimônia após um alerta federal sobre uma possível ameaça iraniana contra a Califórnia.
As festividades mascararam o desconforto no setor cinematográfico em relação ao local onde os filmes estão sendo feitos, pois os estúdios buscam incentivos fiscais e custos mais baixos em outros lugares dos EUA e no exterior, enfraquecendo o controle de Hollywood sobre a produção.
Os vencedores das estatuetas douradas do Oscar são escolhidos pelos cerca de 10.000 atores, produtores, diretores e artesãos do cinema que compõem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.