Com um elenco estrelado, uma diretora em plena ascensão e um roteiro que transforma um jantar aparentemente comum em um retrato ácido das relações contemporâneas, O Convite (The Invite) chega como uma das produções mais comentadas da temporada. Longe de apostar em grandes reviravoltas ou no suspense tradicional, o longa dirigido por Olivia Wilde combina humor, diálogos afiados e observações sobre casamento, desejo e intimidade para construir uma comédia sofisticada, que prende o espectador até a última cena sem recorrer a clichês.
Um jantar entre vizinhos que muda tudo
A trama acompanha Joe (Seth Rogen) e Angela (Olivia Wilde), um casal que vive uma relação desgastada e decide convidar para jantar os barulhentos vizinhos do andar de cima: Hawk (Edward Norton) e Piña (Penélope Cruz). O encontro, que começa como uma tentativa de resolver um incômodo cotidiano, rapidamente se transforma em uma noite de revelações, desconfortos e conversas capazes de expor as fragilidades dos dois casais.
Apesar dos trailers sugerirem uma grande virada, o filme não segue o caminho do suspense psicológico. Em vez disso, aposta na tensão criada pelas interações entre os personagens e em diálogos que alternam humor, constrangimento e sinceridade.
O filme começa com uma frase de Oscar Wilde
Antes mesmo de apresentar seus protagonistas, O Convite abre com uma frase de Oscar Wilde, estabelecendo o tom da história. A escolha do escritor e dramaturgo irlandês não é casual: ao longo do filme, as conversas entre os personagens giram em torno de temas que marcaram a obra de Wilde, como amor, desejo, casamento, convenções sociais e as contradições da natureza humana. A citação funciona como um convite para o espectador enxergar a trama para além da comédia, como uma reflexão sobre os relacionamentos contemporâneos.
O terceiro longa de Olivia Wilde
Depois de chamar atenção como diretora com Booksmart (2019) e Não Se Preocupe, Querida (2022), Olivia Wilde assume pela terceira vez a direção de um longa-metragem. Além de comandar a produção, ela também interpreta Angela, uma das protagonistas da história.
Seu estilo de direção privilegia a dinâmica entre os personagens, explorando nuances emocionais e conflitos cotidianos em vez de efeitos grandiosos. Em O Convite, Wilde conduz uma narrativa quase teatral, sustentada principalmente pelas atuações e pelos diálogos em um único espaço físico.
Um elenco de peso
O quarteto principal reúne alguns dos nomes mais conhecidos de Hollywood. Seth Rogen interpreta Joe, marido de Angela e peça central das discussões que movimentam a trama. Edward Norton vive Hawk, o carismático vizinho que parece esconder mais do que revela, enquanto Penélope Cruz interpreta Piña, personagem que adiciona novas camadas às conversas ao longo da noite.
Com apenas quatro protagonistas em cena durante boa parte do filme, o sucesso da narrativa depende da química entre os atores, que é um dos aspectos mais elogiados pela crítica internacional.

Baseado em uma história espanhola
Pouca gente sabe que O Convite é uma adaptação de Sentimental, filme espanhol lançado em 2021 pelo cineasta Cesc Gay. A produção, por sua vez, nasceu da peça teatral Los vecinos de arriba (Os Vizinhos de Cima), escrita pelo próprio diretor em 2016.
Um roteiro assinado por uma dupla experiente
A adaptação ficou a cargo de Will McCormack e Rashida Jones, dupla que também escreveu a comédia dramática Celeste and Jesse Forever (2012), elogiada por sua abordagem madura sobre o fim de um casamento. Os dois ainda desenvolveram a história original de Toy Story 4 (2019), recebendo crédito de “story by” após deixarem a produção durante o processo criativo. Essa experiência em narrativas focadas nas relações humanas ajuda a explicar o tom sofisticado de O Convite.
Mais uma aposta da A24
O longa integra a programação de lançamentos da A24 para 2026. O estúdio se consolidou nos últimos anos por investir em produções autorais que fogem dos padrões tradicionais de Hollywood, privilegiando histórias centradas em personagens e abordagens mais ousadas. São deles: Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo, Hereditário, Guerra Civil e Moonlight
A aprovação da crítica
O Convite estreou com recepção bastante positiva da crítica especializada. No agregador de avaliações Rotten Tomatoes, o filme alcançou 96% de aprovação da crítica, índice que o coloca entre os lançamentos mais bem avaliados de 2026 até o momento. Além da pontuação elevada, críticos destacaram o equilíbrio entre humor e drama, a química entre os quatro protagonistas e a direção segura de Olivia Wilde, capaz de transformar uma premissa simples em uma reflexão sofisticada sobre os relacionamentos contemporâneos.
Vale a pena assistir?
Quem espera um thriller cheio de reviravoltas pode se surpreender. O Convite funciona melhor como uma comédia dramática inteligente, conduzida por interpretações afiadas e um roteiro que encontra tensão nas conversas mais banais. É um bom filme sobre casamentos, expectativas e as diferentes formas de enxergar a intimidade. E justamente por não depender de grandes revelações, consegue manter seu impacto muito depois dos créditos finais.